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O que esperar com 1 milhão de CPFs cadastrados na Bolsa de Valores?

Atingimos a marca de 1 milhão de CPFs cadastrados na bolsa de valores. Essa é uma notícia de fácil entendimento; mas a que de fato esse dado nos remete?

Algumas perguntas surgem quando analisamos nosso atual cenário: teria o brasileiro se tornado melhor educado financeiramente? Significa esse um bom crescimento para o mercado de capitais? Quais os fatos por trás dos números que o trader deve saber? Reunimos nesse artigo algumas das respostas que irão fazer você entender porque chegamos nesse patamar e o que podemos esperar para os próximos anos.

Saiba o que há por trás desse dado

Houve um crescimento disparado de novos investidores na bolsa de valores, principalmente de 2016 para cá. Isso é fato; e vamos tratar dele um pouco mais para frente. O que primeiro você deve saber e que esse número e um pouco mais tímido do que parece, por algumas importantes razões.

É um número mais simbólico do que exato

É óbvio que devemos comemorar o fato de que mais pessoas estão migrando para o mercado de capitais. Mas fique atento que esse registro é um pouco menor.

A bolsa considera os CPFs cadastrados em cada agente de custódia, ou seja, se a pessoa têm conta em mais de uma corretora, ela é contabilizada mais de uma vez, o que deixa o dado menos exato.

1 milhão de bons traders?

Ok, é maravilhoso que há um crescimento no número de investidores ingressando na bolsa de valores. Com isso, também podemos dizer que ela está deixando de ser considerada, por muitos, a vilã do mundo financeiro. Mas até que ponto esses novos investidores e traders entram com a carga necessária de conhecimento?

Há um ciclo que atinge uma esmagante parte de quem entra para o mercado:

    • Começar sem conhecimento e direto na conta real;
    • Operar com o dinheiro que se paga as contas;
    • Devolver tudo ao mercado;
  • Colocar a culpa do prejuízo no sistema.

É preciso entender que talvez esse crescimento não necessariamente signifique mais pessoas preparadas e prontas para entrar nas operações.

Mas afinal, é realmente um grande número de pessoas?

Sempre que temos um dado, devemos analisar seu parâmetro. Sendo um pouco mais objetiva, quando pensamos em 1 milhão, mesmo com os casos de dupla contagem, temos a impressão que grande quantidade da população brasileira adotou a renda variável para fazer parte de seus investimentos.

Vamos primeiro analisar seu crescimento. Há dez anos, a bolsa de valores tinha um pouco mais de 500 mil CPFs cadastrados, ou seja, praticamente metade do que possui hoje. Só em 2018, foram o total de 194 mil novos investidores. E a incrível contagem de 170 mil novos cadastros apenas no primeiro trimestre deste ano.

Agora, ao analisar as S.A., seu número caiu para menos de 350 empresas listadas, mas o valor de mercado dessas companhias cresceu, principalmente de 2016 para ca.

Agora vamos a principal pergunta que surge após a leitura desses últimos parágrafos: tal crescimento se deve a que?

O mercado de ações nos últimos anos cresceu consideravelmente. O Ibovespa conseguiu uma alta considerável de 27% no fechamento do ano de 2017 e 15% no fechamento do ano de 2018. Esse cenário despertou a atenção de uma grande fatia da população brasileira, que até então nunca tinha pensado em entrar para o mercado de capitais.

Lembrando a questão de parâmetros, se formos pensar em outros países, como os Estados Unidos, mesmo com uma boa parte da população tendo migrado para os investimentos em ativos, nosso número ainda é bastante baixo.

Por volta de 52% da população americana (que têm aproximadamente o total de 326 milhões de pessoas) investe em ações, direta ou indiretamente.

Nosso 1 milhão pode ser considerado uma marca digna de comemoração, mas ainda assim, uma marca tímida.

Porque nossa população ainda têm medo da renda variável?

Porque o brasileiro têm tanto medo de investimentos que precise assumir riscos?

Pense um pouco sobre nosso passado econômico. Foram períodos de inflação, confisco da poupança, um histórico contínuo de altas taxas de juros, tudo isso entre constantes conflitos políticos.

É natural que grande parte da população prefira segurança a rentabilidade na hora de investir. Tudo isso unido a falta de educação financeira desde cedo.

Podemos notar com esse crescimento, que o brasileiro médio têm percebido as vantagens da renda variável. Mais que isso, uma parte significante têm entrado na bolsa de valores querendo pegar carona no melhor momento do mercado.

Apenas alguns cuidados devem ser tomados. Esse mundo exige conhecimento e dedicação, da mesma maneira que as pessoas se dedicam para suas profissões. É preciso que você esteja ciente que operar na bolsa não é um jogo de azar.

Hora de dizer adeus a poupança?

A maioria dos brasileiros ainda têm a maior parte do seu capital investido na Poupança – a aplicação de renda fixa com menor rendimento. Bom, lembra da falta da cultura de educação financeira que comentamos? Em grande parte esse fato se deve a isso.

A falta de conhecimentos sobre investimentos faz com que os indivíduos, que teriam potencial de otimizar seus ganhos, acabam investindo na pior escolha de rentabilidade. Pelo excessivo medo dos riscos e, consequentemente, de possíveis perdas que o mercado de renda variável pode oferecer.

Mesmo assim, tudo indica que caminhamos para um futuro otimista. A caderneta de poupança registrou uma captação negativa pela segunda vez consecutiva em 2018. Isso é motivo para diversas instituições financeiras comemorarem e esperarem um aumento em investimentos mais conscientes para os próximos anos.

A aposta é que, com a economia do país melhorando, as taxas de juros em queda, e cada vez mais material disponível, mais pessoas deixem os investimentos com baixíssima rentabilidade e se interessem pelo mercado de capitais.

Além disso, pense que é esperado que o número de empresas listadas na bolsa cresça nos próximos anos. Com tudo alinhado, podemos esperar que a renda variável supere a renda fixa em futuro próximo.

Bom seria se todos operassem no mercado financeiro

Em diversos outros países, a grande quantidade de pessoas físicas investindo na bolsa valores, deixa o sistema financeiro mais democrático e seguro.

No Brasil, temos uma espécie de conto que paira sobre os leigos do mercado. O de que apenas pessoas ricas investem nos mercados da B3. O efeito colateral e a população acreditar que aquele assunto não lhe pertence.

Frente a essa valorização da bolsa, o que esperamos e uma maioria ciente de que basta busca de conhecimento e dedicação para saber lidar com a relação risco X retorno que tanto ainda apavora grande parte dos indivíduos. De que a bolsa de valores não precisa ser algo exclusivo para uma pequena parcela da população e que a participação de uma maior parte pode ser extremamente também benéfico ao país.

Resta a nós disseminar conhecimento e descomplicar a linguagem do mercado financeiro, levando conteúdo de qualidade a milhões de brasileiros, com o intuito de que sejam cada vez mais educados financeiramente e entendam que qualquer pessoa pode investir na bolsa de valores.