O que é e como operar na Bolsa de Valores
O que é e como operar na Bolsa de Valores

O que é a Bolsa de Valores e como operar?

Ganhar dinheiro com operações na bolsa de valores é a meta de muitas pessoas, mas o excesso de termos complexos e a falta de um local que reúna as informações necessárias acabam afastando o investidor iniciante.

Está querendo entrar para esse mundo? Não se preocupe: reunimos neste artigo tudo o que você sempre quis saber sobre o que é e como operar no mercado financeiro, de forma simples e sem enrolações, com um entendimento completo do assunto. Confira!

O início da Bolsa de Valores brasileira

Que a Bolsa de Valores brasileira é uma das principais do mundo, muita gente sabe.

Agora, ela nem sempre foi como conhecemos hoje, sendo resultado de uma série de fusões de outras bolsas.

Até o começo da década de 60, o Brasil tinha 27 bolsas de valores. Era uma para cada estado, todas regidas pela Secretaria da Fazenda. Assim, com a reforma do sistema financeiro, elas deixaram o governo e viraram independentes, tornando-se associações civis sem fins lucrativos.

A já então denominada Bovespa, começou a crescer em relação a maior bolsa brasileira, que na época era a do Rio de Janeiro. E foi em 2000 que as duas bolsas fizeram um acordo com as demais que ainda restavam no país e as incorporaram. A Bovespa ficou com as negociações de companhias abertas e títulos privados. Já a bolsa do Rio de Janeiro, com os títulos públicos.

Adeus, pregão viva voz

Agora, sabe aquela gritaria típica em pregões, que muito era retratado em filmes sobre mercado financeiro? Realmente aconteceu, até 2009.

O pregão viva voz foi substituído pelo eletrônico, pelo crescente volume de novas empresas que começaram a realizar suas ofertas públicas iniciais de ações. Primeiramente, isso ajudou a causar o aumento da participação de investidores estrangeiros no volume total de negociações, além da entrada de novas tecnologias.

A grande mudança relacionada ao mercado de capitais – mercado que trata de títulos, ações e derivativos – do Brasil ocorreu em 2008, ao fazer da bolsa de valores brasileira como você enxerga hoje. Anunciaram a fusão das duas bolsas, a BM&F e a Bovespa, ficando, assim, conhecida como BM&FBOVESPA.

A BM&F (Bolsa de Mercadoria e Futuros), antes mesmo da fusão, era considerada a maior bolsa do país. O volume de negociações de contratos futuros de commodities, moedas, taxas e índices supera, até hoje, o volume de ações empresariais.

O nome BM&FBOVESPA não perdurou por muito tempo. Assim, em 2016, aconteceu a fusão com a CETIP – companhia de capital aberto que oferece serviços de registro, central depositária negociação e liquidação de ativos e títulos – e agora chamamos a bolsa de valores brasileira de B3 (Brasil, Bolsa, Balcão).

A B3 tem batidos recordes e é a Bolsa de Valores que mais cresce em 2018, com também um crescente número de investidores ativos.

Os segmentos BM&F e Bovespa

Basicamente a B3 é uma Bolsa unificada, porém ainda é dividida em dois grandes segmentos. O primeiro é o segmento Bovespa, que se refere ao mercado à vista. Então sempre quando falamos no mercado Bovespa, estamos falando de ativos como ações, fundos imobiliários e títulos de renda fixa.

Já o segmento BM&F, se refere ao mercado futuro, onde basicamente são negociados contratos futuros de dólar, Índice Bovespa e commodities como boi gordo, café e milho.

Entendendo como a Bolsa funciona

A bolsa pode parecer um bicho de sete cabeças para quem não está familiarizado com o mundo financeiro. O senso comum diz que operar é algo que apenas grandes investidores com grandes fortunas podem fazer, mas o senso comum está errado nesse caso. Na prática, hoje qualquer pequeno investidor pode entrar na Bolsa, pelos baixos custos se compararmos com outras épocas.

Os americanos possuem a forte cultura de investir em ações, o que faz com que o mercado internacional tenha muita influência na B3. Grande parte do nosso volume financeiro é negociado por investidores estrangeiros.

A euforia do mercado de ações chama a atenção. O sobe e desce, as operações lucrativas, as perdas estrondosas e o difícil vocabulário e termos usados no mercado financeiro fazem parecer mais complicado do que realmente é.

Mas afinal, o que é a Bolsa de Valores?

O mercado financeiro como um todo é o universo que envolve as operações de compra e venda de ativos financeiros, como valores mobiliários, mercadorias e câmbio, ou seja, é todo o ambiente que envolve as operações de investimentos financeiros.

Dentro desse ambiente, existe uma plataforma de negociações de ações de empresas de capital aberto. E essa é a base principal da bolsa de valores, ações! Ações de empresas, empresas reais que obtém lucro ou prejuízo. Essas empresas lançam ações no mercado para captar dinheiro de investidores de forma barata. E se você adquirir uma ação, por exemplo, da empresa X, você vira sócio e acionista.

Sendo simplista, uma ação é a menor participação possível no capital de uma empresa, e ao fazer a compra, você se torna sócio dela.

E não se assuste com as classificações de ações a seguir, é fácil entender:

Ações Ordinárias

Que dão o direito ao recebimento dos dividendos (que é a parcela do lucro apurado por uma S.A.) e poder de voto nas assembleias.

Ações Preferenciais

Dão direito ao recebimento dos dividendos também, mas com preferências, sendo maiores que os das ações ordinárias; e deixando de oferecer poder de voto nas assembleias.

Dentro dessas duas classificações, os papéis são classificados também pela liquidez. Ações com maior visibilidade possuem mais liquidez. Quanto mais liquidez, mais volume de transações elas podem registrar.

Agora, lembra da fusão das duas bolsas de valores? Na bolsa de valores brasileira você pode negociar também:

  • títulos de renda fixa;
  • contratos futuros de moedas;
  • contratos futuros de índices;
  • opções de ações.
  • contratos futuros de commodities;

Ou seja, toda a parte de negociações que a BM&F cuidava antes da fusão.

Desvendando o sobe e desce

O futuro é incerto, e essa é a única afirmação atemporal que podemos fazer quando tratamos do mercado de capitais.

Empresas, essas mesmas que foram mencionadas anteriormente, podem ter ganhos ou perdas, aumentar ou diminuir o market share, alterar seus custos, ter um resultado de balanço patrimonial que retrata positivamente ou não a empresa. Companhias tem altos e baixos, e isso reflete nos preços das ações, diariamente.

Outros mercados negociados na bolsa também enfrentam o sobe e desce, e mesmo que por motivos distintos, há uma relação de causalidade.

O mercado de opções está diretamente relacionado com os ativos das companhias. Porém quando a B3 está em queda, a tendência é de elevação no preço do dólar, já que o índice no vermelho costuma ser acompanhado por uma fuga de capital do Brasil para outros mercados.

As notícias e projeções chegam aos analistas e investidores e esses podem mudar suas percepções de lucratividade do ativo. Se a empresa X entrega menos lucros, então deve valer menos. Investidores compram ou vendem ações com base no que eles acreditam que a companhia deva valer. Essa é a lógica usada.

As diversas análises começam a se desenvolver a partir da tentativa de precificar a lucratividade dessas empresas, e avaliar a tendência de compra ou venda. Essa tendência que tentam reconhecer é o ponto chave dos especuladores.

Especuladores são os vilões do mercado?

Sabe esse esforço que os analistas e investidores fazem para tentar prever o valor que uma empresa tem? Especuladores não se preocupam tanto com o valor de uma companhia, e sim com o preço que o ativo vale.

Então, considere o mercado não somente feito por investidores, mas também especuladores. Especuladores buscam tirar dinheiro do mercado.

E tirar dinheiro do mercado não faz de você um vilão. Eles dão liquidez e ajudam para que investidores entrem e saiam de operações a hora que quiserem. Além de ajudar a precificar os ativos.

É é claro, especuladores assumem mais riscos, principalmente no curto e curtíssimo prazo. Com a venda a descoberto, os movimentos de queda e alta são bem mais intensos.

O temido risco

Assumir riscos faz parte da vida e no mercado financeiro não é diferente. Com certeza você já ouviu a famosa relação “risco x retorno”. Isso porque em todo o investimento, há uma dose de risco, que será proporcional ao retorno e a variabilidade do retorno esperado do investimento.

Lembra das oscilações de preço? Se há eventos ou fatos que podem impactar o mercado, o preço dos ativos vão oscilar, mesmo que eles não estejam correlacionados. E isso sempre vai acontecer. E é nesse contexto que os riscos vão aparecer.

Mas não se apavore: o segredo é conseguir driblar esses riscos e não fazer das operações um cassino. O mercado financeiro exige pesquisa, dedicação e de entendimento da psicologia que há por trás.

Essa incerteza toda que paira sobre o mercado quando há fortes acontecimentos ou informações divulgadas de empresas, mexe com o nosso psicológico, justamente pela incapacidade de prevermos o futuro.

Tendo consciência disso, podemos afirmar que o mercado é ineficiente a curto prazo. Com isso, muitas ações acabam sendo negociadas com preços descolados da realidade. E é nesse momento recorrente que você deve construir uma estratégia eficaz.

As consequências negativas do risco existem para aqueles que tratam a bolsa de valores como uma brincadeira onde tudo depende da sorte. Saiba se preparar!

Outros conceitos básicos para entender a Bolsa de Valores

Depois de todo o contexto histórico, de entender do que o mercado de capitais é feito e do que está por trás, veja algumas últimas informações que vão te ajudar a complementar o entendimento da bolsa de valores:

Índice Bovespa

Você já ouviu, correto? Ou pelo nome de Ibovespa, ou IBOV. Estamos sim falando do mesmo conceito.

Não seria modesto escrever que é a maior representação da bolsa. O índice é uma carteira teórica de ações, formado pelas mais negociadas na bolsa, servindo como um termômetro do mercado.

Como as principais ações o compõem, quando esses ativos apresentarem queda, o índice cairá junto. Assim, você pode “apostar” no seu resultado e de como você acha que o mercado vai reagir naquele dia antes das operações começarem. Sim, é possível negociar o índice na bolsa de valores.

Para investir nesse índice, você precisa adquirir contratos futuros do Ibovespa, através do mercado de futuros. Nesse mesmo mercado que você pode investir em commodities e dólar, por exemplo.

Leilões

Nem tão comum de ouvir, mas muito importante entender.  Os leilões são uma forma de organizar as ofertas de compra e venda de um ativo, antes mesmo do mercado abrir de fato. Então de modo a estabelecer o melhor preço e uma maior parte de investidores seja atendida.

Isso é preciso quando há grande fluxo de notícias importantes para um determinado ativo, quando sociedades corretoras relatam problemas técnicos, e antes dos mercados abrirem.

Como operar na Bolsa

Junte todas as dicas que foram fornecidas e o entendimento do mercado com o que vem a seguir. Você vai saber por onde começar!

Sabe receita de bolo? Esses são os ingredientes que você precisa para começar uma operação:

Crie um fundo reserva

O “criar um fundo reserva” não está no topo por um acaso. Antes de pensar em começar a investir, mesmo não existindo um mínimo para operações, crie uma conta somente para seus investimentos.

Então, não entre no mercado financeiro com o dinheiro que você paga suas contas! Esse talvez é um dos maiores motivos pelo qual mais de 90% larga a bolsa de valores depois das primeiras operações com prejuízo. Ter um fundo destinado somente à isso é essencial.

Informe-se com as últimas notícias do país e do exterior

No mundo globalizado, muita coisa está correlacionada. Por exemplo, um furacão nos Estados Unidos pode ter efeito sobre o estoque de petróleo e afetar as ações das empresas daquele setor. Ou ainda a decisão da taxa de juros americana impactar na cotação do dólar.

Desta forma, saiba interpretar as consequências que algumas ações ou decisões podem causar. Pensar como um verdadeiro analista é fundamental. Informação é tudo!

Saiba os horários das negociações

Os horários de negociação dos ativos são diferentes. Basicamente o mercado abre às 9:00h para os mercados de commodities, futuros de índice e dólar. Às 10:00h abre o mercado de ações e opções.

Todos os mercados possuem pré abertura com exceção do mercado de commodities, todos têm call de fechamento e apenas o mercado de ações possui after market (oferece operações e ajustes para operadores que não conseguiram durante o horário de pregão normal, com limites de oscilação).

Preste atenção em épocas com o horário de verão. As negociações na B3 normalmente ganham 1h a mais, das 10h às 18h (o normal seria até as 17h), sem after market.

Escolha uma corretora

Escolher uma corretora é uma importante missão. Você precisa prestar atenção principalmente nos seguintes aspectos:

  • O atendimento prestado;
  • A reputação;
  • Os serviços disponibilizados;
  • As taxas.

Tenha ciência dos custos fixados

Saiba ainda que você terá custos, como a taxa de corretagem  emolumentos – que são taxas da própria B3 – e o Imposto de Renda. Esses são os principais e é preciso estar ciente que eles existem.

Entenda as regras da Bolsa

Separamos também um vídeo do nosso Curso de Introdução ao Day Trade para te ajudar a entender as regras da Bolsa, confira a seguir: 

Descubra o melhor horário para operar

Isso depende muito do perfil do trader. Normalmente os horários preferidos são na abertura e no fechamento da bolsa, por um maior volume de negociações. Escolha com base na sua lógica de estratégia  e o ativo que você optou negociar.

Defina sua estratégia de atuação

Definir seu método, estudá-lo, saber como utilizar e lidar bem com perdas é essencial. Elas vão acontecer, não há como ganhar dinheiro na bolsa de forma consistente. Dessa forma, avalie o que o dinheiro representa pra você. Bons investidores e bons traders sabem unir visão saudável do dinheiro, técnica e acompanhamento constante do mercado.

A escolha dos métodos é a primeira etapa da sua estratégia para operar. Nunca esteja à mercê da sorte. Conheça a fundo as técnicas que você decidiu adotar, a diferença vai ficar evidente na sua conta.

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