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Entenda os impactos do Coronavírus no mercado financeiro e nas suas operações

O avanço do coronavírus pelo mundo vem afetando diretamente todas as economias e, consequentemente, os mercados acionários. O grau de incerteza é elevado, investidores correm para ativos considerados seguros e as bolsas de valores sofrem com as extremas oscilações.

O momento é difícil para todos, mas especialmente complicado para os mais de 1 milhão de brasileiros que entraram para a bolsa de valores nos últimos 2 anos. Para todos esses, e para todos os operadores que nunca vivenciaram uma situação parecida no mercado financeiro, acompanhe esse artigo sobre os principais impactos que o coronavírus têm ocasionado nas economias e nas bolsas mundiais.

Março de 2020, o mês que já entrou para a história

A última vez em que a bolsa brasileira acionou dois circuit breakers em um mesmo dia aconteceu em 2008, ano em que eclodiu a crise financeira internacional mais recente, conhecida como a crise de Subprime, ou também, crise do mercado imobiliário americano.

Já o último circuit breaker antes de 2020, aconteceu no famoso Joesley Day, em 2016, fazendo o Ibovespa cair mais de 12% em menos de uma hora.

Mas essa crise atual não refletiu em nada as últimas duas ocasiões de crise e queda extrema.

O cenário que se iniciou com a chegada do coronavírus ao Brasil

Bom, para quem não lembra, finalizamos 2019 com esperanças de um aumento no PIB; já que o do ano passado foi um tanto quanto tímido. Já o Ibovespa alcançou o patamar dos 120 mil pontos no comecinho de 2020. As expectativas eram muitas para a retomada geral da economia, refletindo também no mercado acionário. Logo no início de março, já descobriríamos que o enredo seria outro. Confira o início dos casos de coronavírus no país:

 

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Dia 06 do mês a bolsa fechou abaixo dos 100 mil pontos, após meses acima desse patamar. Já no dia 09, sofremos nosso primeiro circuit breaker do ano, que iria se repetir mais 5 vezes em março. Ainda, tivemos a pandemia oficializada pela OMS no dia 11 e a proibição da entrada de europeus nos Estados Unidos, dois fatos que contribuíram para um pregão histórico no dia 12, com quase 20% de queda.

A segunda quinzena de março foi marcada por ondas de estímulos dos Bancos Centrais, o que aliviou um pouco as quedas bruscas das bolsas mundiais. Mesmo assim, nosso mercado teve o pior fechamento em mais de 20 anos, acumulando uma queda mensal de 29,9% e de 36,86% no trimestre. 

Esse resultado é fruto do pânico que se instalou nos mercados, causando um “efeito manada” dos investidores, que é, por sua vez, consequência de um momento de grande incerteza.

Por essa razão, vamos falar agora das implicações que esse momento de incerteza trás para a economia real, que obviamente, impacta nos mercados acionários.

Entenda a implicação do coronavírus na economia

No geral, o aumento da incerteza leva empresas a postergarem decisões de investimentos, se transformando em um impacto sobre o emprego e a renda. Assim, há uma piora nas condições financeiras e no crédito, levando os países a entrarem em recessão. Mas vamos conferir um pouco mais detalhadamente isso.

A China, a primeira impactada pelo vírus, já percebe um grande abalo na sua economia por conta do período de quarentena. Fábricas, centros comerciais, e pequenos comerciantes precisaram fechar suas portas; os chineses mudaram sua rotina completamente.

Essas alterações vinham mexendo com o consumo e atividade econômica não somente da China, mas também de outros países que mantêm relações comerciais com o país.

Essa situação foi amplificada assim que o contágio tomou maiores proporções fora do território Chinês. Se somente um país em situação de quarentena pode impactar o PIB mundial, imagina diversos países nessas condições.

Saiba as perspectivas para a economia brasileira

Por aqui, diversas medidas de restrições foram aplicadas, desde aulas suspensas até lojas fechadas. A partir desse momento, a preocupação com o crescimento da economia se tornou enorme.

O impacto econômico gerado pela pandemia já é maior do que a crise financeira de 2008. Com isso, o governo brasileiro adota quase que semanalmente, novas medidas de apoio para pequenas/médias empresas, trabalhadores autônomos, pessoas carentes, e outros grupos.

Para você ter uma melhor ideia, se discutiu no G20 a possível perda de 2 pontos percentuais no crescimento anual do PIB de um país, para cada mês de quarentena. Logicamente, alguns setores puxam ainda mais essa perspectiva, como é o caso das companhias áreas e o de turismo.

A grande questão agora é: o quão forte será a provável – e quase inegável – recessão da economia brasileira no ano de 2020?

Qual o impacto do vírus nas bolsas de valores?

Em momentos de incerteza, os investidores tendem a procurar ativos considerados mais seguros, saindo de mercados emergentes, como o Brasil, e migrando para títulos da dívida pública americana e para o dólar.

Já as ações negociadas em bolsa sofrem queda livre – em quase todos os setores -. Essa tendência de redução nos preços dos papéis desestimula até mesmo o lançamento de novas ofertas, os IPOs (Initial Public Offering) um dos recursos usados pelas empresas para captar recursos. Dessa maneira, as companhias acabam encontrando uma série de dificuldades para se financiar.

Apesar da oscilação brusca de um índice de ações não impactar diretamente no caixa das empresas, traz um impacto significativo para a economia real, já que representam perda financeira para fundos e investidores pessoas físicas, ocasionando, novamente, um reflexo negativo no consumo das famílias.

Além disso, esse cenário vem acompanhado de uma piora das condições financeiras, principalmente do crédito. Nesse momento os bancos tendem a ser mais cautelosos, isso porque qualquer redução do nível de atividade econômica, impacta na capacidade de pagamento das empresas. E em países onde há um excesso de endividamento, como os Estados Unidos, a situação é mais preocupante.

Essa é uma das razões que explicam as quedas fortes e sucessivas observadas na bolsa, principalmente a americana.

Não vamos esquecer do petróleo

Sabia que há uma crise atual do setor de petróleo e que tem tudo para ser a pior em 100 anos. Mas qual a relação com o assunto?

Com a pandemia do coronavírus, as petrolíferas vêm sendo duplamente afetadas pelo ambiente atual de negócios. Isso porque quando a demanda por algum produto ou serviço cai, e a produção e oferta do mesmo se mantém ou aumenta, é inevitável que seu preço caia também.

Em torno de 90 milhões de barris de petróleo são produzidos no mundo por dia; e a necessidade de redução desse estoque e de derivados nesse cenário atual pode ser observada até mesmo por você, o consumidor final, observando, por exemplo, a queda da demanda do combustível nos postos de gasolina.

Nos últimos dias, os principais produtores de petróleo do mundo conseguiram fechar um acordo histórico para cortar parte da produção de barris, e pôr fim a uma guerra devastadora de preços. Ainda está sendo analisado qual será a contribuição de cada país.

A questão agora para o mercado de petróleo é se os cortes serão suficientes para criar um piso para os preços diante da derrocada da demanda. E é claro que a crise dessa commoditie afeta alguns setores da bolsa de valores também, principalmente a brasileira.

Bom, no geral, as quedas do mercado acionário são explicadas por diversas razões, ainda mais em um contexto complexo como esse. O que não podemos negar, é o impacto que as notícias negativas possuem nesse momento, piorando a incerteza.

Há uma séries de perguntas sem respostas em torno da atual pandemia do covid-19. Mas todos olhamos nesse momento para os dados que possuímos sobre o contágio. Dessa maneira, é possível analisar o possível momento do pico da doença, e relacionar com a duração das quarentenas, dentre outras possibilidades.

Acompanhe os dados COVID-19 no Profit

Parte da queda nos preços de ações vem da expectativa negativa em relação aos efeitos do coronavírus sobre a própria economia real, como já vimos.

A pandemia tem colocado países inteiros em quarentena e restringido a circulação de pessoas e mercadorias. Assim, a tendência é de desaquecimento das atividades no comércio, nos serviços e nos transportes.

Nesse momento, é muito importante ter informações como essa mais perto de você.

Agora é possível acompanhar os dos dados da Covid-19, diretamente pela sua plataforma Profit. Eles são referentes ao Brasil e aos principais países do mundo, e você pode visualizar os dados de casos confirmados, casos recuperados e óbitos. Confira abaixo um exemplo:

 

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Ainda, é possível adicionar indicadores no gráfico escolhido, para, por exemplo, conferir a força da curva de cada status.

Esse momento é de cuidado e responsabilidade global, e a Nelogica está preparada para te ajudar, principalmente com as informações corretas, já que são peça-chave no combate à pandemia do vírus.

E a crise termina quando?

Além das informações que temos dia após dia, é difícil obter respostas mais concretas, isso porque esse momento é diferente de tudo o que já vivemos.

Segundo analistas, o  PIB do Brasil deve demorar para voltar aos níveis do primeiro trimestre de 2014 – antes da recessão de 2014 e 2016 -. Avaliando a média e a mediana das recuperações econômicas depois de todas as contrações do PIB desde 1980, as simulações apontaram para uma forte retração da economia brasileira em 2020, não importando o ritmo do crescimento posterior à pandemia.

A crise de 2008 não se parece em nada com a de 2020

A crise atual já é tão forte ou mais que a de 2008, e os mercados já perderam mais em valor do que no crash de 1929.  Quer saber as principais diferenças?

  • Na crise do Subprime, a segunda maior economia do mundo, a China, não teve mais do que uma contração moderada, enquanto os efeitos da crise atual são muito mais fortes, uma vez que a maior economia da Ásia teve períodos de quarentena total em diversas regiões.
  • Enquanto a crise de 2008 se disseminou simultaneamente no mundo todo, a pandemia atual vem impactando os países de modo que cada um tenha um pico de casos da doença, um momento de isolamento total da população e um ápice na paralisação da atividade econômica diferente do outro.
  • Enquanto 2008 se concentrou nos setores financeiro e imobiliário, a crise atual afeta também todos os segmentos não financeiros da economia global.

Analisando principalmente essa última diferença, o relaxamento da política monetária das economias acaba não sendo tão eficaz nesse momento, como foi por exemplo há 12 anos atrás. Isso porque os setores mais afetados agora, reagem menos a uma redução de taxa de juros, por exemplo, do que o setor financeiro, como foi o caso principal.

A crise atual é mais desafiadora e o mundo, particularmente o Brasil, tem menos instrumentos para enfrentá-la do que tinha em 2008. Uma recessão é amplamente esperada e o futuro é bastante incerto.