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4 maneiras de identificar tendência segundo a Teoria de Dow

Por Caio Sasaki

Você sabe identificar boas tendências usando a análise técnica clássica?

É fato que o mercado se move em tendências definidas nos mais variados Timeframes. Por isso, hoje vou falar das 4 formas que eu uso para identificar tendências no gráfico, baseado nos Princípios da Teoria de Dow, no meu dia a dia.

Ressalto que algumas táticas apresentadas a seguir são adaptações pessoais da teoria clássica, então, você não vai encontrar em livros ou outros artigos. Mas afinal, o que vamos ver neste texto?

Para resumir a minha abordagem, segue abaixo a lista de técnicas sobre tendência que irei explicar:

  • Progressão de topos e fundos
  • Tendências e Timeframes
  • O volume acompanha a tendência
  • Confirmação de tendência por correlação

Pode parecer muita coisa, mas já quero deixar claro que alguns pontos se aplicam ao curtíssimo prazo e outras no longo prazo. Agora, por que é tão importante essas definições de tendência?

No meu caso, como faço muito day trade, às tendências me ajudam a decidir se devo alongar a operação, no caso de estar a favor da tendência, ou trabalhar um tiro curto, no caso de movimentos de correção.

Então, sem mais delongas, vamos ao que nos interessa!

Progressão de topos e fundos

Essa é a primeira definição que eu observo, independentemente do timeframe ou do tipo de gráfico (de linha, de candle, renko etc). Trata-se de um conceito muito simples e abordado em qualquer livro de análise técnica clássica.

Uma tendência de alta é definida por topos e fundos ascendentes, enquanto uma tendência de baixa é definida por topos e fundos descendentes. Gosto de usar esse conceito de forma mais abrangente, sem dedicar muito tempo refletindo sobre cada topo e fundo.

A vantagem é que com uma rápida observação, já é possível tirar boas conclusões sobre a tendência no timeframe observado.

tendência de alta, ondas de elliot

(Exemplo de observação de topos e fundos no gráfico de Dólar x Peso Mexicano (30 minutos))

Embora o exemplo acima esteja nos 30 minutos, isso não quer dizer que este é o timeframe correto a se analisar um ativo. Na verdade, eu costumo cobrir minhas análises com múltiplos timeframes e é sobre isso que se trata o próximo tópico.

Tendências e Timeframes

É fato que o mercado se move em “ondas” com desenvolvimentos a favor da tendência intercalados por correções. Para mim, o ponto mais importante é que cada timeframe tem sua própria tendência.

Na Teoria de Dow esse conceito é abordado nas três tendências: primária, secundária e terciária. Contudo, elas foram feitas para observações na escala de semanas, meses e anos. O que eu fiz foi basicamente trazer esse conceito para o curto prazo.

Então, o que eu faço é observar a evolução de topos e fundos nos períodos diário, de 60 minutos, 30 minutos e 5 minutos. A partir disso, posso definir a extensão dos meus trades de acordo com um alinhamento entre as tendências observadas nos diferentes timeframes.

tendência de baixa, ondas de elliot

(Exemplo de alinhamento entre tendência nos 60 minutos e 5 minutos no Ibovespa.)

No exemplo acima, a partir da identificação, é possível estender um movimento de venda no início da tendência de queda, nos 5 minutos, dado que ambos estão alinhados.

Em contrapartida, as operações de compra dentro da tendência de queda nos 5 minutos devem ser evitadas, pois estão na contramão de dois timeframes alinhados.

Neste contexto, eu só consideraria uma compra (curta, é claro) somente nas situações em que o timeframe de 5 minutos indicasse uma tendência de alta, caracterizando um movimento corretivo da tendência de queda nos 60 minutos.

Acredito que essa leitura fica ainda mais precisa se alinharmos com o próximo tópico.

O volume acompanha a tendência

Para mim, uma tendência de alta fica confirmada nos casos em que quando o mercado “puxa” para cima, o volume aumenta, e quando o mercado corrige ou fica lateral, o volume diminui.

Para isso, eu costumo observar o volume por quantidade (no caso de contratos futuros), muitas vezes candle por candle, especialmente quando estou trabalhando em timeframes bem baixos, como 5 minutos ou até mesmo 1 minuto.

É bem comum candles que geram “picos” de volume acima da média serem gatilhos de movimentos tendenciais ou exaustões, indicando o fim do movimento ou da correção da tendência. Por isso, fico atento ao fato desses candles estarem alinhados com movimentos tendenciais.

queda no volume x tendência

(Exemplo do fim de uma correção e retomada da tendência marcados por picos de volume)

Mais uma vez, trata-se de um conceito da teoria clássica, mas trazido para tempos gráficos bem menores. Isso é explicado pelo fato de que quando a Análise Técnica Clássica se estabeleceu, ainda não havia tecnologia para transmitir cotações em tempo real e nem computadores ou plataformas gráficas com as que temos hoje.

Agora, vamos ao último tópico relacionado à Teoria de Dow.

Confirmação de tendência por correlação

Ao afirmar que uma média deve confirmar a outra, Dow se referia a dois índices correlacionados: industrial e de transportes.

A ideia de que um ativo relacionado ao que você está operando pode confirmar uma tendência a favor da sua posição ajuda em diversas tomadas de decisão, como: manter ou encerrar a posição, mover o stop para o ponto de entrada ou ainda estender a operação.

Dólar é o ativo que mais opero no day trade e é comum eu aplicar esse conceito de correlação ao gráfico de juros futuros (afinal, o câmbio e inflação estão fortemente relacionados) e eventualmente ao gráfico do Peso Mexicano também.

correlação entre tendência de ativos
(Exemplo de movimentos com forte correlação entre Peso Mexicano e Real vs Dólar)

É importante ressaltar que correlações nascem e morrem o tempo inteiro e nem sempre ocorrem numa proporção linear. Então, o ideal é considerar trechos do dia em que se nota correlação.

Portanto, tenha em mente que as operações dão prioridade às análises feitas no ativo em que você opera e não no ativo relacionado. Senão, pelo contrário, soaria como dirigir um carro olhando mais pelo retrovisor do que para frente, e é claro que isso não faz sentido.

Conclusão

Essas foram as 4 maneiras de identificar tendência com base nos Princípios da Teoria de Dow e espero que tenha ajudado a incrementar o seu repertório técnico.

Ainda existem muitas outras formas de se analisar e definir tendências, por exemplo, levando em consideração as médias móveis, projeções e retrações de fibonacci e até o contexto macroeconômico. Mas podemos deixar essas abordagens para outro texto.

Até lá, caso você queira se aprofundar, recomendo fazer o Curso Gratuito de Price Action do Portal do Trader. Lá você vai encontrar formações gráficas e padrões de candle que complementam muito bem a abordagem feita aqui, mas sob a ótica da continuidade e reversão de tendência.

Foi um prazer compartilhar conhecimento com você e nos vemos num próximo artigo!