Lay Blog 022 1
Lay Blog 022 1

Contrato a Termo: o que é e como funciona esse mercado?

Já falamos aqui sobre aluguel de ações, alavancagem, e outras formas de negociação no mercado financeiro.

No entanto, existe uma modalidade que muitas vezes passa despercebida pelos investidores. Estamos falando de uma negociação chamada contrato ou mercado a termo. Vamos descobrir o que significa?

Acompanhe o artigo e descubra tudo sobre o Contrato a Termo

O que é termo, contrato ou mercado a termo?

Por definição, o termo ou contrato a termo, é um compromisso de compra ou venda de um ativo a um preço preestabelecido em uma data futura. Ainda ficou confuso, calma que a gente explica!

Se você já opera mini-contratos ou commodities, fica mais fácil entender. Em vez de você fazer uma operação por um contrato e deixar a precificação a cargo do mercado, no termo o valor é preestabelecido entre as duas partes.

Como todo contrato derivado de um ativo-objeto, o contrato a termo entra na categoria dos derivativos, assim como acontece com outras categorias como as opções.[link]

Já o chamado mercado a termo é o ambiente onde acontecem as negociações. Sendo assim, podemos dizer que é o ‘ambiente’ no qual compradores e vendedores fecham os contratos a termo, e no qual o comprador irá pagar o valor atual acrescido de uma taxa de juros.

As negociações a termo acontecem tanto no mercado de balcão organizado quanto na bolsa de valores. Nesse sentido, esses contatos podem derivar de commodities (boi gordo, milho, soja, etc.) ou de ativos financeiros (moedas, ações, dentre outros).

Em termos de valores, nesse formato de contrato o comprador paga o valor estabelecido acrescido de taxa de juros. É possível ainda “desistir” da negociação no meio do caminho, dentro dos termos do contrato.

Mesmo assim, ao término do prazo, o pagamento do preço acordado deverá ser efetuado. Dessa forma, as duas partes permanecem com vínculo até a efetivação do contrato. Na bolsa de valores, os contratos a termo mais comuns são os de ações, com negociações intermediadas por uma corretora de valores.

Principais das regras de contratação a termo:

  1. Liquidação: pode acontecer da maneira financeira, ou física; ou seja, o contrato no encerramento do período pode ser convertido no valor acordado ou no ativo negociado (é possível, portanto, negociar um contrato a termo e receber sacas de soja ou milho caso isso esteja nos termos do contrato);
  2. Movimentação financeira na liquidação: diferente de algumas outras modalidades de contrato, no mercado a termo, a movimentação ou encerramento do contrato ocorre apenas no vencimento. É quando as partes cumprem as suas obrigações.
  3. Volume de liquidez: diferentemente do mercado futuro, o mercado a termo não é tão difundido e tem finalidades geralmente mais específicas, portanto, sua liquidez (facilidade de negociação no mercado financeiro) é mais baixa, em especial para aqueles contratos feitos no mercado de balcão
  4. Contratos não-padronizados: aqui você pode busca um nível maior de detalhamento nas negociações: no mercado de balcão, os contratos a termo não são pré-definidos.
  5. Margem de garantia: assim como no mercado futuro, é necessário ter uma margem de garantia para negociar a termo, protegendo as partes. A garantia pode ser alocada em dinheiro ou também ações, títulos públicos do Tesouro Direto, CDBs, entre outros, dependendo da corretora.
  6. Antecipação e rolagem: também é possível encerrar o contrato a termo antes do prazo de encerramento, com a venda antecipada dos ativos no mercado à vista, ou ainda realizar a rolagem, ou postergação do prazo para o próximo vencimento.

Caso a performance do ativo não tenha ocorrido como esperado pelo comprador, é possível fazer um novo contrato, com nova taxa de juros, e adiar o pagamento.

A taxa de juros é combinada entre as partes, mas, normalmente, fica próximo à taxa Selic. O prazo também é acordado no contrato, podendo ser de, no mínimo 16 e, no máximo, 999 dias.

Estrutura do contrato

Passados os pontos principais, vamos falar sobre a estruturação do contrato. Em linhas gerais, este é geralmente estruturado da seguinte maneira:

  • Descrição do objeto de negociação: neste item deve-se especificar o tipo de ativo em negociação, que podem ser ações, moedas, commodities, entre outros.
  • Tamanho ou peso do contrato: aqui especifica-se a quantidade de ativos acordados entre as partes.
  • Condições de encerramento/liquidação: espaço em que você acorda a liquidação no prazo ou anteriormente ao vencimento, de acordo com o que for definido entre você e a contraparte.
  • Preço e prazo: a definição do termo, o preço que deve ser pago na liquidação, composto por um valor à vista + juros, com um prazo que vai de 16 a 999 dias.

Finalidade e vantagens do contrato a termo

Mas, então, uma modalidade de negociação com tantas particularidades ainda encontra público e vantagens para ser operado? A resposta é sim. A seguir veremos algumas das vantagens envolvidas na negociação dessa classe de derivativo.

Hedge

Uma das maiores vantagens do contrato a termo utilizada pelos operadores do mercado financeiro é a possibilidade de realização de hedge, ou seja, proteção da carteira a partir da compra de ativos com pagamento “a prazo”. Em outras palavras, somente no futuro, a partir de valor preestabelecido.

Como o preço do ativo escolhido fica “congelado” em um valor-alvo durante todo o período até o fechamento do contrato, essa prática neutraliza a volatilidade e o risco de alterações de valor no ativo específico.

Exemplo usando commodities

Um produtor de café que ainda não colheu sua safra teme que quando for vendê-la no mercado, dentro de 60 dias, os preços estejam muito baixos. Para assegurar um preço de venda capaz de garantir sua margem de lucro, procura um comprador que está achando o contrário, que os preços vão subir, mesmo com a nova safra entrando, porque há uma ameaça de crise em outras regiões produtoras.

Os dois acordam o preço de 150 dólares a saca, fecham um contrato estabelecendo quantidade (de 100 sacas, por exemplo) e data de liquidação (em 60 dias). Se o negócio for realizado em Bolsa deverão ser seguidas as especificações preestabelecidas pela mesma para o contrato padrão.

Suponhamos que 60 dias mais tarde, no vencimento do contrato, o preço à vista esteja em 140 dólares. O produtor entregará o café a 150 dólares por saca, nos termos do contrato, lucrando 10 dólares por saca em relação ao preço ao qual o mercado está negociando, enquanto o comprador pagará 150 dólares por saca de mercadoria que está valendo 140 dólares, perdendo 10 dólares por saca.

Se, ao contrário, o preço de mercado estiver a 160 dólares, a situação se inverterá: o produtor entregará por 150 dólares a mercadoria que vale 160 dólares, perdendo 10 dólares por saca, enquanto o comprador adquirirá a mesma mercadoria por 150 dólares a saca, lucrando 10 dólares em relação ao preço de mercado. O importante para eles foi ter fixado um preço considerado aceitável de antemão, reduzindo a incerteza de preço de seus negócios.

Oportunidade

Como o pagamento do termo ocorre apenas na liquidação do contrato, o investidor pode aproveitar uma eventual oportunidade (uma ação boa que caiu de preço, por exemplo) e colocá-la na carteira para pagar depois.

Ganhos rápidos e alavancagem (cuidado!)

As operações a termo também permitem que você busque lucros no curto prazo com a volatilidade dos ativos. Imagine a hipótese de uma ação com expectativa de alta. O investidor poderia comprá-la a prazo, esperar o preço subir e zerar a posição.

Com o dinheiro apurado na venda com lucro, faz o pagamento e embolsa a diferença. É um tipo de operação especulativa e de risco, portanto destinada a quem tem perfil compatível. A alavancagem é uma estratégia que potencializa sua rentabilidade – mas também aumenta, na mesma proporção, os seus riscos.

Significa que você vai “manusear” por assim dizer, valores muito superiores ao que você dispõe, investindo apenas o valor da margem de garantia.

Tipos de contrato a termo: termo tradicional x termo flexível

Outra forma de diferenciar os contratos a termo diz respeito à sua modalidade: tradicional ou flexível.

O termo tradicional acontece quando comprador e vendedor entram em acordo para um tipo específico de ativo.

Já o termo flexível permite a troca do objeto e, por isso, o contrato pode ser mantido no caso da venda do ativo, desde que outro seja adquirido com o dinheiro da venda. Assim, os termos não mudam, somente o objeto.

Outras diferenças: o prazo e os juros. Como no termo flexível quem vende não consegue prever a antecipação do recebimento (o que acontece no termo tradicional), as taxas para essa modalidade costumam ser mais altas e os prazos, geralmente, de um período de 90 dias.

Vantagens do termo flexível

No termo flexível, o ativo-objeto pode ser substituído, ou seja: quem compra pode vender os ativos e comprar outros com o dinheiro da operação, sem interromper o contrato.

Caso você esteja buscando algo mais direto, com o prazo mais curto, o termo flexível também é pra você. Enquanto o tradicional permite uma duração de até 999 dias, o flexível tem duração máxima de 90 dias, gerando maior rotatividade.

Você pode se interessar pelas condições facilitadas e prazos mais curtos do termo flexível. Se for o caso, estará buscando alavancagem dos seus ativos para diversificar seu porftolio, sem estar preso por longos períodos a um mesmo ativo.

Com o contrato a termo flexível você tem melhores condições de aproveitar oportunidades surgidas com as oscilações do mercado.

Vantagens do termo fixo

Caso você tenha uma preferência específica por um ativo, ou tenha foco na proteção da carteira, pode ser que você prefira o contrato tradicional, ou fixo. Nesse caso, as operações costumam ser menos voláteis e a taxa de juros é menor.

Caso você busque um prazo maior que 90 dias, o termo tradicional também é para você. No flexível não é possível contratar acima desse prazo, diferente desta, que permite até 999 dias corridos de prazo de contrato.

Em se tratando de liquidação, existem três formas de fazê-lo no termo fixo ou tradicional:

  • Venda do ativo: o contrato encontra-se extinto, ou liquidado, no momento da venda do ativo, independente do momento. Caso seja o comprador, você deverá pagar o preço acordado na data estipulada. Atente para o fato que não existe abatimento dos juros apesar da antecipação.
  • Antecipação: você pode da mesma forma, a qualquer momento, antecipar a liquidação do contrato, desvinculando-se do vendedor do ativo. Aqui, uma vez mais, não há abatimento na taxa de juros, valendo o valor estipulado no contrato;
  • Decurso de prazo: caso em que você liquida o mesmo após o prazo negociado se encerrar, mediante negociação.

Rentabilidade sem risco: a ponta vendedora

Além das modalidades acima, o mercado dos contratos a termo permite operar ativos de renda variável com rentabilidades semelhantes àquelas apresentadas pelos investimentos de renda fixa, em operação livre de riscos.

Nesse caso, você assume o papel de vendedor dos ativos, em vez de ser um comprador. O risco não existe pois, ao optar pela ponta vendedora você estará ganhando um valor em juros sobre um preço à vista.

Aqui o desempenho independe da volatilidade do mercado. Quando você compra ações para em seguida vendê-las a termo, o que ocorre é uma rentabilização de investimento por meio de uma taxa de juros, da mesma forma como acontece, por exemplo, com o Tesouro Direto.

Ou seja: independentemente das oscilações de mercado, se você comprar ações e, em seguida, vendê-las a termo, estará rentabilizando o investimento através da taxa de juros aplicada, exatamente como acontece em operações de renda fixa como o Tesouro Direto.

Como é definido o preço do contrato?

Uma analogia que pode ser feita ao pensar na configuração de preço de ativos usando o mercado de contratos a termo como base, é pensar em uma mercadoria comprada a prazo.

Você posterga o pagamento de um valor à vista, ao custo de uma taxa de juros preestabelecida. Se pudéssemos colocar em uma formula considerando o valor do ativo na data de vencimento, esta seria expressa da seguinte maneira:

PT = PA x (1+i)

Em que:
PT = preço do ativo a termo (em reais)
PA = preço do ativo à vista (em reais)
i = taxa de juros.

Nos contratos a termo negociados em bolsa, as taxas de juros são arbitradas pela B3, o que não acontece em contratos firmados entre as partes sem a intermediação da bolsa.

Conclusão

E aí? Tudo dominado quando o assunto é mercado a termo? Esperamos que tenham entendido um pouco mais sobre os riscos, vantagens e conceitos dessa forma de negociação.

Pode ser bastante vantajoso se você souber o que está fazendo, protegendo a carteira e até mesmo propiciando ganhos no curto prazo.

Calcule seus movimentos, o risco retorno, e faça um aporte com convicção. Com o contrato a termo é possível investir em derivativos somente com uma margem de garantia, o que, por si só, já é uma boa vantagem.

Não é preciso dizer que o mercado a termo assim como os demais ativos de renda variável é passível de oscilações e volatilidade. Utilize os gráficos e ferramentas disponíveis no ProfitPro para ficar por dentro de todos os indicadores dos seus ativos preferidos.

Veja se esse tipo de operação se adequa ao seu perfil e bons gains!