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Como fica a chance de reformas com as eleições do primeiro turno?

O impeachment de Dilma e a entrada do governo Temer em 2016 mostrava-se promissor para a implementação de medidas reformistas no país. E de certa forma foi. A reforma trabalhista andou, a PEC do teto dos gastos foi aprovada e a reforma do BNDES foi feita. A reforma da previdência, aprovada em comissão de constituição e justiça, só não passou em razão do vazamento do áudio da JBS (e dos processos de impeachment de Temer) e da greve dos caminhoneiros.

Neste contexto, a economia brasileira retomou o equilíbrio. A inflação está bem ancorada, a taxa de câmbio tem feito seu papel de amortecedor de choques externos, as contas externas estão bem equilibradas e há razoável capacidade ociosa em um processo de retomada lenta de crescimento econômico. No entanto, o lado fiscal é tenebroso. As contas regionais não fecham há um bom tempo, o déficit da previdência é brutal e a dívida cresce muito rápido. E este ponto, se não tratado, causará forte desequilíbrio em nossa economia.

Qual o tom reformista de um possível governo Bolsonaro?

O histórico de Bolsonaro não ajuda muito em uma posição mais liberal e disposta a mudanças. Sempre foi resistente a mudanças na economia e defende grupos tradicionais em nossa sociedade. Mas seu discurso atual é bem diferente de sua vida política pregressa. Ele afirma que irá fazer um processo de privatização, modernizará a máquina pública, reduzindo burocracia e fará as reformas necessárias para reformulação do estado, entre as a previdenciária e a tributária.

A melhor maneira de observar se Bolsonaro será reformista é na conduta de governo que ele terá caso eleito. Isto é, quem serão seus ministros, como será a transição política e, principalmente, qual será o tamanho do apoio, em número de votos, que ele terá da sociedade na eleição para segundo turno.

Qual o tom reformista do novo congresso?

As mudanças no congresso impressionam. No Senado, a renovação ultrapassou 85% dos dois terços eleitos. Nomes conhecidos como Eduardo Suplicy, Requião, Jucá e Eunício (atual presidente) ficaram de fora. O senado que sempre foi a casa mais resistente à reformas aparentemente não mais será.

Já a Câmara teve a maior renovação de sua história, com 251 deputados reeleitos. A composição não ficou tão inclinada para reformas, mesmo com o bancada do PSL sendo a que mais cresceu. Em uma ótica pessimista à reformas, há 75 deputados que muito provavelmente se negarão a aprovar qualquer reforma, incluídos PCdoB, PSOL e PT. Supondo que 100% dos deputados do PDT e 50% do PSB, temos mais 44 deputados “do contra”. Dessa forma, para conseguir 308 deputados para aprovar uma PEC, seria necessária angariar cerca de quatro em cada cinco dos deputados restantes.

Pelo lado otimista, dos deputados reeleitos, 108 parlamentares foram favoráveis a PEC do Teto dos Gastos e a reforma trabalhista. Somando os novos deputados do PSL e do Novo, obtemos 160 deputados. Assim, seria necessário convencer pouco menos de 64% dos deputados restantes, descontados os “do contra”.

Como ficam os preços de mercado neste contexto?

A resposta parece óbvia. O mercado ficará positivo se as reformas forem implementadas e negativo caso contrário. A questão que fica é a assimetria de resposta. Em um contexto favorável às reformas, há enorme espaço para ganhos de preços em ativos. Já noutro contexto, o de paralização ou de lentidão no processo, o mercado voltará aos patamares mais negativos que vimos neste ano.