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É possível confiar em pesquisas sobre resultados de eleições?

As pesquisas eleitorais já falharam?

Na eleição presidencial norte-americana quando Donald Trump foi eleito, as pesquisas anteriores no dia da votação apontavam um chance de vitória da candidatada do partido republicano, Hillary Clinton, de cerca de 85%. De 10 pesquisas nos últimos dias de campanha, apenas 1 colocava Trump na frente.

No plebiscito colombiano para acordo de paz com guerrilhas FARC para acabar com a guerra civil no país, as pesquisas anteriores à votação apontavam uma esmagadora vitória pelo acordo de paz. O ‘não’ venceu as eleições.
Nas últimas eleições presidenciais brasileiras, as principais pesquisas eleitorais colocavam possibilidade real de vitória de Dilma no primeiro turno. Dilma foi eleita no segundo turno, com uma margem bastante apertada frente ao candidato do PSDB, Aécio Neves.

Estes exemplos são apenas alguns de muitos que tem mostrado forte erro nas pesquisas eleitorais. Os erros vêm aumentando no tempo e têm se configurado como um fenômeno mundial.

Qual a razão deste erros crescentes em pesquisas eleitorais?

Não se sabe ao certo qual a razão deste fenômeno estar acontecendo. A metodologia das pesquisas segue rigor estatístico estabelecido a muito tempo, principalmente no que condiz à teoria da amostragem.

Algumas pesquisas ligadas à economia comportamental apontam que alguns vieses de comportamento aparecem frequentemente nas respostas às perguntas de pesquisas eleitorais. Um deles é o viés da confirmação. Por este viés, as pessoas dizem que votam não em seu candidato, mas no candidato que elas imaginam que tenha mais chance de vencer. Isto pode também ser visto com o que tem-se chamado de voto útil.

Outra viés comumente em pesquisas eleitorais é o viés demográfico e do perfil político dos respondentes. O entusiasmo na resposta é muito diferente conforme o perfil do respondente nestas duas variável, o que leva a distorções nos resultados, tais como não revelar o seu verdadeiro voto.

Ainda mais, o efeito borboleta das pequenas diferenças entre as metodologias das pesquisas pode fazer com que o resultado final delas seja bastante diverso.

No entanto, o que não se consegue explicar é o fato de o erro das pesquisas estar crescendo ao longo dos últimos anos. Se analisarmos os resultados eleitorais do Brasil nas últimas 6 eleições, o erro preditivo vem aumentando bastante.

Como então interpretar o resultado das pesquisas eleitorais?

Neste contexto de vieses, metodologias diversas e efeitos demográficos, a melhor maneira de analisar as pesquisas é num contexto qualitativo, ou seja, interpretar que grandes tendências devem ser levadas e consideração e que as percentagem mostradas para cada candidato não refletirão o resultado absoluto do pleito.

De qualquer forma, o espaço para surpresas é enorme. O que sugere que apostas grandes sejam evitadas a qualquer custo, mas também que pequenas apostas podem gerar um resultado bem significativo.