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Por que a volatilidade na Bolsa aumenta tanto com as eleições?

Estamos cada vez mais próximos do nosso maior evento político do ano. Aquele que inflama discussões e egos, fomentando brigas acirradas nas redes sociais. Isso mesmo, estamos próximos das eleições. Para você que acompanha o mercado financeiro, esse momento tem um ingrediente em especial, que é o aumento da volatilidade no mercado financeiro, gerando por um lado pânico, e por outro lado expectativa.

Por que ocorre esse aumento na variação dos preços das ações, do dólar, do índice futuro? Volatilidade alta é incerteza alta. Em um contexto como o nosso, em que não há ainda uma projeção clara de quem vai ser o próximo presidente do Brasil, tendo apenas expectativas de alguns que já despontam, o Mercado Financeiro olha para esse cenário e pensa: corro para qual lado?

Sem citar ou projetar nomes, esse artigo trata de três pontos fundamentais que explicam os motivos da alta influência das eleições de 2018 no mercado:

Expectativa da resolução do problema fiscal

O próximo presidente do Brasil, independentemente do partido ou ideologia, vai receber um belo “presente de grego” desde o momento que colocar os pés no Palácio do Planalto. O Brasil passa por um momento delicado no tocante à sua situação fiscal, fato que desemboca inevitavelmente em uma reforma do sistema do previdenciário.

Como conduzir essas reformas? Esse é o grande desafio do próximo presidente. Tentar mudar as regras da aposentadoria de qualquer nicho brasileiro, seja de baixo ou alto escalão, é mexer em um vespeiro: não importa o que vai ser feito, a certeza é se machucar.

O mercado tem olhar atento para isso, pois o agravamento da situação fiscal brasileira indica que o governo pode, em algum momento, não honrar seus compromissos, sufocando o setor privado nacional para poder honrá-los. E isso não é nada bom para investimentos alocados por aqui.

Mudança de perspectiva do investidor estrangeiro

O maior investidor do mercado brasileiro é aquele que vem de fora. O gringo quer saber se a projeção econômica do país é boa, se o Risco-Brasil está baixo (ou tende a baixar)… e se o próximo presidente vai trabalhar para manter as contas públicas em dia e gerar um terreno fértil para investimentos. Ou seja, quer saber se pode apostar nas empresas e nos títulos públicos de um país. Em momentos passados o Brasil teve ciclos de cheia na Bolsa, com alta injeção de capital de fora.

Vivenciamos nos últimos meses episódios de alta tensão na nossa política, como o impeachment, prisões pela Lava-Jato e a delação da JBS. Quem acompanhou esses eventos comparando com a entrada e saída do fluxo dos estrangeiros no mercado de ações nacional, percebeu a importância deles na precificação dos nossos ativos.

Corrida para o dólar em tempos de crise

Tudo que envolve o mercado financeiro é especulação, em maior ou menor grau. Nesses cenários incertos, no entanto, a tentativa de precificação dos ativos geram movimentos muito mais agressivos. Recentemente o câmbio se desvalorizou abruptamente, chegando na faixa de R$ 3,90/USD. Certamente, os fatores externos favorecem muito essa variação, porém, não ter ideia de quem será o próximo presidente do Brasil também favorece a depreciação. Crise, em regra, significa dólar para cima, pois é um ativo mais seguro que o real para o cenário internacional, sendo um termômetro do mercado.

Após os resultados de pesquisas eleitorais nos últimos dias, houve alvoroço no mercado de dólar; para frear qualquer movimento demasiado, o Banco Central atuou com swaps cambiais, acalmando o mercado e travando a subida de preço dessa moeda frente ao real.

Nesse momento de alta volatilidade, investidores correm para o dólar, montando altas posições compradas e stopando grandes posições vendidas, o que favorece ainda mais a subida do ativo. Por outro lado, estar comprado no dólar em qualquer ação forte do BC é prejuízo na certa.

E o que vem agora?

Todos esses aspectos contribuem para que as eleições sejam, de fato, o evento que mais vai trazer volatilidade para a Bolsa de Valores brasileira. Nesse momento, todo cuidado é pouco. Pela imensa quantidade de fatores envolvidos, saber identificar as melhores oportunidades e calcular os riscos é ainda mais fundamental.

Para você, trader, que está lendo: não cometa loucuras, reduza suas posições, calibre seus stops, tente surfar as ondas de gain que o mercado te proporcionar, e mantenha a disciplina. Tenha calma e tranquilidade sempre! Sorte em suas operações!

Abraços,
Lucas Chagas