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Como as eleições já estão afetando o mercado financeiro?

Apesar de ainda não se ter definido quem serão os candidatos oficiais às eleições de 2018, os efeitos do pleito já estão permeando o mercado. As pesquisas ao longo dos últimos meses mostram muita incerteza e quem está na frente são os indecisos. Apesar disso, o mercado balança a cada pesquisa, a cada decisão do STF e a cada composição política.

Já tivemos candidatos desistindo antes de começar, como foi o caso de Joaquim Barbosa e Luciano Huck, e candidato pedindo para entrar na corrida, como é o caso de Lula e suas dezenas de recursos.

A seguir você verá os principais pontos para acompanhar este início de corrida eleitoral.

As pesquisas eleitorais

As pesquisas devem aparecer toda a semana até à votação em outubro. Em geral, a partir de setembro elas servem para medir o mercado de votos. Antes, não vale muito olhar como que está a posição de cada candidato, mas sim o seu nível de rejeição, ou seja, sua capacidade de melhorar e tomar votos de outros candidatos. Além disso, em razão de vários fatores – metodologia de pesquisa, mídias sociais, fake news, etc – o erro de pesquisa tem aumentado. E isso não ocorre só no Brasil, mas no mundo todo. O tempo de televisão que cada candidato tem no período de propaganda eleitoral (a partir de 16 de agosto) e dos debates tem força para mudar o andamento do pleito e as pesquisas começam a ganhar mais importância.

Ainda não se sabe a razão, mas as pesquisas tem errado bastante, até mesmo em períodos muito próximos à votação, e isso tem que ser levado em consideração. Trump, BREXIT e rejeição do acordo de paz com as FARC na Colômbia são exemplos claros disso.

Pré-candidatos e o mercado

Os candidatos preferidos do mercado são aqueles ligados ao que politicamente se chama de ‘centro’, isto é, candidatos que prezam pelas reformas econômicas e políticas, mas não abrem mão de manter programas sociais e utilização da máquina pública para manutenção das forças políticas. As pesquisas hoje apresentam Geraldo Alckmin como o representante do centro com chances de ser candidato de peso no pleito. Marina Silva também se alinha mais com o centro, principalmente pela atuação de sua assessoria econômica, mas o mercado ainda tem alguma desconfiança com a pré-candidata em razão de seu passado fortemente ligado à esquerda.

Os candidatos de esquerda são aqueles que, hoje, o mercado percebe um risco significativo. Ciro Gomes capitaneia esta percepção, e cada vez que sua posição varia nas pesquisas, há aumento de volatilidade.

Os candidatos de direita não são muito bem visto pelo mercado, pela razão de serem, em geral, estatistas e populistas, o que vai de encontro de uma necessária diminuição do tamanho do estado pelas reformas econômicas. Jair Bolsonaro personifica esta percepção e hoje é o líder das pesquisas com pré-candidatos.

Efeito Lula

O ex-presidente Lula foi condenado em segunda instância e está preso em Curitiba. A lei da ficha limpa o impede de disputar as eleições mesmo se for solto. No entanto, como nossos principais tribunais superiores são tribunais ‘políticos’, tudo ainda é possível. Caso ele consiga ser candidato e disputar o pleito em outubro, ele é hoje o líder das pesquisas eleitorais e também o candidato com uma das maiores rejeições. A reação do mercado caso esta possibilidade ocorra é de muita volatilidade e tendência de preços para baixo. Caso ele desista de disputar as eleições definitivamente, vale atentar para quem será efetuada a transferência de votos. Os principais pré-candidatos a receber esta transferência são Fernando Haddad, Marina Silva e Ciro Gomes.

Esta eleição será marcada por muita incerteza. Dificilmente teremos um candidato despontando e a busca por votos será feita até o último minuto das eleições. E incerteza para o mercado tem um nome: volatilidade. Independentemente de quem ganhar as eleições para presidente, a herança é muito dura e medidas não populares, como a reforma da previdência, terão de acontecer. Ou seja, apesar de outubro estar distante, a volatilidade veio para ficar.

Escrito por: GapEconomics