Quanto está o dólar. Entenda os principais fatores de impacto no câmbio
Quanto está o dólar. Entenda os principais fatores de impacto no câmbio

Quanto está o dólar? Entenda os principais fatores de impacto no câmbio!

As cotações de moedas são bastante complexas e dependem de diversos fatores. O caso da cotação real-dólar não é diferente. Apesar de os fundamentos econômicos serem importantíssimos, principalmente em prazo mais longo, as cotações são definidas por oferta e demanda pelas mesmas.

A evolução da agenda econômica pode, a princípio, dar um norte para o investidor de como a cotação mais operada do país pode evoluir. Quer entender o que de fato precifica o câmbio? Então siga acompanhando esse artigo completo!

O atual patamar do câmbio

O real apresenta resistência para uma queda mais forte em relação ao dólar norte americano. A cotação, na casa dos 3,80 reais por dólar em julho de 2019, aumentou para acima de quatro reais por dólar, permanecendo superior a esse patamar.

Questões externas como guerra comercial, e sua consequente redução no crescimento das economias desenvolvidas, causam temor nos investidores. Em muitos casos, as incertezas acabam diminuindo a tomada de risco por parte de investidores globais, afetando a demanda por dólares norte americanos e geralmente valorizando a moeda forte. 

Entendendo os movimentos do dólar

Uma forma de analisar o comportamento da moeda norte americana é através do índice DXY, que revela a cotação do dólar frente a uma cesta de moedas de países desenvolvidos. Essa cesta apresenta alta em 2019: de uma mínima de aproximadamente 95 em janeiro para aproximadamente 99 no final do mês de setembro.

A amenização da guerra comercial, já bem encaminhada, além de notícias que foram consideradas positivas sobre o Brexit na primeira metade de outubro, ajudam a desvalorizar o dólar frente as moedas fortes. Muitas vezes esse efeito é repassado em cotações para mercados emergentes.

Menores incertezas e preocupações com a economia global devem ativar o “risk on” dos investidores das economias desenvolvidas, com maior disposição a investir em economias emergentes. Assim, aumenta-se a oferta de moeda forte nos mesmos. 

Efeitos da movimentação do dólar no real

O real, no início do mês de outubro, valorizou ante o dólar, mas a queda parece desproporcional dada a elevação da cotação ocorrida.

Os motivos já são citados na mídia: incertezas internacionais, investidores estrangeiros cautelosos com o país, a falta de dólares no mundo, diferencial de taxas de juros, a questão fiscal brasileira, o baixo crescimento do país, entre outros.

Crescimento econômico recente e a agenda econômica 

O crescimento econômico de ambas economias, Brasil e EUA, realmente pode ser importante no longo prazo para a cotação cambial. A economia brasileira cresce de maneira bastante lenta. Considerado um país emergente, a expectativa sobre o aumento do PIB no início de 2019, pelos economistas de mercado, encontra-se pouco superior a 2,5%  para o fim do ano. Passados três trimestres do mesmo ano, a expectativa fica inferior ou bem próxima a 1%.

Incertezas com relação à economia argentina e ao comércio internacional, além  da tragédia em Brumadinho contribuem de forma significativa para tal comportamento. Algumas questões internas também são relevantes: fica claro o avanço da agenda econômica, como na aprovação da divisão dos recursos advindos da cessão onerosa entre estados e municípios e na primeira das grandes reformas, a previdenciária, que caminha para seu desfecho.

Pelo lado negativo, há o atraso as reformas, que demoraram mais do que o esperado inicialmente para acontecer. A finalização da  reforma da previdência apenas se deu no último trimestre do ano, atrasando a retomada da atividade econômica.  Pelo lado positivo, várias outras grandes mudanças são colocadas como as próximas, o que mostra que a agenda econômica não deve parar de avançar. Citamos a reforma tributária, pacto federativo e a reforma administrativa.

Reforma tributária

Pelo menos três propostas para devem ser discutidas sobre o tema. Já há proposta no congresso e no senado, e ainda está sendo aguardada a proposta do governo. O intuito é de simplificar impostos e, no longo prazo, reduzir a carga tributária. 

Pacto federativo

Intuito de devolver aos políticos o poder, ou seja, a discricionariedade sobre os orçamentos governamentais. Atualmente quase todo o dinheiro é carimbado, ou seja, quase toda receita já tem um destino predefinido. Assim, o político não exerce uma de suas principais funções. 

Reforma administrativa

Mais uma medida para atacar o problema fiscal do governo brasileiro. Os altos salários recebidos por funcionários públicos relativamente ao setor privado estão na pauta para serem atacados. Rodrigo Maia argumenta que não deve alterar a estabilidade do servidor público. O mercado especula que pode haver pelo menos uma redução no número de horas, caso o funcionário não seja necessário no momento. Isso poderia diminuir a folha salarial do governo.

Além das três citadas, ainda na agenda do governo consta o processo de privatização, que deve ser acelerado. 

Importância das reformas no câmbio

A cotação real-dólar, entre 3,80 e 3,90 em janeiro deste ano, apresenta alta até meados de maio, com cotação que chegou a superar 4,20. No período, manchetes noticiam a divisão entre equipes do governo e do congresso nacional, o que pode atrasar e até ter como resultado a paralisação da agenda econômica.

Esse fato contribui consideravelmente para o aumento da incerteza e também para a desvalorização da moeda nacional. Com a diminuição da incerteza local, o real chega a voltar ao patamar entre 3,80 e 3,90, onde permanece por pouco tempo. Com reformas implementadas, o país deve começar a chamar mais atenção pela estabilidade segurança para investimentos de longo prazo.

As reformas podem afetar o câmbio por canais além de expectativas. As reformas devem trazer um crescimento maior e mais sustentável para o país, o que tende a atrair investimentos. Essa lógica ainda pode ser ampliada para o atual ciclo econômico.

Entenda as mudanças com as reformas

Os gastos do governo apresentam crescimento real próximo de zero e estão voltados para gastos correntes; sobra para o setor privado financiar os investimentos nesse possível ciclo de crescimento, o que deve atrair investidores internacionais. Juros mundiais, bastante baixos nos países desenvolvidos, contribuem para a procura retornos (yields) maiores ao redor do mundo. Assim, o Brasil pode ser uma grande porta de entrada de recursos externos nos próximos semestres.

A entrada de dólares no Brasil também pode ocorrer por privatizações/concessões. No calendário, há diversas concessões de aeroportos, ferrovias, saneamento, privatizações de estatais, venda de ações detidas pelo governo, entre outros. Os leilões relacionados ao petróleo são um excelente exemplo. Somente a cessão onerosa, marcada para o dia seis de novembro, pode atrair mais de R$100 bilhões em investimentos. 

Quais são as projeções para real e dólar?

A cotação entre duas moedas, ainda mais tratando com dólar, deve ser tomada com cautela. Há diversos acontecimentos internacionais que costumam afetar o valor relativo das mesmas. Entretanto, o andamento das reformas, com privatizações e concessões são um ponto importante que pode atrair um bom fluxo de moeda forte, valorizando o real.

Apesar de, no longo prazo, fundamentos econômicos terem maior influência sobre as moedas, as cotações são definidas por oferta e demanda das mesmas. Assim, o investidor deve estar atento aos possíveis fluxos de moeda forte no país que, nesse momento, parecem favoráveis para uma valorização do real.

Nesse artigo tratamos sobre a precificação e o impacto dos fatores político-econômicos nacionais e internacionais no câmbio. Para seguir acompanhando conteúdos diferenciados de mercado e de economia, leia mais sobre o preço do petróleo e seu impacto nos mercados mundiais!