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Como as políticas monetárias europeias estão afetando o Euro?

O mês de setembro foi marcado pela decisão de política monetária do ECB (European Central Bank). O economista italiano Mário Draghi, que presidia a instituição desde 2011, dá lugar a Christine Lagarde, advogada francesa.

Coincidência ou não, dois dos mais importantes bancos centrais do mundo são presididos por advogados e não por economistas de formação. Mais do que tato político, os países que adotam o Euro (chamados de Zona do Euro) necessitam de mudanças que vão além de políticas monetárias para melhorar suas economias. Consequentemente, exerce pressão de valorização de sua moeda. 

Entenda o Euro e o Dólar

A cotação dólar/euro, que 2007 chegou a 1,60, atualmente encontra-se em 1,11. No início de 2018, estava em 1,22, e desde lá apresentou tendência de queda. Tanto o cenário de longo prazo quanto o cenário de curto prazo, até esse momento, indicam a fraqueza da moeda perante a moeda norte americana.

As duas moedas acima citadas, na última década, sentiram o efeito de políticas monetárias não convencionais. Uma delas é o quantitive easing, que foi a compra de títulos governamentais e corporativos por parte dos bancos centrais no pós crise mundial. Estava relacionado à diminuição das taxas de juros, aumentar os preços dos títulos comprados e ampliar a quantidade de moeda na economia. O último ponto, principalmente, deve exercer força para depreciação da moeda. 

Mário Draghi, em 2015, anunciou que iria expandir o programa de compra de ativos, onde seriam comprados 60 bilhões de euros. Em 2016, as compras aumentaram para 80 bilhões de Euros, com o programa terminando ao final de 2018. Em sua última reunião, no entanto, Draghi implementou uma nova rodada de estímulos monetários.

A situação econômica da Europa

A Europa, no geral, apresenta economias com baixo crescimento. Os juros estão muito baixos e a inflação está consistente abaixo da meta de 2%. Podemos elencar alguns pontos que levaram o continente a essa situação:

Baixo crescimento populacional e aumento da longevidade

Na zona do Euro, o crescimento populacional é inferior a 0,4% ao ano, enquanto nos EUA passa fica em 0,7%. A baixa expansão populacional tende enfraquecer o crescimento do PIB (que se torna mais dependente do quanto um trabalhador consegue produzir, medida baixa nos últimos anos) e aumenta a poupança para a aposentadoria. Isso tende a reduzir as taxas de juros.

Incertezas políticas

As incertezas tem afetado as economias mundias. Pelos movimentos de mercado, aumentou a demanda por dólares. Guerra comercial e Brexit podem ser citadas como exemplos recentes. Mais recentemente, a explosão da maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita pode colocar no radar do mercado mais um risco geopolítico.

A desaceleração do crescimento chinês

Além do efeito das incertezas da guerra comercial, a desaceleração da China afeta a Europa. China e Europa são dois fortes parceiros comerciais. A indústria Alemã, por exemplo, mostra grande queda em relação à 2018, auxiliada por tal fator.

Política monetária do banco central europeu

A política monetária do ECB, mesmo após anos de afrouxamento, continua indo na mesma direção, com juros abaixo de zero (e após a última reunião do ECB, ainda menores). Mário Draghi presidiu a instiuição sem aumentar a taxa de juros uma única vez. Dados de crescimento,  inflação e as medidas monetárias tomadas renderam a Europa a caracterização da chamada “japanificação”. Ou seja: crescimento baixo, inflação baixa e juros baixos. 

Após anunciado o corte de juros, M. Draghi “jogou a toalha” com relação à política monetária. De acordo com ele, o ECB fez o que podia e auxiliou na redução do desemprego e crescimento do produto nos anos de seu mandato. O presidente, então, exclamou que agora é a vez de os governos nacionais tomarem medidas. Em outras palavras, é necessário recorrer a estímulos fiscais. O objetivo disso é tanto para gerar crescimento quanto para voltar com a inflação para a meta (pouco inferior a 2%).

Valorização de euro e dólar

Enquanto nos EUA muito se fala em recessão, os dados pouco mostram tamanha perda de crescimento. A zona do euro apresentou crescimentos de  apenas 0,4% e 0,2% no primeiro e no segundo trimestre de 2019. Crescimento baixo ao longo do tempo costuma implicar em desvalorização da moeda, e é um dos fatores que ajudam a entender a maior fraqueza do euro em relação ao dólar.

Apesar de sua importância, o Euro não tem o mesmo apelo internacional para o comércio e para e para reserva de valor quanto o dólar. Dessa forma, o valor da moeda deve depender de uma série de fatores, como:

• Diminuição das incertezas mundias: resolução do Brexit com deal e resolução da guerra comercial podem diminuir a demanda por dólares.

Aumento de crescimento (pib) europeu.

Política monetária: a nova presidente do ECB indica medidas monetárias ainda mais frouxas (dovish), enquanto o FED estabeleceu limite para queda de juros, caso o crescimento econômico não desacelere.

Cenários para valorização do Euro

Para que o Euro retome sua valorização,  alguns pontos pontos são importantes:

Resoluções de conflitos políticos internacionais e nacionais.

Crescimento econômico / grandes estímulos fiscais dos governos nacionais da Zona do Euro.

Aumento da produtividade.

Medidas unilaterais por parte dos EUA, como de política monetária, para desvalorizar o Dólar mundialmente.

De todas essas medidas, a maior parte não depende dos europeus. Certamente, não deve ser atingida no curto prazo ou medidas são mais estruturais, como as de produtividade ou PIB. Nesse caso, deve-se citar mais dois pontos: a crescente exportação de seus produtos para a China e a importância da manufatura. Um crescimento chinês não desacelerando também poderia ser positivo para o Euro.

A realidade da economia chinesa

Tal cenário está descartado pelas próprias autoridades do governo chinês, que esperam crescimento menor nos próximos anos. Já a importância da manufatura exportada pela Zona do Euro ocupa cada vez mais espaço no seu PIB. Ela corresponde de menos de 11% em 1999 para mais de 16% atualmente. Nos EUA, no mesmo período, a medida foi de 6% para aproximadamente 5%.

A desaceleração econômica tem sido observada mais nos dados de manufatura, não de consumo. A guerra comercial parece próxima de uma amenização, mas não tão próxima do seu fim. Incluem-se, além de questões tecnológicas, a tentativa de reeleição do presidente D. Trump em 2020. 

Nos dados econômicos, a Zona do Euro não apresenta sinais de reação. O ECB, apesar de reconhecer a relativa fraqueza de suas medidas monetárias comparadas com sua força no passado, deve continuar com novos afrouxamentos monetários. Por sua vez, o Dólar parece cada vez mais importante como moeda internacional.

Desfecho da política monetária europeia

Sem as medidas de estímulos fiscais pelos países da Zona do Euro ou medidas monetárias mais frouxas (como um QE) por parte do FED, espalhando dólares pelo mundo como um banqueiro central mundial, a tendência da moeda europeia é de perder valor ao longo do tempo. 

Nesse artigo, tratamos sobre os impactos de políticas monetárias na precificação do euro. Siga nos acompanhando e leia mais a respeito dos motivos que fazem do Risco Brasil um excelente indicador econômico!