Entenda a relação do mercado internacional com o mercado Bovespa
Entenda a relação do mercado internacional com o mercado Bovespa

Entenda a relação do mercado internacional com o mercado Bovespa

A B3 está entre as principais bolsas do mundo. Ela sofre influência direta do mercado internacional, mas nem sempre o trader sabe como isso acontece. Você precisa compreender o mercado financeiro a fundo para atuar de maneira precisa e obter o máximo de rentabilidade.

Neste artigo, explicamos essa relação e mostramos de que forma ela impacta os seus investimentos a partir dos preços das commodities. Ficou curioso? Acompanhe o texto e veja como as operações são determinadas!

Principais bolsas de valores do mundo

O mercado financeiro é composto por diferentes bolsas, nas quais são negociadas diversas ações de empresas do mundo todo, e onde a participação estrangeira aumenta a cada ano.

Na prática, quando se diz que uma bolsa de valores está em determinada posição em relação às outras, o que se analisa basicamente é:

    • a quantidade de transações realizadas durante o ano;
    • o número de empresas listadas;
    • o volume das transações realizadas no ano (ou seja, quanto de dinheiro circulou);
    • o valor de mercado da bolsa (o quanto ela vale enquanto mercado);
  • o tempo de existência que a instituição têm.

Então com base nesses critérios, veja a seguir as principais bolsas de valores do mundo:

NEW YORK STOCK EXCHANGE (NYSE)

A Bolsa de Valores de Nova Iorque é administrada pela NYSE Euronext e está localizada em Manhattan. Seus principais índices são: NYSE Composite Index, Average e Dow Jones Industrial. Criada em 1792 e fundada oficialmente em 1817, essa bolsa é uma das mais antigas do mundo e negocia as ações das principais companhias americanas.

Para você ter uma ideia da grandiosidade, são mais de 2,7 mil empresas listadas, uma quantidade média de 1,4 bilhões de ações negociadas por dia, gerando um volume médio diário de negociações de 169 bilhões de dólares. Ela tem ainda um valor de capitalização de mercado de 21 trilhões de dólares.

NASDAQ STOCK MARKET

Seu nome é o acrônimo de National Association of Securities Dealers Automated Quotations (em português, Associação Nacional de Corretores de Títulos de Cotações Automáticas).

Localizada na Times Square, em Nova York, ela têm mais de 2,8 mil empresas listadas e já foi capaz de transacionar mais de 6 bilhões de ações em um único dia. E você está se perguntando porque ela está em segundo nessa lista? A NASDAQ negocia ações de empresas de pequeno e médio portes, o que acaba fazendo dela o segundo mercado de ações em capitalização no mundo.

Além do grande volume que consegue transacionar, ela reúne as principais empresas de tecnologia do mundo, como Apple, Microsoft, e Google.

TOKYO STOCK EXCHANGE

A bolsa de Tóquio é a terceira maior do mundo e também é uma das instituições mais antigas do setor, tendo sido fundada em 1878. Em 2012, ela passou por uma fusão com o mercado de ações de Osaka — com isso, surgiu a Japan Exchange Group.

Ao todo, são mais de 2,2 empresas listadas e seu principal indicador é o Nikkei.

LONDON STOCK EXCHANGE (LSE)

Essa é a principal bolsa de valores do Reino Unido e está situada em Londres. Criada em 1801, as ações negociadas são das maiores empresas britânicas. Os seus índices mais importantes atualmente são: FTSE 100 Index, FSTE 250 Index e FTSE 350 Index.

A LSE possui mais de 2 mil empresas listadas e tem ainda um mercado de acesso para pequenas companhias, o London Stock Exchange, que possui mais de 3,6 mil empresas que escolheram abrir capital por esse meio.

EURONEXT

A bolsa de valores dos Estados Unidos e da Europa surgiu da união entre a NYSE e um grupo de países que contempla Bélgica, Portugal, França, Reino Unido e Holanda. Esse foi o primeiro mercado pan-atlântico e se fundiu à American Stock Exchange (AMEX) em uma transação de US$ 260 milhões.

A EURONEXT têm sua sede em Amsterdã, com escritórios em demais capitais importantes da Europa. Já têm mais de 1,3 mil empresas listadas e apresenta uma capitalização de mercado de mais de 3,8 trilhões de Euros.

Possui ainda importantes indicadores dos quais você já deve ter ouvido falar como o AEX em Amsterdã, BEL 20 em Bruxelas, CAC 40 em Paris, PSI 20 em Lisboa e o EURONEXT 100.

SHANGAI STOCK EXCHANGE (SSE)

Essa é a bolsa que representa a China. Ela é gerenciada pela China Securities Regulatory Comission (CSRC) de acordo com os princípios de supervisão, legislação, padronização e regulação dos mercados asiáticos. O indicador mais importante dela é o SSE 180.

A SSE não têm nem 30 anos, possui em torno de mil empresas listadas e lida com uma capitalização de mercado de 5 trilhões de dólares.

BOVESPA

A bolsa de valores brasileira surgiu em 1890, está localizada em São Paulo e recentemente passou por uma fusão com a Cetip S.A. Dessa união surgiu a B3 (Brasil, Bolsa, Balcão), a bolsa de valores brasileira como você enxerga hoje.

Quando a fusão foi anunciada, o então presidente da Companhia divulgou que a instituição teria um valor de mercado de aproximadamente 13 bilhões de dólares.

Atualmente, a Bovespa está ligada aos principais mercados de balcão do mundo. O Ibovespa é o seu indicador principal, mas existem outros – como IBOV, IBrX10, IBrA, ICO2, ISE, ITEL, IEE, INDX e IMAT -.

A B3 têm em torno de 375 empresas listadas, deixando ela entre as 20 bolsas de valores com mais companhias. Apesar de não ser uma posição tão expressiva, e de poucas empresas abrirem capital em relação à outros países, a grande importância da Bovespa está no grande volume financeiro que é operado internamente.

O que podemos esperar da B3?

Para entendermos porque acontecimentos do mercado internacional influenciam na B3, precisamos juntamente compreender sua atuação no mercado doméstico e a parcela do volume financeiro movimentado por estrangeiros.

A Bovespa esse ano bateu recorde e ganhou mais de 110 mil novos investidores em 2018, superando o número de investidores no Tesouro Direto, por exemplo. E tudo isso em pleno ano de eleições, onde geralmente a bolsa tende a ficar muito mais volátil.

O fato se deve principalmente pelo recente movimento de educação financeira no país e em meio a redução da taxa básica de juros (SELIC) em mínimas históricas, o que faz reduzir a rentabilidade em fundos de renda fixa e outras aplicações financeiras, ampliando a quantidade de brasileiros no mercado de ações.

E se parece lógico para você esse fluxo de investidores crescente no mercado acionário brasileiro, pense em relação ao aumento de empresas listadas na bolsa. A B3 teve o melhor desempenho no ano de 2018 entre as bolsas do mundo. O Ibovespa registrou uma valorização de mais de 17%, tendo o melhor desempenho entre os principais índices de ações do mundo. Essa evolução de indicadores estimula as empresas.

Com uma resposta positiva à queda de juros e a redução da oferta de crédito do BNDES, que já podemos acompanhar e que promete ser ainda maior em um futuro próximo, análises mostram que a quantidade de empresas listadas na Bovespa pode quase dobrar dentro dos próximos 10 anos.

A importância da Bovespa para o mundo

Muito mais descolada do resto do mundo pelo recém adquirido abrupto crescimento, o desempenho da B3 refletiu majoritariamente o cenário interno brasileiro, fazendo com que repercutisse a retomada do crescimento da economia e outros fatos domésticos. Ainda assim, a Bovespa é influenciada pelo cenário externo, que se mostra complicado atualmente.

As bolsas americanas que são os principais drivers do mercado têm tido um desempenho bem abaixo se compararmos a anos anteriores. O principal índice americano, o S&P 500, acumula uma valorização que fica em torno dos 3% somente.

Isso se deve a assuntos que trataremos a seguir, mas o que você precisa notar é que mesmo bolsas com um cenário interno favorecido, sofrem influências de bolsas que são os grandes drivers do mercado.

Antes de entrarmos de fato na relação que o mercado internacional exerce sobre a Bovespa, saiba que acompanhando a onda de crescimento dos índices do mercado de capitais no Brasil, a B3 se tornou a terceira maior bolsa de derivativos no mundo. Estamos, sim, tratando de um importante mercado de capitais. Junte isso com a influência que as maiores bolsas geram e tenha a famosa correlação positiva.

A relação do mercado internacional com a Bovespa

As diferentes bolsas de valores do mundo estão interligadas e uma influencia a outra. Não ache que porque estamos geograficamente distantes de Tóquio, por exemplo, os eventos que acontecem lá não podem influenciar nosso mercado. No caso brasileiro, é necessário compreender o funcionamento dos mercados dos parceiros comerciais mais frequentes, como Estados Unidos e China.

Atualmente, a maior parte do investimento feito no Brasil vem do exterior. Por isso, o maior número de ações está em poder de traders estrangeiros, especialmente os fundos de investimento. Devido a essa característica, os fatores que determinam as flutuações da bolsa também são provenientes do exterior.

Se um país parceiro está com problemas na economia, por exemplo, a tendência é que o cenário no Brasil também piore. Essa situação foi verificada nos anos 2000 com o crescimento das commodities, principalmente da China, que impactou positivamente a Bovespa e fez com que ela apresentasse uma alta significativa.

Como é a influência do mercado internacional?

O impacto incide sobre diferentes aspectos, mas um ponto de atenção é a taxa de juros americana, que é referência para o mundo. É recomendado que o trader sempre conheça esse índice, pois ele pode aumentar a segurança da operação.

Na prática, quanto maior for a taxa de juros dos Estados Unidos, maior é o fluxo de dinheiro para o país norte-americano. Esse contexto é negativo para os países emergentes — entre eles, o Brasil.

Outro aspecto que deve ser considerado é a correlação positiva do índice americano Standard & Poor’s (S&P), da Bolsa de Chicago, com o mercado brasileiro. Se o saldo de ações da bolsa americana estiver positivo, a tendência é que o do nosso país também esteja. Essa operação é bastante observada para day e swing trade.

Para o trader, a preocupação com esses índices é necessária, pois eles afetam suas operações. É o caso de ações que estão em alta em todo o mundo — por exemplo, na Turquia, África do Sul e em países emergentes. Nesse contexto, é provável que o mercado brasileiro também tenda a subir.

Definição dos preços de commodities e sua relação com o mercado internacional

O Brasil tem grande relação com as commodities — como petróleo, soja e minérios. Duas empresas que se destacam nesse segmento são a Petrobras e a Vale. Por isso, sempre que os preços desses ativos aumentam no cenário internacional, a companhia ganha mais dinheiro e tende a crescer.

A regra é que o boom das commodities é bom para o mercado. Em outras palavras, é interessante haver uma redução da oferta porque traz mais possibilidade de vendas com preço maior.

Por sua vez, o contrário prejudica o Brasil, porque a bolsa despenca e a China para de importar — e esse é um parceiro que sempre adquire matérias-primas brasileiras. Assim, é necessário acompanhar diferentes índices para compreender como a economia está. Os principais aspectos a serem acompanhados são:

    • Índice Xangai Composite, que apresenta a performance das companhias chinesas;
    • Produto Interno Bruto (PIB) e dados de inflação da China;
    • PIB e dados da inflação dos Estados Unidos;
    • S&P;
  • Decisões da taxa de juros do Banco Central Europeu (BCE).

Em suma, o trader deve atentar às notícias e saber interpretá-las para fazer operações acertadas conforme o contexto. Por exemplo: se o Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, ameaça sobretaxar países emergentes, como foi anunciado no começo do ano de 2018 com o aço e o alumínio da China, o mercado internacional entra em instabilidade e risco elevado. O dólar, que é um ativo de segurança, sobe consideravelmente.

Essas medidas são medidas protecionistas, porque criam uma espécie de barreira para os produtos chineses. A indústria americana acaba por estimular que investidores passem a produzir produtos similares no território dos EUA. Isso gera empregos e estimula a economia local.

Por outro lado, pense que a China não gostará de ser sobretaxada e como reação, pare de comprar produtos americanos. Lembre que a China é uma grande compradora de mercadorias básicas americanas, como a Soja. Isso pode impactar diretamente produtores norte americanos, que por sua vez, são famílias, e não grandes produtores. Isso leva a um problema doméstico enorme nos Estados Unidos.

Para você que opera no mercado financeiro, é fundamental acompanhar as notícias e entender essa relação entre o mercado internacional e a Bovespa. Por isso, vale a pena utilizar uma plataforma de operações atualizada, como o ProfitChart, da Nelogica, que permite realizar um aprofundado estudo de análise técnica.

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