Paula Reis e a busca por um mercado financeiro com mais mulheres

Confira a entrevista com a trader Paula Reis, fundadora do canal Mulher Trader

Para a trader Paula Reis, operar na Bolsa de Valores é, além de sua principal fonte de renda, um convite para mais mulheres conhecerem as oportunidades do mercado financeiro. Um processo que, segundo ela, deve ser de catequização.

Isso porque historicamente o acesso das mulheres ao dinheiro, assim como à autonomia financeira, é muito recente. No Brasil, foi apenas em 1962 as mulheres conquistaram o direito de trabalhar e abrir contas em bancos sem a autorização dos maridos. 

Hoje, os CPFs femininos representam cerca de 29% do total de investidores, de acordo com dados da B3 de janeiro de 2022 – uma queda frente a participação de 33% registrada no mesmo mês do ano anterior. 

Mas se depender de Paula, a representação das mulheres na B3 tende só a crescer!

Após alcançar a tão desejada consistência em suas operações, Paula se aventurou na produção de conteúdo. Atualmente, oferece cursos de fluxo grafista e também criou o canal Mulher Trader no Youtube! Nele, Paula tenta descomplicar o mundo da renda variável, dando uma roupagem feminina para os conteúdos. Atualmente, o Mulher Trader tem mais de 6 mil inscritos.

“Eu percebi a necessidade de ensinar sobre como conquistar um método operacional e ter consistência, olhando para os operadores iniciantes, mas também para as mulheres. A independência financeira feminina é muito recente no Brasil, então é preciso, além de educação financeira, uma quebra de paradigma”, diz a trader. 

No entanto, mesmo que a busca por mais diversidade no mercado seja um bandeira que Paula carrega todos dias, sua atuação acontece na frente de um gráfico, como day-trader profissional.

Nesta entrevista que concedeu para a equipe Nelogica Paula falou um pouco mais sobre sua jornada no mundo da renda variável e o que precisa ser feito para atrair mais mulheres ao mercado! Confira alguns dos pontos abordados nesse bate-papo:

 

Nelogica – Quais foram as principais dificuldades e aprendizados que você passou ao trocar uma carreira mais tradicional para empreender no mundo do day-trade?

Paula Reis – A principal dificuldade foi o planejamento financeiro mesmo. Quando eu decidi me tornar trader eu já tinha saído de uma carreira tradicional em um banco brasileiro, empreendido como uma loja de lingerie que não deu certo, então eu tinha pouco capital para começar a operar.

Enquanto eu estudava day-trade em 2016, fiquei prestando consultoria financeira a um antigo cliente, que não tinha relação com investimentos, com quem fiquei até 2019. Ou seja, fiquei 3 anos pagando boletos com minha consultoria e aprimorando meu operacional. A partir de 2019, comecei a me dedicar somente ao day-trade e está dando resultado!

Se a pessoa não tiver estabilidade financeira antes de começar a operar é muito difícil conseguir controlar o emocional no início dos trades.

Muitos seguidores e seguidoras me mandam mensagem dizendo que acabaram de perder o emprego e que querem usar o FGTS ou a rescisão para investir na carreira de day-trader e eu desaconselho. É preciso primeiro ter estabilidade financeira antes de pensar no day-trade como principal fonte de renda! 

 

Nelogica – E como a produção de conteúdo entrou na sua vida?

Paula Reis – Depois de criar consistência, eu senti que havia uma necessidade de ensinar sobre como conseguir criar um método operacional e ter consistência. Então decidi criar um conteúdo mais simples e objetivo, mas dar uma roupagem feminina, porque atrair mais mulheres é uma tarefa um pouco de catequização, de pegar na mão. Foi assim que surgiu o canal Mulher Trader.

 

Nelogica – O que é preciso ser feito para que esse fomento à diversidade de gênero no mercado financeiro gere efetivamente a entrada de novas operadoras pessoa física?

Paula Reis – A questão financeira ainda é o principal motivo que barra a entrada de novas operadoras. As mulheres passaram a ter independência financeira há muito pouco tempo, o acesso à capital é muito recente, começou em 1962 no Brasil. 

Nós estamos na segunda geração de mulheres que têm essa autonomia de trabalhar e cuidar do próprio dinheiro, uma conta corrente em seu nome e tudo mais. Isso pode parecer que não impacta na geração de 2000, mas ainda impacta, pois se as mães, tias e avós não tiveram essa cultura de investir, elas não vão passar para as gerações seguintes.

Por isso, acho que para uma entrada mais efetiva de mulheres no mercado é preciso de uma quebra de paradigma. Além disso, também tem muito a questão das mulheres viverem uma dupla jornada: trabalham e são chefes de família. Muitas se preocupam em guardar dinheiro, mas ainda veem a Bolsa de Valores como um ambiente de risco. Esta quebra de paradigma cultural é mais urgente do que a parte educacional. 

 

Nelogica – A sua principal escola de análise no day-trade é a gráfica. Por que você escolheu este tipo de análise e quais os indicadores e ativos que você mais utiliza em seu dia a dia?

Paula Reis – Eu sempre achei que a leitura de fluxo fazia muito sentido e que é muito importante saber como os players institucionais estão se posicionando, por isso eu estudei tape reading por alguns anos, mas tive muita dificuldade  em acompanhar o Livro de Ofertas e todas as outras ferramentas na velocidade do Índice (WINFUT) e dólar (DOLFUT). Por isso, eu me mantive na análise gráfica por ter mais domínio. No entanto, foi quando eu conheci o Ciclo de Wyckoff¹ que descobri que eu realmente seria trader.

Os indicadores que eu uso para isso é só o Volume Financeiro do Profit e a regra de coloração, que marca o volume de cada candle de uma forma visual. Os ativos que eu mais opero são o dólar e as commodities agrícolas no day-trade.

¹O Ciclo de Wyckoff é um método criado em 1930 que mescla o fluxo com o gráfico dentro da análise técnica. O Ciclo é distribuído em acumulação, markup, distribuição e markdown.

 

Nelogica – Momentos como o que estamos vivendo agora, com muitas incertezas sobre os rumos da economia e política, afetam de forma a volatilidade do mercado e, consequentemente, a atividade do trader?

Paula Reis – O mercado é extremamente dinâmico e é muito importante estar antenado em todos os fatores macro até para adaptar a estratégia operacional ao cenário externo. Então quando um trader está numa sequência de loss, ele tem que avaliar se esse contexto do mercado não trouxe alguma variável e que ele tenha que ajustar sua estratégia.

É importante saber que no fim do ano a volatilidade é diferente, assim como quando há vencimento de opções e divulgação dos balanços. Tudo isso, mais as breaking news e eventos econômicos devem estar na agenda do trader.

Nesses períodos de incerteza a gente também precisa falar sobre diversificação. É fundamental ter uma carteira diversificada para ter mais equilíbrio em cenários de crise.

 

Conclusão

E aí, o que achou dessa entrevista com a trader Paula Reis? Se você quer fazer como ela e operar na Bolsa de Valores com a melhor plataforma do mercado, faça um teste gratuito do ProfitPro e conheça a plataforma preferida dos traders brasileiros. Se você gostou dessa conversa, confira também a entrevista que fizemos com a analista financeira e trader Martha Matsumura!

Siga nos acompanhando no Blog da Nelogica para saber sobre tudo que envolve o mercado financeiro. Bons gains e até a próxima!