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As eleições presidenciais e a volatilidade do mercado

A campanha eleitoral recém começou e já vem causando volatilidade nos preços de mercado. Só em agosto, o Ibovespa já flertou com os 82 mil pontos e também com os 75 mil pontos. A taxa de câmbio passou batido pelos R$ 4/US$ e as apostas para aumento da meta da taxa Selic estão voando alto no mercado de derivativos de juros.

Com o aumento da volatilidade, as oportunidades de ganhos em negociações de ativos aumentam na mesmo proporção da elevação do risco das operações. Assim, tentar entender os movimentos de mercado causados pela eleições e seus efeitos no preço dos ativos é crucial para surfar esta onda de forma lucrativa.

O que já foi possível observar?

Desde que os bastidores da campanha eleitoral começaram a afetar o mercado, já foi possível observar três ondas de volatilidade. A primeira, ligada também à greve dos caminhoneiros e na fraqueza do governo atual de lidar com as causas e os efeitos do evento, enfraqueceu as candidaturas de centro – Alckimin, Marina e Meirelles (este praticamente sendo excluído da parte da frente da corrida) – e dando força para as candidaturas de eixos – Bolsonaro e, principalmente, Ciro. Naquele momento, o ‘nervosismo’ de mercado foi contundente e as próprias pesquisas mostravam o crescimento temporário de Ciro.

A segunda onda de volatilidade de mercado foi causada pelo acordo do ‘centrão’ – DEM, Solidariedade, PP, PR, PRB – e o PSDB. Naquele momento ficou evidente que a campanha de Geraldo Alckimn ganhou corpo, até mesmo porque terá cerca de 50% do tempo da campanha na televisão. O mercado trocou o nervosismo pela euforia da chance de um reformista ganhar as eleições. O Ibovespa rondou os 82 mil pontos, a taxa de câmbio girou em torno de R$ 3,75/US$ e o mercado de juros ficou bem mais calmo.

A terceira onda, que ainda não terminou, é o ganho de corpo da campanha do PT, configurado tanto pelo crescimento de Lula, quanto de Haddad nas pesquisas e cenários para as eleições. Como a possibilidade de Lula concorrer ainda existe e o receio de que a transferência de votos dele para seu sucessor seja robusta, combinado com o crescimento pequeno das campanhas de centro, o mercado retomou o nervosismo e o preço dos ativos voltou a cair fortemente, com destaque para a taxa de câmbio que ronda os R$ 4,10/US$.

O que o podemos esperar até as eleições?

Sem absoluta dúvida, novas ondas de volatilidade virão. Fazendo um comparativo com as eleições de 2014, neste exato momento no pleito daquele ano tínhamos Marina à frente de Dilma e Aécio praticamente excluído da chance de concorrer ao segundo turno. E no segundo turno daquele ano, alguns dias a mais de campanha e Aécio, muito provavelmente, teria sido eleito presidente. Ou seja, há alta probabilidade de muita mudança no cenário eleitoral.
Uma questão que chama atenção é a expectativa antecipada que o mercado colocou em um desempenho mais positivo de Alckmin pelo seu tempo de televisão. Apesar de a campanha televisiva ainda não ter começado, o mercado tem estado nervoso, pois não observa crescimento forte do candidato do PSDB. Neste contexto, caso realmente o candidato capture melhora nas pesquisas após o início da campanha na televisão, uma onda de euforia poderá acontecer.

Além disso, há dúvidas acerca da capacidade de Lula transferir votos caso seja inelegível. O exemplo que a eleição de 2010 nos dá, isto é, da transferência de votos dele para Dilma, e que as pesquisas atuais também apontam, sugere que talvez a transferência não seja suficiente para colocar Haddad no segundo turno. Lula conseguiu transferir cerca de 60% de seus votos para a Dilma em 2010, sendo que a economia estava no auge, ele era o presidente e não estava preso. Caso este número caia para 40%, ou até mesmo menos, como indicam as pesquisas atuais, e ele encontrar-se com cerca de 35% nas pesquisas eleitorais, Haddad herdaria cerca de 14% e teria poucas chances de chegar no segundo turno. Se e quando isto ficar claro para o mercado, poderemos ver uma nova onda de euforia.

Ainda assim, se Lula obter autorização legal para ser votado e concorrer no pleito uma nova onda, bem forte, de nervosismo por parte do mercado acontecerá, mas esta probabilidade é baixa e, por isso mesmo, a mais arriscada.
O momento da volatilidade está aí e ficará por um bom tempo. Nestes períodos sempre aparecem adoradores do caos e vendedores da oportunidade do milênio. Quem estiver atento e atualizado sabe que na vida real nada é tão fácil e nem tão difícil, e sairá vencedor.