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7 drivers econômicos para acompanhar no mês de Outubro

O mercado em setembro não deixou de mostrar surpresas. Mesmo com cenário externo desafiador e a corrida eleitora em pleno vapor, os preços se posicionaram positivamente. O Ibovespa só rondou os 80 mil pontos no final do período, pois durante a primeira metade do mês a performance foi negativa. A taxa de câmbio chegou a bater R$ 4,20/US$ e fechou o período abaixo de R$ 4,05/US$, com direito a fortes emoções com a Argentina e o FOMC. 

A deterioração do mercado externo para emergentes tomou corpo e atingiu em cheio nossa vizinha Argentina, que teve que fechar um acordo de emergência com o FMI e jogou a taxa básica de juros para estratosféricos 65% ao ano. Mas o que mais pesou no mês foi o cenário eleitoral. Com a inelegibilidade de Lula, Haddad assumiu a ponta na campanha do PT e ganhou muito corpo ao longo de setembro. No entanto, o grande evento da campanha eleitoral foi o atentado sofrido pelo candidato Jair Bolsonaro, que quase o tirou sua vida e impediu que ele conduzisse a sua campanha nas ruas. Apesar disto, Bolsonaro continua na frente nas pesquisas eleitorais.

‘O BRASIL NÃO É PARA AMADORES’

 

1. Ajustes nas economias emergentes

O processo de ajustes nas economias emergentes frente a retirada dos estímulos monetários nos EUA já afetou fortemente Argentina e Turquia. Ambas economias entrarão em recessão pelo grande ajuste em suas variáveis macroeconômicas. No entanto, outros emergentes também foram afetados, mas mostraram certa resiliência. Índia, África do Sul, Chile e Brasil estão entre eles. No entanto, a normalização monetária no mundo desenvolvido recém começou e a resiliência dos emergentes será testada novamente.

2. O embate no comercio internacional

O presidente norte-americano, Donald Trump, tem sido insistente em refazer os acordos comerciais com todas as economias internacionais que exportam para os EUA. O instrumento que ele tem usado para forçar um novo acordo é a elevação das tarifas de importação. Apesar de agir agressivamente, Trump já obteve sucesso em várias negociações. No entanto, este tipo de guerra comercial potencialmente reduz o crescimento do comércio internacional e, consequentemente, da economia mundial. No início de outubro, Trump fechou novo acordo dentro do NAFTA e avisou que também mudará as regras para o comércio com o Brasil.

3. Os efeitos da política monetária aqui e lá fora

Ao longo de outubro não haverá decisão de política monetária nem no Brasil nem nos EUA. No entanto, há forte precificação de alta nos juros básicos de nossa economia ainda este ano. Já para os EUA, também há embutido nos preços de mercado que ainda em 2018 haverá nova elevação de juros. O COPOM anunciou que pode iniciar logo a elevar os juros caso as expectativas de inflação para 2019/2020 se desancorem e isto tem que ser observado. O FOMC anunciou que a última elevação de juros colocou o nível da política monetária não mais como expansionista, mas sim neutra.

4. As eleições no primeiro turno

No dia 7 de outubro haverá eleições gerais no país. As pesquisas apontam um possível segundo turno para presidente entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Apesar disto é importante monitorar como está sendo a renovação no congresso, tanto na Câmara dos Deputados, quanto do Senado, pois estes congressistas estarão com a responsabilidade de votar as reformas estruturais que o país necessita. Além disso, não se pode descartar uma vitória de Bolsonaro no primeiro turno, uma vez que a abstenção e os votos brancos e nulos tendem a ser significativos nesta eleição. Caso isso ocorra, o mercado deve, no curto prazo, performar muito positivamente.

5. O possível segundo turno entre Bolsonaro e Haddad

No dia 28 de outubro, caso necessário, haverá segundo turno das eleições. Para presidente, se a disputa for para o segundo turno, muito provavelmente o embate será entre Bolsonaro e Haddad. As pesquisas apontam empate técnico entre os dois, mas boa parte dos analistas de política colocam Bolsonaro como principal postulante, com uma pequena margem na frete. A questão deve ficar em quem é o menos rejeitado, isto é, haverá um duelo entre o antipetismo e a esquerda cativa.

Há uma clara inclinação do mercado ao candidato Bolsonaro. No entanto, observou-se nas últimas semanas de setembro uma explicita aproximação do mercado por parte do candidato Haddad, onde este excluiu de seu palanque as figuras mais radicais do PT, sinalizou retomada das reformas e uma gestão econômica mais liberal. De qualquer forma, outubro não será rosa, mas sim azul ou vermelho.

6. A resposta da taxa de câmbio ao resultado das eleições

Nos primeiros dias de outubro, com a melhora de Bolsonaro nas pesquisas e a elevação da rejeição de Haddad, o mercado retirou um bom pedaço de prêmio no preço da taxa de câmbio, que não respeitou a trava de baixa ao redor de R$ 4/US$ e bateu próximo do R$ 3,80/US$. Se Bolsonaro vencer, em especial no primeiro turno, a valorização do real deve ser ainda forte. Por sua vez, o mercado mostrou-se confortável com a melhora de Haddad em setembro e seu discurso mais moderador, o que sinaliza que o patamar de R$ 4,20/US$ possa ser um teto em caso de Eleição de Haddad. Mas isso, é claro, sem antes apresentar muita volatilidade.

7. A resposta do Ibovespa ao resultado das eleições

Na esteira das pesquisas no início de outubro, o Ibovespa disparou e chegou a bater 85 mil pontos, com destaque para as empresas estatais e bancos. De outra ponta, exportadoras e papéis defensivos ficaram para trás. Esta foi uma pequena amostra do que pode acontecer em caso da vitória de Bolsonaro. Já no caso da vitória de Haddad, a resposta do índice será negativa, no entanto, a intensidade do tom negativo dar-se-á pelo tom do discurso de vitória do PT, ou seja, se ele for conciliador, o peso negativo será amenizado, e caso seja agressivo, o índice cai ladeira abaixo.