O que são criptomoedas
O que são criptomoedas

Criptomoedas e o bitcoin: entenda os principais conceitos

Os mais famosos criptoativos, também denominados de criptomoedas, ocupam espaços nos mais variados meios de comunicação. Alguns acreditam que elas são o futuro das transações econômicas. Antes de quaisquer afirmações, algumas características auxiliam a compreender a lógica de seu funcionamento.

A criptomoeda mais conhecida do público geral é o bitcoin. Porém, é fundamental entender os fundamentos desse  ativo, que são criptografia e blockchain. Para entender a história e as projeções de uso dessa e de outras criptomoedas, siga acompanhando esse texto completo!

Diferenças entre criptomoedas e moedas tradicionais

A história nos apresenta alguns tipos de dinheiro como a moeda-mercadoria, a moeda metálica e a moeda fiduciária. A necessidade e a vontade de pessoas executarem trocas instigaram novas e mais fáceis maneiras de transacionar produtos e serviços. Em dado momento, não fazia mais sentido carregar algum produto para servir de meio de troca entre outros dois bens.

Os papeis moeda, hoje em dia, não possuem lastro algum. Isso significa que não tem garantia de algum ativo real, o que ocorre desde que os Estados Unidos terminaram a convertibilidade do Dólar em ouro, 1971. Além disso, cada vez mais transações são feitas de forma digital, apesar de, em regra, essas moedas estarem atreladas aos governos nacionais.

As criptomoedas, ao contrário de moedas fiduciárias, existem somente em formato eletrônico. Ou seja: não possuem ligação alguma com algum banco, governo ou qualquer autoridade. Dessa forma, não há um uma autoridade monetária que pode gerar maior quantidade de criptomoedas por alguma pressão governamental, por exemplo. A quantidade produzida vai depender das regras de cada criptomoeda. Assim, os investidores podem comprar as que considerar mais seguras e que tem expectativa de maior valor ou que servirem melhor para seus propósitos.

O ponto da independência é uma das características que chamam atenção de parte dos investidores desse novo mercado. Entretanto, nem todas as criptomoedas necessariamente seguem essa lógica: pode-se criar um ativo dessa categoria atrelado somente ao dólar ou um conjunto de moedas fiduciárias, por exemplo.

A criptografia e o bitcoin

Um dos principais pontos relacionados a essa tema, é a chamada criptografia. Como esses ativos são criados somente de maneira eletrônica,  temos de ter a garantia de que não podem ser duplicados. Dessa maneira, não podemos copiar e compartilhar com outra pessoa, pois se isso ocorresse o ativo eletrônico perderia seu valor.

O bitcoin é uma entrada para o blockchain, que é a tecnologia que grava todas as transações já ocorridas nas bitcoins. Você, em uma transação, não está mandando um arquivo, mas ‘escrevendo’ a transação num grande ‘livro contábil digital’. Para tal, há um sistema descentralizado que avalia se as transações estão ocorrendo de forma devida, e isso garante a segurança do sistema.

De forma simplificada, o processo ocorre como se estivéssemos escrevendo todas as transações em folhas de papel, só que em folhas digitais. Para garantir as autenticidades das transações, é requerido grande esforço computacional, feito por outros usuários.

Todas as transações são escritas no que é conhecido como ledger. Por exemplo: Ana enviou 1 bicoin para Maria. Aqui entra a primeira parte da criptografia, que são as assinaturas digitais. Com isso, queremos que nenhum usuário possa se passar por outro e executar transações indevidas.

Assinatura digital: um diferencial das criptomoedas

Cada pessoa que transaciona as bitcoins tem números de identificação. A ideia é que, no caso de uma transação, a pessoa ‘assine’ que a transação está correta.

Para tal processo ser possível, existe um par de chaves conectadas chamado de private key (ou secret key, que denominamos de SK) e public key (PK), ou chaves privadas e chaves públicas, respectivamente. Apesar de cada indivíduo ter suas chaves, elas não são colocadas diretamente como sua assinatura. Assim,  a pessoa não faz a assinatura, e sim é gerada. Para cada mensagem escrita no ledger, é diferente.

A assinatura, em uma mensagem específica, é gerada como uma função da mensagem enviada e de sua SK: cada nova mensagem está ligada a sua chave secreta. Desse modo, somente você pode produzir determinada assinatura. Como ela também depende da mensagem enviada, isso não permite que outra pessoa use a mesma assinatura em uma mensagem diferente. Após a assinatura, tem de ocorrer sua verificação.

Imagine que tivéssemos que conferir cada assinatura. A assinatura é função da SK e da mensagem enviada, enquanto a verificação é função das mesmas duas variáveis mais a PK. O que a verificação faria é produzir um resultado verdadeiro ou falso. Assim,  indicaria se determinada SK poderia ter gerado aquela mensagem utilizando da mensagem e da PK.

O processo de validação do bitcoin

A maneira do processo ocorre por tentativa e erro. Haveria, então, se os chutes ocorressem totalmente ao acaso, 2 elevado na 256º potência possibilidades de secret keys. É difícil de imaginar um valor tão grande, mas vale a tentativa: 2 elevados na 40º potência representam, aproximadamente, um trilhão e 100 bilhões de assinaturas. Ainda teríamos de multiplicar o mesmo número por dois mais de 200 vezes para obter o número de possibilidades. O indivíduo que recebeu os ativos pode assinar com sua SK a transação mas sem necessidade de revelar a mesma.

Hardwares muito potentes são necessários para todo o processo, que vai além do descrito acima. Foram criadas peças exclusivamente para resolver os problemas matemáticos relacionados. Algumas máquinas custam milhares de dólares, consumindo muita energia elétrica.

Em resumo, o processo de verificações do sistema é que gera novas criptomoedas para os usuários. Logo, com tantos usuários concorrendo para fazer verificações, é cada vez mais difícil obter lucro considerável com o processo. Há calculadoras online onde pode-se colocar os hardwares utilizados, preço de energia elétrica, entre outros fatores, e verificar se pode ser um processo lucrativo).

As recompensas da verificação no bitcoin

No caso do bitcoin, as quantidades que os mineradores ganham no processo caem ao longo do tempo, sendo necessárias cada vez mais verificações para conseguir a mesma quantia de ativos. Entretanto, o processo em que os mineradores são recompensados com bitcoins é mais complexo do que somente chutar as chaves citadas. O exemplo dos números anteriores dá uma noção inicial do tamanho do ‘problema’ que tem de ser resolvido computacionalmente. 

Como cada mensagem anotada em um ledger tem uma assinatura única. Vimos que não é possível copiar as transações para objetivo de roubar alguém. Outra segurança que o sistema apresenta é de não deixar alguém transferir mais bitcoins do que possui. Isso é possível porque todo histórico de aquisições e transferências está armazenado.

Para cada ledger novo nas transações com bitcoin, é adicionado a uma cadeia de ledgers, denominada de blockchain. Assim, fica mais claro que a criptomoeda não é nada mais e nada menos que um grande bloco de anotações com todas as transações já efetuadas. A diferença está no sistema descentralizado, de transação direta entre dois usuários (peer-to-peer). Para funcionar, precisamos de usuários dispostos a conferir se as transações estão corretas.

Quais são as projeções das criptomoedas?

Ninguém tem certeza de como ocorrerá o desenvolvimento dos criptoativos. Entretanto, lançamentos dos mesmos por parte de empresas famosas e de discussões de Bancos Centrais sobre o assunto chamam a atenção. Entender o funcionamento de cada um desses ativos é a base para a tomada de decisão nesse tipo de investimento.

O investidor deve estar atento com mudanças na legislação. No Brasil, por exemplo, a receita federal determinou que, a partir do mês de agosto de 2019, operações com criptoativos, como com bitcoins, ripple, tokens, ether e outros, terão de ser declaradas na receita federal pelas casas que as negociam. Em caso de negociações por instituições no exterior, e acima de R$30 mil no mês, a própria pessoa física ou jurídica terá de fazer a declaração.

Nesse artigo, falamos sobre o mercado de criptoativos, tratando dos aspectos técnicos para compreensão desse novo mundo que se apresenta para investidores. Para continuar acompanhando conteúdos diferenciados do mercado financeiro, inscreva-se em nosso canal do Youtube!