Entenda como guerra comercial e Brexit estão afetando as moedas globais
Entenda como guerra comercial e Brexit estão afetando as moedas globais

Entenda como guerra comercial e Brexit estão afetando as moedas globais

Duas das principais incertezas que duram longo período de tempo e minam a confiança do investidor pelo mundo são a guerra comercial e o Brexit.

Sem grandes evoluções positivas e com medo de escalada nas tensões durante boa parte de 2019, o início do mês de outubro do mesmo ano mostra que arrefecimentos em tensões políticas mundiais tem efeitos diretos nas mais variadas cotações entre moedas.  Pelo menos, é o que se nota por parte das economias mais fortes do mundo. Entenda nesse artigo o porquê desses dois fatores influenciarem tanto a cotação das moedas mundiais!

A atual situação do Brexit

A história é clara: o Reino Unido entra para a União Europeia em 1973 e, desde 2016, tenta deixá-la. A votação para decidir sobre a saída do Reino Unido da comunidade europeia ocorre em 23 de junho de 2016: o consenso geral aponta para sua permanência na UE. Em votação não-obrigatória, acontece a vitória inesperada para a saída do Reino Unido (52% a 48%).

Anos depois, as incertezas políticas acabam por afetar o valor da sua moeda, sem uma resolução. Mais do que isso, a não resolução do Brexit (junção das palavras Britain e exit, ou “saída britânica”) é muitas vezes colocada como fato preponderante para desvalorização pelo aumento da percepção de incerteza. Inclusive, desvalorização de moedas de países emergentes.

Para seguir a linha de pressão global, tem-se a guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Os reflexos da guerra comercial

A guerra comercial entre Estados Unidos e China é mais recente que o Brexit. Donald Trump, eleito presidente dos EUA em 2016, tem como promessa de campanha um embate com os chineses. Seu argumento é de que a China obtém vantagens indevidas dos Estados Unidos de diversas formas. Segundo Trump, o país asiático leva empresas americanas para fora dos EUA, o que tira empregos dos americanos, obtém superávits comerciais anuais enormes e rouba sua propriedade intelectual.

Após eleito, Trump demora um pouco a tomar medidas contra os chineses, mas elas vêm no dia 22 de março de 2018. Nessa data, os EUA impuseram tarifas sobre US$ 50 bilhões sobre 1,3 mil produtos chineses. Os chineses retaliaram no mês subsequente, com tarifas de 25% sobre 128 produtos norte americanos. Os meses seguintes foram marcados por ameaças e aumento de tarifas e da base de produtos. Além desses, tweets se tornaram referência para precificação de moedas em muitos casos.

A guerra comercial chega em momento bem inoportuno, com diversos países apresentando redução na sua capacidade de crescimento econômico. Assim, a diminuição do comércio mundial e os receios gerados por ela se confundem com uma desaceleração natural de diversas economias.

Logicamente, quanto mais dependente do comércio internacional é uma economia e mais ligada for aos países que impõe tarifas, menores as probabilidades de manter crescimento econômico consistente no cenário descrito. Os dados mostram, principalmente, dificuldades para o setor manufatureiro. O mercado financeiro monitora principalmente as negociações EUA – China,  que são maiores e mais importantes. Porém, União Europeia, México, Canadá e Turquia não escaparam de ameaças e de tarifas pelo lado norte-americano.

Resoluções para a guerra comercial e Brexit

No caso do Reino Unido, há bastantes idas e vindas. No dia 19 de outubro, o parlamento do Reino Unido vota contrário à saída do Reino Unido da União Europeia. Após essa derrota para o governo, é aprovada mais uma extensão para o Brexit, com prazo até o dia 31 de Janeiro de 2020, vencida com 322 votos, contra 306. Com a votação, uma parte das leis relacionadas à saída do Reino Unido tem de ser votada antes do Brexit ocorrer. Fato é que, com a possibilidade de avanço da medida, a libra apresenta valorização no início do mês de outubro. 

Já a guerra comercial entre EUA e China parece longe do fim, mas tem-se o início de uma negociação entre as partes. Em outubro, Trump relata que a última conversa com os chineses foi muito boa, e a expectativa é de que seja assinada a primeira parte do acordo comercial em breve. Também sinalizou que os chineses compram maiores quantidades de produtos agrícolas americanos.

O vice-premiê da China, Liu He, também fala em “progresso concreto” nas negociações. A evolução dos fatos no início do mês de outubro, tanto na guerra comercial tanto com o Brexit, serviram de catalisador para alterações nas taxas de câmbio. A cotação euro/libra esterlina, por exemplo, passou de 1,12 no primeiro de outubro para 1,16 no dia 18 do mesmo mês. Ou seja, a moeda do Reino Unido valorizou. Nas mesmas datas, a cotação dólar – libra esterlina foi de 1,23 para 1,30, enquanto a cotação dólar – euro passa de 0,91 para pouco abaixo de 0,9. 

Como os investidores veem essa resolução?

O cenário de menor incerteza costuma levar a maior disposição para tomada de risco por parte dos investidores. Os investidores procuram maiores rendimentos em países mais considerados mais arriscados. Assim, a diminuição do valor relativo do dólar comparado com moedas fortes costuma ocorrer também com moedas de países emergentes. Para a mesmas datas, a cotação real – dólar passa de 4,16 para 4,11. Para a cotação peso mexicano – dólar, passa de 19,82 pra 19,10 e o rand – dólar vai de 15,34 para 14,78.

A guerra comercial, entretanto, não parece tão próxima de um final definitivo. A divisão em três ou quatro partes, claramente, significa que muitos temas ainda têm de ser tratados. Por lógica, os mais difíceis ficarão para as fases finais. Pode também significar até que os países não estão dispostos a abrir mão de determinadas medidas.

Especula-se, por exemplo, que o governo chinês não estaria disposto a colocar na mesa de negociações os subsídios dados para sua indústria. Lembremos que o principal objetivo de Trump é a reeleição em 2020. Se o momento indicar que ser mais duro com os chineses pode ser útil para tal objetivo, provavelmente ele o fará. Posteriormente, pode acabar negociando algum acordo, mesmo que isso cause uma grande incógnita no mercado.

Contexto final para as moedas

Esperamos que o mercado de moedas deve ficar pouco mais favorável para as moedas emergentes com a redução das incertezas citadas. A questão dos fundamentos econômicos é importantíssima para precificação dos ativos, mas as disputas políticas pelo mundo podem impactar as preocupações, incertezas e, consequentemente, os movimentos nos valores relativos das moedas.

O trader que opera moedas deve estar altamente informado e acompanhar discursos políticos, data de votações, posts no twitter, entre outros, para aumentar suas chances de retornos positivos. Estar atento nesse momento, certamente traz um diferencial muito significativo.

Nesse artigo tratamos sobre como guerra comercial e o Brexit estão afetando o preço das moedas internacionais. Siga acompanhando conteúdo avançados e leia mais sobre o porquê do mundo temer uma recessão global!