View Blog 162
View Blog 162

Como um choque no preço do Petróleo poderia impactar os mercados financeiros

Os ataques de drones a uma instalação de petróleo na Arábia Saudita nos levantou uma questão global importante. Como um choque no preço do Petróleo poderia impactar as economias e as principais bolsas do mundo?

É preciso entender que um acontecimento como esse impacta na produção de petróleo, nesse caso específico, reduzindo a produção. Logo, ele ficaria mais caro e as consequências chegariam nas economias. Porque isso acontece e quais os abalos diretos? É o que eu vou simplificar para você nesse artigo. Acompanhe!

Entenda o acontecimento de setembro de 2019

O que aconteceu na Arábia nos alertou para uma série de questões importantes: quais as consequências de um salto recorde do preço do petróleo? O choque chegaria até as potências mundiais? Impactaria nossa bolsa de valores? Mas antes de discutirmos isso, vamos entender primeiro o acontecimento em si.

Os ataques de drones aconteceram em 14 de setembro de 2019, a duas das principais instalações petrolíferas da Arábia Saudita, que é o maior exportador de petróleo do mundo.

Esse incidente acabou provocando, quase imediatamente, uma redução de 5% na produção mundial de petróleo, o que fez o preço do barril disparar no mercado internacional, uma alta de quase 20%, levando o petróleo do tipo Brent, referência internacional, atingir a cotação de US$ 71,95. Foi o maior pico em uma sessão desde a Guerra do Golfo, em 1991.

Você sabe qual a relevância?

Mas porque um ataque como esse pode fazer os preços dispararem tanto? A Arábia Saudita é o maior exportador de petróleo do mundo, e despacha diariamente mais de sete milhões de barris. 

Esses ataques acabaram atingindo a maior instalação de processamento de petróleo do planeta, assim como um campo de petróleo próximo, ambos operados pela estatal saudita Aramco. Juntos, são responsáveis por cerca de 50% da produção de petróleo da Arábia Saudita. 

Após um evento como esse, é normal levar semanas até que as instalações consigam restabelecer completamente sua operação e normalizar o fornecimento de petróleo. Sobre de quem foi a autoria do ataque, não se sabe ainda ao certo ainda, mas o Presidente Donald Trump atrelou a culpa ao Irã, que por sua vez, nega envolvimento no episódio. 

A alta foi contida um pouco depois que Trump autorizou a liberação de reservas estratégicas dos EUA caso necessário.

Saiba os impactos geopolíticos

Embora a gravidade do impacto, que possa causar à diversas economias, esteja atrelada em quanto tempo durar a alta das cotações, existem outros aspectos prejudiciais, principalmente a longo prazo. 

Se você acompanha nosso Blog, provavelmente já sabe em que cenário atual o mundo se encontra hoje, e esse acontecimento não poderia ter chegado em pior momento para a economia global, já atingida por uma desaceleração.

O abalo da confiança de empresas e consumidores, já frágil devido à Guerra Comercial (disputa entre Estados Unidos e China), e à desaceleração da demanda global, se tornam ainda mais agravantes. 

Além disso, o desaquecimento da atividade manufatureira em todo o mundo afeta o crescimento de potências de exportação, como China e Alemanha. Já sobre os EUA, o mercado voltou a se preocupar com o fantasma da recessão global após o ISM de manufaturas do país mostrar contração (dados da primeira semana de outubro de 2019), e atingir o pior nível desde junho de 2009.

Enfim, um choque do petróleo, em um momento como esse em que estamos inseridos, ocorre em meio a uma enxurrada de sinais de alerta para a economia global, reforçando as preocupações.

Saiba os impactos monetários

Os impactos de um petróleo mais caro variam em todo o mundo. 

Economias emergentes por exemplo, com déficits em conta corrente e fiscais – como a Índia, África do Sul, entre outras – correm o risco de sofrerem grandes fugas de capital e desvalorização das suas moedas.

Já os mercados exportadores poderiam registrar um aumento nas receitas corporativas e dos governos.

Países importadores arcariam com os custos nos postos de gasolina, potencialmente acelerando a inflação e esfriando a demanda. 

Agora, você sabe qual o maior país importador de petróleo? China! Ela ficaria bem vulnerável à valorização das cotações, além de claro, muitos países da Europa, que também dependem de energia importada.

Mas voltando à nossa situação atual, um choque não seria tão prejudicial para o que tende o lado da inflação, justamente por ela não ser uma preocupação imediata na economia global. 

A maior preocupação ficaria por conta do choque de preços que teria sobre a demanda global, que já está fraca, principalmente por consequências, novamente reforçando, da Guerra Comercial e da expansão econômica dos Estados Unidos que já dura uma década, e têm mostrado sinais de encerramento de ciclo.

Para você ter uma visão mais global das consequências monetárias, uma análise do FMI em 2017 constatou que um choque de desvio-padrão por um ano na oferta de petróleo – em que a cotação subiria mais de 10% – reduziria o PIB global em cerca de 0,1% por dois anos.

A correlação entre os mercados

A correlação é uma das estatísticas mais comuns e mais úteis, principalmente se você opera no mercado financeiro. Ela é um único número que descreve o grau de relação entre ativos, sendo medido numa escala de -1 a +1: uma correlação positiva perfeita entre dois ativos será de +1, e uma correlação negativa perfeita será -1, com graus de variação, claro.

Pode ser tanto usada para ações individuais, ou para ativos, além de mostrar como mercados mais abrangentes se movem um em relação ao outro. Pense no seu dia a dia no mercado; saber as consequências imediatas que um choque no preço do Petróleo pode causar, é fundamental para ajudar nas suas decisões.

Choque no preço do petróleo… nos ativos da bolsa de valores

Um exemplo prático de como funciona a correlação se dá ao analisar a Petrobras. A empresa e o barril de petróleo oscilam de forma diretamente relacionada. Conforme o preço do barril do petróleo evolui, é esperado que a receita da empresa também faça o mesmo. Dessa forma, um aumento no valor do petróleo, é acompanhado por um aumento no valor de mercado da Petrobras. PETR4, por exemplo, subiria quase imediatamente, como aconteceu na segunda seguinte após os ataques à refinaria.

Isso tudo porque os mercados financeiros são sistemas ligados por vasos. Se o valor das obrigações descer ou subir significativamente, pode influenciar o preço das moedas e das ações. Não é uma regra generalizada, claro, mas há instrumentos que historicamente se movem juntos.

Choque no preço do petróleo… nas moedas

O petróleo é uma commodity que tende a afetar o preço das moedas, especialmente as moedas dos países exportadores e importadores de petróleo.

O dólar canadense é um exemplo perfeito disso. Se o preço do petróleo aumenta, o mesmo acontece ao CAD, e vice versa. Sendo assim, uma correlação positiva. Se o petróleo sobe, o CAD sobe. Se o petróleo cai, o CAD cai.

Isso porque o Canadá é um dos maiores produtores de petróleo em todo o mundo. A economia do país é conhecida por suas reservas e produção de petróleo, algo raro em países desenvolvidos.

Já os EUA é um dos principais consumidores de petróleo em todo o mundo e um dos principais importadores desta commodity. Além disso, o petróleo é cotado em dólares americanos e geralmente se observa entre esses dois ativos financeiros uma correlação negativa. Isso quer dizer que quando o preço do petróleo sobe, o dólar americano cai no mercado forex. Do contrário, fazendo uma correlação negativa, quando o dólar sobe no mercado, o petróleo, via de regra, tende a cair no mercado.

Ficou com alguma dúvida sobre o assunto? Comente aqui que te auxiliamos no que for possível. E se você gostou desse assunto, que tal ler sobre Porque Fomc e Copom optaram por novos cortes nas taxas de juros: Saiba os impactos!