Projeção mensal agosto
Projeção mensal agosto

7 drivers econômicos para acompanhar no mês de Agosto

Após dois meses duríssimos para o mercado, julho foi bem mais tranquilo. Houve recuperação de preços de ativos e queda sensível da volatilidade de mercado. O Ibovespa voltou a bater os 80 mil pontos, com forte recuperação no mês, a taxa de câmbio valorizou para próximo de R$ 3,75/US$, mesmo sem nenhuma intervenção adicional do Banco Central, e a curva de juros deu uma boa suavizado ao longo do mês, com o contrato de jan21 fechando abaixo do 9,00%, caindo cerca de 40 pontos-base. Mas isso não quer dizer que agosto será de baixa emoção, pois há muitos assuntos importantes na economia para serem discutido ao longo do mês.
O momento eleitoral ganhou bastante corpo com a definição de boa parte das candidaturas e com o evento de reaproximação do ‘centrão’ com o PSDB de Geraldo Alkmin. A corrida eleitoral continua totalmente aberta, mas as forças em julho pesaram positivamente para a direita e o centro-direita. A campanha começa oficialmente no meio de agosto e muitos assuntos serão pauta de discussão ao longo dos próximos dias.

‘SE ESTIVER PASSANDO PELO INFERNO, CONTINUE CAMINHANDO’

1- Desempenho econômico dos EUA:
A economia norte-americana vem apresentando um desempenho econômico invejável. A primeira prévia do PIB do segundo trimestre mostrou um crescimento acima de 4% na taxa anualizada, mesmo após desempenhos bastante positivos nos trimestres anteriores. A taxa de desemprego vem se mantendo ao redor de 4% ao longo de todo ano, com geração de mais de 200 mil empregos líquidos por mês. Apesar disto, a inflação anda bem comportada, ao redor de 2% ao ano. Agosto é o início do período da driven season, onde o norte-americano sai de férias com a família em viagens longas pelo país e ajuda bastante a monitorar o espírito do local para gastos com consumo e crédito.

2- A resposta chinesa à ‘guerra’ comercial de Trump:
As exportações da China para os Estados Unidos foram fortemente taxadas pelo governo Trump e a retaliação por parte dos chineses foi tímida, do ponto de vista comercial. Do ponto de vista econômico, a decisão de não entrar em embates comercias foi equilibrada com a desvalorização do Renminbi (mais de 7% desde meados de junho). No entanto, já no final do mês houve uma reaproximação entre China e EUA para retomar as conversas sobre comércio bilateral.

3- Atividade econômica no Brasil:
Os efeitos da greve dos caminhoneiros começaram a aparecer na economia brasileira. A produção industrial de maio caiu mais de 10%, maior queda mensal da série histórica. O volume de serviços e de vendas no comércio também caíram fortemente. No entanto, o soft-data (dados antecedente e coincidentes da economia) sinaliza que a queda da atividade econômica foi temporária e a recuperação tem sido forte, principalmente por parte da indústria. Mesmo assim, as projeções de crescimento do PIB em 2018 caíram de cerca de 2,5% para 1,5% no período. A recuperação mais rápida da atividade poderia reverter esta deterioração das projeções de crescimento.

4- Inflação no Brasil:
Da mesma forma que a atividade econômica despencou por causa da greve dos caminhoneiros, a inflação subiu forte em razão da escassez de alimentos e combustível. O IPCA de junho foi 1,26%. No entanto, para julho, as projeções apontam inflação ao consumidor na casa dos 0,3% e para agosto algo próximo de 0% ou até mesmo negativa. Os alimentos, que foram os itens que mais subiram, já apresentam nova deflação de preços. A gasolina vem ajudando também, mas serviços que dependem do uso de combustível, como são passagens aéreas, ainda pressionam os preços. Além disso, a alta do preço da energia não mostrou enfraquecimento. Neste contexto, a dúvida que fica é se voltaremos a ter inflação baixa, como no início do ano, ou se os efeitos da greve e da alta do dólar manterão a inflação mais elevada.

5-Política monetária no Brasil:
O Banco Central e o COPOM retiraram de seus últimos comunicados o ‘guidance’ de política monetária, ou seja, a indicação da trajetória dos juros para as próximas reuniões do COPOM. Esta estratégia sugere que a autoridade monetária gostaria de ter maior liberdade e gama mais ampla de opções para a tomada de decisão sobre os juros básicos da economia.

6- CDS Brazil:
O credit default swap (CDS) do Brasil apresentou forte elevação a partir de meados de maio, saindo de cerca de 160 para próximo de 300 pontos no swap de 5 anos. Este indicador é uma das mais usadas proxies para taxa de desconto de ativos internos. Neste contexto, sua alta ajudou na queda de preços dos ativos ao longo do período mais nervoso de maio e junho. No entanto, a partir de julho o CDS já caiu para patamares próximos de 200 pontos, contribuindo para a retomada dos preços dos ativos internos. Sua trajetória deve ficar mais ligada ao cenário eleitoral, a partir do início de campanha em meados de agosto.

7- O início da campanha eleitoral:
O período de convenções partidárias termina dia 4 de agosto e os partidos têm que registrar seus candidatos até o dia 15 de agosto no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A partir do dia 16 a campanha eleitoral se inicia. Os principais candidatos ao pleito são Bolsonaro, Alckmin, Marina, Ciro e o candidato do PT. Este, por sua vez, deve insistir na candidatura de Lula, que será barrada no TSE. Desta forma, o PT terá que apresentar um substituto, mesmo com a campanha já em andamento, o que deve prejudicar bastante a imagem do candidato. A partir de setembro inicia-se a campanha televisionada e Alckmin larga na frente pois terá cerca de 50% do tempo de TV em razão da coligação com o ‘centrão’.

Escrito por: GapEconomics