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Curva de Juros: Entenda como ela afeta seus investimentos! 

A Curva de Juros tende a ser negligenciada pela maioria dos investidores, principalmente os iniciantes, pela escassez de material que explique de forma simples e enxuta de onde ela vem, para que serve e onde podemos consulta-la. Com este artigo tenho o intuito de sanar a maior parte das duvidas a respeito deste tema.

Para facilitar a compreensão, antes de abordar diretamente a Curva de Juros, confira uma breve introdução à taxa básica de juros e aos seus efeitos na questão macroeconômica do país.

A taxa de juros básica de um país, pode ser considerada o menor custo de oportunidade para quem quer emprestar dinheiro. E por isso, essa taxa é considerada um piso para os investimentos, já que investindo em títulos do governo (considerados os mais seguros do determinado país) você já consegue esta rentabilidade com o menor risco possível. 

No Brasil, a taxa básica de juros é a Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custodia), que é definida pelo Banco Central a cada 45 dias em reuniões do Conselho de Política Monetária (COPOM).  

Para entender os movimentos da curva de juros, é necessário entender primeiro o porquê de o COPOM alterar a taxa Selic. Acompanhe nesse artigo todos os detalhes sobre esse assunto!

Entenda os Efeitos da Selic na economia:

A curva de Juros

De onde vem os dados

Como é criada a Curva de Juros

Para que serve a Curva de Juros

Como a Curva de Juros afeta o País

Efeito cascata: Como a Curva de Juros afeta as empresas privadas

A ferramenta certa!

Entenda os Efeitos da Selic na economia:

Uma das questões mais importantes acerca da Selic é o porque de o Banco Central considerar constantes alterações nela. Por isso é importante entender os efeitos de alterar a taxa de juros de um país. Para isso iremos considerar duas situações distintas e explicar quais as vantagens e desvantagens de se alterar essa taxa. 

Estudo de caso 1: Reduzir a Selic 

Primeiramente imaginem a seguinte situação. O país está planejando uma expansão em sua capacidade produtiva, ou seja, geração de empregos, abertura de novas empresas, expansão das empresas já existentes entre outros. Porém, com a taxa Selic alta, é preferível realizar aplicações financeiras que trarão rendimentos satisfatórios, por conta do alto retorno que investimentos em renda fixa trarão, do que se arriscar a abrir um negócio ou expandir seu negócio tomando empréstimos com altos juros também relacionados a está alta. 

Isso incentiva o país a reduzir os juros, tornando outros tipos de investimentos mais lucrativos comparativamente. Criando assim uma recompensa maior pelos que decidirem tomar maiores riscos.

A redução da Selic também traz como efeito baratear o custo pelo dinheiro das emissões de títulos do governo. Ou seja, o governo se financia tomando dinheiro mais barato. 

Estudo de caso 2: Aumentar a Selic 

Na contramão do caso 1, o Banco Central pode aumentar a Selic. Este caso pode parecer sem sentido num primeiro olhar, pois o caso 1 traz tantas vantagens que é difícil imaginar o porquê de se desejar o oposto.  

O aumento da taxa Selic tem principalmente a função de frear o consumismo alavancado do país. Com este aumento, fica mais caro pegar dinheiro emprestado nos bancos, reduzindo consideravelmente os empréstimos tomados por pessoas e empresas. Com essa redução, a inflação também é controlada, pois com as pessoas comprando menos, os preços tendem a se estabilizar e até reduzir pela baixa na demanda. 

Um efeito, não menos importante, que o aumento da Selic causa é a entrada de capital estrangeiro no país. Como em países desenvolvidos as taxas de juros tendem a ser próximas a zero, não é incomum que grandes players mundiais procurem países com taxas de juros mais atrativas. Conseguindo assim uma maior rentabilidade para parte de seus investimentos em renda fixa. 

A curva de Juros 

Agora que já entendemos o que é a Selic e um pouco sobre o que acontece após suas alterações, podemos retornar ao tema central deste artigo, a curva de juros. 

De onde vem os dados

Em uma curva gráfica, é necessário possuir uma base de dados para criar a representação em gráficoPara isso, os dados utilizados na Curva de Juros podem vir da marcação a mercado dos títulos do tesouro. Esses dados podem vir também do mercado futuro, mais especificamente do DI futuro. A curva mais utilizada é a que vem do DI futuro, que é o derivativo que representa a expectativa dos investidores na variação da taxa de juros do país. 

Como é criada a Curva de Juros 

Para representar graficamente uma informação precisamos minimamente de dois dados que se relacionam através de uma função. Neste caso, usamos uma rentabilidade Y (em) que se relaciona com o tempo X (em meses). 

Os dados que foram usados na Figura 1 foram retirados da curva de juros do Profit referentes ao dia 07/01 e representados graficamente utilizando o Excel. 

curva juros new 1
Figura 1: Curva de Juros

Para quem deseja fazer mais operações com a curva de juros, segue o passo a passo para obter esta representação gráfica: 

  • Abra o Profit e procure pelo menu “Cotações”; 
  • Dentro de “Cotações”, selecione a opção “Curva de Juros”; 
  • Após aberta a Curva de Juros, pressione no canto esquerdo superior o botão “Exibir Grades”; 
  • Clique com o botão direito do mouse na tabela que aparece ao lado da Curva de Juros e selecione a opção “Copiar p/ Excel”; 
  • Copie os dados para o Excel, os dados que serão utilizados são os das colunas “Ativo” e “Último”; 
  • Agora é só gerar o gráfico com os dados que restaram no Excel e chegará na Figura 1;

É valido ressaltar que estes dados estão sujeitos a alteração todos os dias uteis e são afetados principalmente por eventos macroeconômicos como alteração na inflação, eleições e votações importantes no senado ou na câmara. 

Para que serve a Curva de Juros 

De forma pratica, podemos definir a Curva de Juros como um balizador de todos os investimentos de renda fixa. Sendo assim, ela representa a expectativa dos investidores sobre os juros do país e pode ser considerada um termômetro que revela qual vai ser o custo do dinheiro no longo prazo. 

Com a análise da curva de juros podemos decidir se no momento de resgatar nossos investimentos em títulos do governo, valerá a pena migrar para a renda variável por conta de uma previsão de redução desses juros por exemplo. 

A Curva de Juros é muito utilizada também, por pessoas que desejam empreender. Pois não faz sentido se expor a investimentos arriscados quando o retorno dos mesmos é igual ou menor ao retorno de um investimento de mesmo prazo em um título federal.  

Como a Curva de Juros afeta o País

No início do artigo, falamos sobre como a taxa Selic afeta as emissões de títulos do governo. Agora vamos entender como a Curva de Juros afeta essa emissão. 

Suponha que o Governo deseje emitir títulos pré-fixados com vencimento para daqui a 5 anosPrimeiramente devemos entender que antes de buscar pagar o mínimo de juros possível, o maior interesse do governo é captar dinheiro com as emissões. Portanto, não adianta oferecer taxas baixíssimas se ninguém tiver interesse em investir nos títulos por conta disso. 

Com a leitura do parágrafo acima, se torna fácil visualizar que diferente do que a maioria das pessoas pensam, o governo não tem controle absoluto sobre as taxas dos títulos emitidos pelos mesmos. No caso de o governo não respeitar as taxas representadas na curva, os investidores simplesmente deixariam de comprar os títulos, dando preferência a investir no contrato de DI futuro. Com isso abaixando as demandas pelos títulos e derrubando seus preços. 

Interpretando as formas da curva

A curva de juros possui alguns padrões. E pode ser subdividida de forma simplificada em 4 tipos:

curvas_de_juros

O primeiro tipo, representado pela letra “A” na imagem acima, é a chamada “Curva Normal”. Esta curva representa a normalidade da economia, levando em consideração que se nada estiver errado com o país, o caminho natural dos juros quando aumentamos o tempo é crescer.

Na curva “B” temos uma rápida ascensão dos juros no curto prazo e uma normalização pro longo prazo. Isso pode indicar um crescimento muito acelerado da economia, causando uma forte pressão inflacionaria (demanda maior que a oferta). Por outro lado, pode significar também que os investidores estão considerando os títulos do governo mais arriscados, exigindo assim um maior “premio de risco”.

A curva invertida (representada pela letra “C”), é um indicativo claro de recessão. O governo, interessado em fazer a economia se recuperar e sair da recessão, força a redução da taxa de juros. Com essa expectativa de redução, os investidores intensificam as compras de títulos de longo prazo para garantir boas taxas antes da baixa dos juros. E essa intensificação fornece dinheiro aos cofres públicos para atuar contra a recessão.

Na letra “D” temos a curva plana, e sua principal característica é a proximidade dos juros de longo prazo com os juros de curto prazo. Portanto é um indicativo de inversão de curva de juros como a saída ou entrada de uma recessão. Está curva tende a não durar muito tempo e não é muito comum de ser vista.

Efeito cascata: Como a Curva de Juros afeta as empresas privadas 

Se as taxas dos títulos Pré-Fixados do governo são emitidas com base na Curva de Juros, os títulos das empresas serão emitidos considerando seus respectivos riscos. Partindo da premissa que o risco do governo (também conhecido como risco soberano), é o risco mais baixo possível no país, qualquer empresa que queira emitir um título pré-fixado deverá pagar um prêmio de risco além da taxa do pré-fixado do governo. 

Como no caso do governo, quando a curva de juros dá indícios de que os juros vão subir, se torna mais caro para as empresas se financiarem emitindo títulos de dívida. Com isso freando a alavancagem das empresas, e desacelerando a economia. 

A ferramenta certa!

No tópico “Como é criada a Curva de Juros”, lhe ensinei uma forma de criar e visualizar a curva de juros. Porém, convenhamos que ela não é nada pratica, e ainda necessita ser atualizada diariamente. Aquela demonstração tinha o objetivo de ensinar a entender a curva. Segue abaixo a imagem da ferramenta e as instruções de onde localiza-la.

curva profit

A ferramenta de visualização da curva de Juros já esta disponível para quem possui o Profit, e pode ser encontrada facilmente no menu “Cotações”. Nela, é possível ainda visualizar informações sobre os contratos de DI futuro que são usados para compor a curva. Se você não tem ainda o Profit, lhe convido a testar de forma gratuita neste link. Além da Curva de Juros, você vai se surpreender com todas as outras ferramentas que temos para todos os perfis de investimento.