A recessão chegará para os EUA
A recessão chegará para os EUA

A recessão chegará para os EUA?

A economia norte-americana vem apresentando uma performance econômica muito forte e robusta na última década. Desde a grande recessão, em 2009, o crescimento médio do PIB foi de 2,3% ao ano (na comparação trimestral ano contra ano). Este crescimento médio apresenta tendência crescente para os dados computados neste mesmo períodos de 10 anos.

A taxa de desemprego da economia saiu de 9,9% da força de trabalho em 2009. Encontra-se abaixo de 4% a mais de um ano, estando no menor patamar de desemprego dos últimos 50 anos. A geração média mensal de vagas de emprego gerada nos últimos 10 anos foi de 178 mil. A inflação média mensal (no comparativo ano contra ano) foi de 1,6% neste mesmo período, ficando abaixo da meta de 2%. Resumindo, a economia norte-americana apresentou uma performance muito satisfatória nestes últimos 10 anos.

Mesmo com essa situação, as dúvidas sobre qual deve ser o crescimento do país com o maior PIB do mundo são grandes. Alguns entendem que a economia dos EUA está no limite. Há diversas incertezas, entre elas a guerra comercial entre o próprio país e a China. 

E a recessão, tão esperada, vai chegar? Para entender as projeções, leia esse artigo completo que separamos para você!

Situação atual da economia americana

Vários indicadores apontam claramente que este é um momento econômico de desaceleração do crescimento. A produção industrial desacelera fortemente, após pico em 2018. As encomendas de bens duráveis desaceleram e os indicadores de confianças ficaram mais voláteis. Ainda não houve impacto no mercado de trabalho, que, em geral, é a variável macro mais defasada. Apesar disso, nenhum destes indicadores sugere uma recessão e sim um desaceleração no ciclo econômico.

Esses fatos são normais em qualquer economia e, no caso da norte-americana, muito bem vinda na busca de manutenção de crescimento sustentado. Os Estados Unidos vêm crescendo acima do potencial por muito tempo e a taxa de desemprego está muito abaixo da taxa de desemprego natural (que é algo próximo de 5%). Além disso, as pressões de salários e de preços, ainda não apareceram, o que dá espaço para uma bem-vinda desaceleração.

Apesar desta situação nada crítica dos indicadores econômicos, alguns indicadores financeiros apontam para uma direção muito contrária do que os dados atuais mostram. Eles indicam claramente que a economia norte-americana está à beira de uma recessão. O principal indicador neste sentido é a inclinação da curva de juros dos Estados Unidos. As taxas de juros de curto prazo (até 2 anos) estão em um patamar muito próximo das taxas de juros de longo prazo (5 e 10 anos), ou seja, a curva de juros está ‘flat’ (relativamente plana).

Em alguns momentos, a curva de juros mostra até mesmo inclinação negativa. Ou seja, as taxas de juros de curto prazo estão mais altas do que as de longo prazo. Em geral, quando a curva de juros fica ‘flat’ por muito tempo, a história mostra que as recessões na economia norte-americana acontecem. A quantidade de amostras neste sentido não é muito grande, mas isso não tem feito preço até este momento.

Os Estados Unidos e o resto do mundo: recessão e nervosismo

Há uma combinação de fatores que sinalizam a recessão, ainda mais quando se considera o momento incerto do comércio internacional. A guerra comercial entre China e Estados Unidos tem jogado momentos de apreensão aos mercados internacionais. Devido esse embate, há um fomento a uma nova rodada de estímulos monetário pelos banco centrais nas principais economia mundiais.

Nesse cenário, a economia chinesa mostra uma desaceleração bem acima do esperada e já toma medidas diversas: desvaloriza sua moeda, adota medidas de aceleração da eficiência do sistema financeiro e implementa estímulos fiscais com redução de impostos. FED e BCE já iniciaram o processo de suavização monetária. BOE está aguardando a resolução para o caso do Brexit. Os emergentes que podem já começaram a cortar os juros; os que não podem… não podem.

Em geral, recessão muito anunciadas e antecipadas são gerenciáveis e os eventos terminam por não acontecer. Obviamente isso passa por uma combinação não muito fácil com as partes envolvidas em algumas das incertezas: EUA e China. Isso implica levar em consideração outros timings de cunho político, tais como a reeleição de Trump.

Suavização monetária, VIX e preço das commodities

Outro desafio neste contexto é a concatenação da implementação das suavizações monetárias com o discurso dos bancos centrais. Por exemplo, quando o FED iniciou o ciclo de baixa dos juros recentemente, Jerome Powell (presidente do FED) deixou clara incerteza acerca da condução futura da taxa de juros. o que pesou muito fortemente no mercado.

O BCE tem sido bem mais agressivo, mas haverá troca de liderança e Mario Draghi passará a presidência para Christine Lagarde, atual Diretora-Gerente do FMI. Há apreensão acerca da força e experiência dela para comandar o BCE neste novo processo de suavização monetária e juros negativos.

De qualquer forma, o mercado está bastante ‘nervoso’ com esta situação de potencial recessão. Vale lembrar que este tema já esteve em discussão diversas vezes no curto e médio prazo passado. O nervosismo do mercado internacional no último trimestre de 2018 é o exemplo clássico. O VIX (índice de volatilidade do mercado) saiu de 12 para 35 pontos e o S&P chegou a cair 20% no período, recuperando as perdas posteriormente. Assim, a primeira conclusão que dá para ter mais certeza é que haverá volatilidade no período.

Outro ponto que chama bastante atenção é a força do dólar e o preço das commodities. Em geral, em períodos de recessão ou de antecipação da recessão, a moeda do país que está em dificuldades econômicas se desvaloriza. No entanto, o que visualizamos é uma força incrível do dólar.

O DXY, índice que mede a força do dólar em relação à uma cesta de moedas, está próximo das máximas dos últimos 20 anos. Além disso, o preço das commodities não está refletindo toda esta piora na economia mundial. O índice que mede a variação do preço das commodities, o CRB, está estável nos últimos 5 anos.

A economia que vai mandar

Podemos afirmar é que os dados econômicos ainda estão longe de apontar a recessão já sinalizada pelos dados financeiros. No fim da conta, quem manda é a economia. E, se a recessão chegar, a maioria estará pronta para lidar com ela. Com exceção de alguns, tais como Argentina e Turquia.

Nesse artigo, tratamos dos impactos e desdobramento de uma possível recessão no cenário global. Deseja entender mais esses e outros assuntos sobre o cenário macro? Então leia sobre como a variação de preço do petróleo pode afetar a economia global.