projeção mensal setembro
projeção mensal setembro

7 drivers econômicos para acompanhar no mês de Setembro

Depois da calmaria de julho, o mês de agosto voltou a apresentar forte volatilidade para os preços dos ativos. O Ibovespa só fechou próximo dos 77 mil pontos pela ajuda das exportadoras; a taxa de câmbio passou batida pelos R$ 4/US$ e o BC teve que retornar à sua política de intervenções neste mercado. As precificações para as taxas de juros voltaram a subir com o contrato do janeiro/20 precificando alta da meta para a Selic para 11% no final do de 2019.

O momento eleitoral vem dividindo as atenções com a deterioração externa dos mercados emergentes. A indefinição em relação à elegibilidade de Lula ainda permanece, bem como da incerteza da migração de seus votos para outros candidatos. De qualquer forma, as pesquisas continuam apontando uma indefinição absoluta acerca do pleito de outubro. Já lá fora, a vida dos emergentes menos preparados, como é o caso de Turquia e Argentina continua muito dura. E como já não há muito o que fazer do ponto de vista monetário e fiscal, o câmbio destas economias acaba sendo a ‘válvula de escape’ para o ajuste.

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1. DESEMPENHO ECONÔMICO DOS EMERGENTES

A onda de desvalorização de moedas de países emergentes vem ganhando corpo a medida que a normalização da política monetária nas principais econômicas vem se desenhando. Argentina e Turquia são os dois grandes ‘perdedores’ deste argumento. Ambas economias apresentam-se totalmente desequilibradas do ponto de vista macroeconômico e com exposições elevadas, tanto privadas quanto públicas, ao credito externo. A dúvida é qual o tamanho do ‘spillover’ para outros emergentes e qual será o emergente que também será afetado diretamente neste processo. Os candidatos mais óbvios, não numa hierarquia, são Índia, África do Sul, Chile e Brasil.

2. A ATUAÇÃO DO FEDERAL RESERVE E A POLÍTICA MONETÁRIA DOS EUA

Em setembro haverá reunião do FOMC com a divulgação das projeções dos membros e discurso do presidente do Fed posteriormente. Nesta decisão ficará mais claro qual o real pensamento do comitê de política para o tamanho do ajuste nas taxas básicas de juros. A última ata e os últimos discursos dos membros do FOMC têm sido interpretados de forma mais dovish e o anúncio de que a taxa básica de juros já encontra-se próxima do potencial tem levantado questionamentos acerca de um provável período de aperto menor do que antecipado.

3. A RESPOSTA DO COPOM

Aqui no Brasil, o comitê de política monetária terá que lidar com uma atividade econômica fraca, inflação ainda baixa, mas uma desvalorização forte da taxa de câmbio e uma pressão muito grande do mercado para elevação da taxa básica de juros. Como na última reunião não houve ‘guidance’ acerca da política monetária, o BC optou em manter flexibilidade. Uma elevação dos juros antes das eleições poderá levar o mercado a uma percepção de que o BC acredita que a alta cambial poderá causar instabilidade na economia brasileira e que há receio com uma possível eleição não favorável para a implementação de uma política monetária independente.

4. A “TRANSFERIBILIDADE” DE LULA

O ex-presidente Lula tornou-se inelegível por determinação do TSE e não concorrerá a presidente nas eleições. A dúvida que fica é a estratégia do PT no uso de sua imagem e, principalmente, na capacidade que Lula terá na transferência de seus votos ao candidato do PT. Nas eleições de 2010, quando Lula era presidente, tinha a ‘caneta’ na mão e o país crescia a taxas chinesas, Lula transferiu 60% de seus votos à Dilma. Nesta eleição será diferente e com transferência menor. Mas mesmo assim, há forças para colocar seu candidato como postulante a uma vaga no segundo turno.

5. EFEITOS DA CAMPANHA ELEITORAL E TEMPO TELEVISIVO

A campanha eleitoral iniciou-se em meados de agosto e o tempo de televisão será intensivo ao longo de todo setembro. Neste contexto, os candidatos que melhor se saírem na condução da campanha e geração de conteúdo tenderão a ganhar tração e até mesmo capturar votos de outros candidatos. As mudanças observáveis nas pesquisas será essencial para visualizar esta captura de votos através da geração de conteúdo eleitoral.

6. A VOLATILIDADE DO MERCADO NA EXPECTATIVA DAS ELEIÇÕES:

Tradicionalmente, em períodos eleitorais, a volatilidade de mercado aumenta. Nesta eleição, pela elevada incerteza acerca do resultado das eleições, a volatilidade têm sido maior. A cada pesquisa há mudança nos patamares dos preços, mesmo neste período onde ainda é difícil vislumbrar um resultado mais efetivo. Com a proximidade das eleições, as definições tendem a aparecer mais claramente, o que deve manter aquecido o mercado para a volatilidade.

7. QUEM VAI PRO SEGUNDO TURNO?

Até o final de setembro, muito provavelmente, será possível conhecer os possíveis postulantes para um eventual segundo turno. Hoje Bolsonaro é o candidato que mais carrega esta probabilidade e outros cinco candidatos (Alckmin, Marina, Ciro, Haddad e até mesmo Amoêdo) aparecem com chances de ser a segunda vaga. Mas nosso histórico de eleições indica que tudo que está aí pode mudar.