6 drivers para você acompanhar no mês de Julho
Projeção Mensal - Agosto/2018

6 drivers para você acompanhar no mês de Julho

Depois dos sustos de maio – ano passado tivemos a delação da JBS e este ano a greve dos caminhoneiros – o mês de junho não foi nada fácil. A volatilidade veio forte e atingiu também o mercado de bolsa. O Ibovespa ronda os 70 mil pontos, o câmbio está na casa do R$ 3,80/US$ e mesmo assim o BC não subiu os juros.

A volatilidade neste mês foi bem mais forte no início, com os mercados recuperando-se na segunda metade do período. Isto não significa que teremos um mês mais fácil, mas é um sinal de trégua parcial do mercado.

 

‘RETROCEDER NUNCA, RENDER-SE JAMAIS’

 

1- Normalização monetária nos EUA:

O processo de elevação da taxa básica de juros e retirada das compras de títulos por parte do Banco Central (Fed) tem apresentado difícil leitura. A economia dos Estados Unidos vem apresentando crescimento acima do potencial, com taxa de desemprego em 3,8%, nas mínimas das últimas duas décadas, e inflação na meta de 2%. Isto tem levado a interpretações de que o Fed tenha que acelerar a elevação dos juros para conter um possível repique inflacionário e fazer com que o desemprego não fique tão abaixo do potencial, que é ao redor de 4%.

A elevação das taxas de juros de mercado já culminou num ganho de força do dólar frente a praticamente todas as moedas ao longo de maio e junho. Neste período o dólar index (indicador da moeda norte-americana frente as principais moedas mundiais) subiu cerca de 5%. Argentina, Turquia, México e Brasil, entre outros também pouco preparados, foram alvos do mercado neste processo. Além disso, períodos de elevação de juros na história da economia norte-americana sempre foram seguidos de desempenho econômico fraco e, em boa parte das vezes, recessões na sua economia.

 

2- Guerra comercial dos EUA:

O outro ponto importante no cenário econômico mundial das últimas semanas é a estratégia norte-americana, mais especificamente do presidente Trump, de optar por negociações bilaterais em detrimento do multilateralismo. Neste contexto, que vem sendo chamado de guerra comercial, os EUA vêm impondo aos seus parceiros de negócios um conjunto de tarifas e/ou ameaças de tarifas como uma arma para iniciar negociações, também sofrendo retaliações bilaterais.

Independente do contexto político, do ponto de vista econômico este processo gera uma enormidade de incertezas, desde impacto em preços e fluxo de comércio, mas principalmente na capacidade de crescimento em um contexto de incerteza na relação entre os preços relativos dos produtos na economia.

 

3- Atividade econômica no Brasil:

Os últimos números divulgados de hard-data (indicadores econômicos com impacto relevante para a mensuração do PIB) são todos referentes a abril, isto é, antes da paralização dos caminhoneiros. Eles mostraram, em todos os setores – indústria, serviços e comércio – que o resultado morno da atividade econômica no primeiro trimestre ficaria para trás, dando lugar para um desempenho melhor. No entanto, o soft-data (indicadores econômicos antecedentes, coincidentes e que revelam de forma indireta o comportamento da economia) foi muito frágil.
Os números da atividade econômica de maio e junho serão muito fracos.

As estimativas iniciais são de queda da economia como um todo em torno de 4% a 7% no período. Desta forma, as expectativas de crescimento econômico para o fim do ano, que estavam entre 2,5% e 3% desabaram para algo entre 1% e 1,5%. A queda na confiança em todos os setores foi muito forte o que pode fazer com que decisões de consumo, por parte das famílias, e investimentos, por parte das empresas, sejam postergadas ou até mesmo abandonadas.

 

3- Inflação no Brasil:

Ao longo de junho, houve forte elevação dos preços dos alimentos in natura, dos combustíveis e da energia elétrica. Nos dois primeiros casos, a alta foi causada pelo choque de oferta da paralização dos caminhoneiros. Já a energia subiu em razão da baixa quantidade de chuvas nas bacias captadoras das principais usinas de geração no país, fazendo com que a ANEEL fosse obrigada a autorizar o ligamento das usinas térmicas e implementar o sistema de bandeiras vermelhas, nível máximo, elevando as tarifas de energia.

Para os preços dos outros produtos houve continuidade da inflação bem moderada. A elevação do preço dos serviços manteve o ritmo baixo, houve suavização da alta observada no início do inverno para roupas e calçados e o preço dos produtos duráveis manteve sua trajetória de queda. O mercado que estava esperando um IPCA (índice de preços ao consumidor calculado pelo IBGE e usado pelo BC como referência para a política monetária) em torno de 3,5% para o final do ano mudou sua cabeça e elevou a previsão para ao redor de 4%.

O núcleo da inflação, que exclui os itens mais voláteis, mostrou continuidade da sua trajetória de suavização. E na observação somente dos preços livres, isto é, daqueles que são independentes do ajuste do governo, a desaceleração da inflação ainda é mais forte. O que fica para o cenário à frente é o quanto a desvalorização cambial das últimas semanas será repassada para os preços de forma permanente. Em uma economia aquecida, em geral, há forte repasse. Não é o nosso caso, o que eleva ainda mais a incerteza acerca da trajetória da inflação.

 

4-Política monetária: 

A decisão de manter a meta para a taxa Selic estável e de ser bem incisivo na ata do COPOM divulgada nesta semana ajudou o BC a recuperar parte da credibilidade perdida em meados de maio. O comunicado e a ata foram muito claros em colocar que, na visão da autoridade monetária, não há uma necessidade iminente de elevação de juros e que maiores informações precisam ser observadas para então se visualizar se há necessidade de um processo de elevação da taxa Selic.

A porta ficou aberta, mas os argumentos do BC são para deixar os juros onde estão por um bom período de tempo. Outro fator dentro deste mesmo contexto foi o anúncio de reduzir a meta de inflação de 2021 para 3,75% ao ano, o que revela mais a busca do BC na tentativa de reduzir os arranhões em sua pele.

 

5- Volatilidade cambial:

 

Por outro lado, a alta volatilidade no mercado cambial obrigou o BC a agir ativa e fortemente na mitigação desta volatilidade. Após nossa moeda bater quase R$ 4/US$, o BC ofertou uma ‘bazuca’ de liquidez ao mercado em posições vendidas no mercado derivativo (swaps), que poderia passar de US$ 100 bilhões e, mais ainda, a possibilidade de atuação no mercado a vista. Ao todo o estoque já posto em swap foi de US$ 67,4 bilhões. A medida teve seu efeito, ainda que parcial, reduzindo bastante da volatilidade implícita no mercado cambial, mas isso não impediu o real de perder bastante valor em relação ao dólar norte-americano, na esteira da maioria das moedas de emergentes.

 

6- Definições dos candidatos para as eleições:

Até o final de julho teremos praticamente definido todas as candidaturas para o pleito eleitoral em outubro. Neste momento, o centro da política tem perdido bastante força e aparenta estar em total dispersão. A esquerda também corre cada um para seu lado sem a referência da candidatura de Lula. Em razão dos resultados já divulgado nas pesquisas, é bem provável que observemos mudanças nesta postura, principalmente por parte do centro político.

 

Todo mês estaremos disponibilizando esse relatório macroeconômico mensal, projetando os principais pontos para o próximo mês para você que acompanha o nosso blog!

Equipe Nelogica & GapEconomics