Replay de Mercado (04/03/22)

Resumo com as principais notícias do cenário nacional e internacional que foram destaques nesta semana, de 28 de fevereiro a 3 de março

O mercado segue acompanhando a guerra entre Rússia e Ucrânia e seus desdobramentos na economia global. No caso do Brasil, o maior temor diz respeito à importação de fertilizantes da Rússia. O impasse neste caso é: se as importações não forem suspensas em razão do conflito, é provável que fiquem bem mais caras.

Ainda no cenário internacional, o discurso do presidente dos EUA, Joe Biden, ao Congresso americano e as falas de dirigentes do Fed também foram monitoradas.

Em solo nacional,  o mercado ficou de olho nas divulgações do PIB e da balança comercial brasileira.

Tudo isso e mais você confere nesta edição do Replay do Mercado

Notícias internacionais

Guerra entre Rússia e Ucrânia completa 9 dias com intensificação dos confrontos armados

Biden critica Putin, reitera apoio à Ucrânia e fala da inflação nos EUA em discurso ao Congresso

Lideranças do Fed projetam alta dos juros nos EUA em meio à inflação e conflitos no leste europeu

Notícias nacionais

PIB cresce 4,6% em 2021 e supera perdas da pandemia; país sai da recessão técnica

Brasil tem superávit comercial de US$4 bi em fevereiro, melhor resultado em cinco anos

Moedas pelo mundo

Ranking de Moedas

Mercado Fundamentalista

Insiders

Follow On e Aquisições

Maiores altas e baixas da semana

 

internacionais

Guerra entre Rússia e Ucrânia completa 9 dias com intensificação dos confrontos armados

A guerra entre Rússia e Ucrânia seguiu com ataques e bombardeios do exército russo, que na sexta-feira (4) ocupou a maior usina nuclear da Europa, localizada em território ucrâniano.  A semana que passou também trouxe novos desdobramentos econômicos gerados pela guerra, com impactos em toda cadeia global. Confira agora alguns dos principais pontos do conflito no leste europeu nos últimos dias.

Nesta semana, comissões dos governos russo e ucrâniano se reuniram duas vezes para um acordo de cessar-fogo. O primeiro deles ocorreu na segunda-feira (28) e não foi bem sucedido. O segundo foi realizado na quinta-feira (3), em duas rodadas de negociação, e houve avanço na viabilidade de corredores humanitários e de um cessar-fogo em torno deles, segundo anunciou o principal negociador russo, Vladimir Medinsky, descrevendo-o como “progresso substancial”.

No entanto, a Rússia segue escalando seus ataques em cidades estratégicas do país, como a capital Kiev.

Durante toda a semana, lideranças mundiais reiteraram seu repúdio à Rússia e ao presidente Vladimir Putin, assim como o apoio ao líder da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. As sanções de países como EUA e Reino Unido também começaram a vigorar e a surtir efeito frente à economia russa. 

Na segunda-feira (28), a Rússia mais que dobrou sua taxa de juros para 20% depois que a cotação do rublo despencou por causa das sanções. A Bolsa de Valores do país segue fechada em meio a temores de uma venda em massa de ações. O rublo russo atingiu novos recordes de desvalorização.

Outra sanção que já começa a ser sentida é a exclusão de sete bancos russos do sistema de comunicação interbancária Swift, que sustenta as transações globais, imposta pela União Europeia. 

Entre os bancos, que terão dez dias para encerrar suas operações no Swift, está o segundo maior credor da Rússia, o VTB, além de Bank Otrkitie, Novikombank, Promsvyazbank, Bank Rossiya, Sovcombank e VEB.

No entanto, os impactos também deverão ser sentidos no resto do mundo, principalmente no Brasil. Um dos motivos é em razão do fechamento do mar em Belarus, país vizinho e alinhado à Rússia, que impede a importação de fertilizantes pelo corredor logístico e assim encarece o insumo.

O céu russo e ucraniano também estão fechados para o trânsito de aeronaves, o que tem feito transportadoras aéreas a recalcular suas rotas e realizar viagens mais longas para a entrega dos produtos. 

Na terça-feira (1º), o presidente dos EUA, Joe Biden, também anunciou o fechamento do espaço aéreo norte-americano para voos que partem da Rússia.

Outro destaque negativo do conflito nesta semana foi a ameaça à Suécia e à Finlândia por parte da Rússia. O motivo é a possível entrada dos países na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). “Claramente o acesso da Finlândia e da Suécia na Otan, que é antes de mais nada uma aliança militar, teria repercussões militares e políticas sérias que demandariam uma resposta de nosso país”, declarou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia Maria Zakharova.

Biden critica Putin, reitera apoio à Ucrânia e fala da inflação nos EUA em discurso ao Congresso

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, cumpriu sua primeira agenda anual no chamado Estado da União, que é uma visita do chefe do Executivo ao Congresso, e usou seu discurso para falar sobre a inflação nos EUA e também a guerra entre Rússia e Ucrânia

Em sua fala, o democrata manteve a postura protecionista no que diz respeito à economia americana, informando que pretende cortar os custos e diminuir o déficit do país. Isto é: subsidiar a produção local de produtos para diminuir a dependência ao mercado externo. Tal ação, além de auxiliar na contenção da inflação, irá gerar mais empregos, segundo Biden. 

“Criaremos bons empregos para milhões de americanos, modernizando estradas, aeroportos, portos e hidrovias em toda a América”, prometeu.

Biden também usou o palanque para fazer duras críticas à Rússia e reiterar seu apoio à Ucrânia.

“Há 6 dias, Vladimir Putin, da Rússia, achou que iria abalar as próprias fundações do mundo livre, pensando que poderia fazê-lo se curvar aos seus caminhos ameaçadores, mas ele teve um erro de cálculo, ele se deparou com o povo ucraniano”.

Ele também abordou as consequências das sanções impostas aos russos e disse que seu governo irá proteger empresas e a população dos EUA e seus aliados por meio da liberação de estoques emergenciais de petróleo (60 milhões de barris), como forma de conter a alta no preço do barril a partir do conflito no leste europeu.

A movimentação busca mostrar ao presidente russo, Vladimir Putin, que o mundo não depende apenas dos estoques de seu país. 

Biden também usou o discurso, que durou pouco mais de uma hora, para falar sobre os avanços de seu governo, os projetos bipartidários e outras questões internas.

Lideranças do Fed projetam alta dos juros nos EUA em meio à inflação e conflitos no leste europeu

Durante os últimos dias, o presidente e dirigentes do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), realizaram pronunciamentos sobre o rumo da política monetária do banco frente a inflação persistente e a guerra no leste europeu. No cronograma esperado pelo mercado, neste mês de março deve começar o aumento da taxa de juros do Fed, o que não está confirmado, mas é quase certo

Entre as falas, o destaque ficou para o presidente do Fed, Jerome Powell, que fez comentários específicos sobre os impactos do conflito entre Rússia e Ucrânia. 

Segundo ele, a guerra pode atingir a economia dos Estados Unidos por uma variedade de canais, desde preços mais altos até redução de gastos e investimento, mas que ainda é difícil medir o impacto. 

“O que sabemos até agora é que os preços das commodities subiram significativamente, os preços da energia em particular. Isso vai afetar nossa economia dos EUA na forma de inflação mais alta pelo menos no curto prazo”, disse Powell ao Comitê Bancário do Senado.

“Além disso, podemos ver um declínio no sentimento pró-risco, então você pode ver menos investimento”, acrescentou. Mesmo assim, o presidente salientou que o Fed segue com os planos de elevar os juros neste mês.

Outros dirigentes são favoráveis a posturas mais agressivas: “Precisamos fazer mais. Precisamos continuar nos movendo…Não queremos pressionar os negócios, mas temos uma alta inflação e precisamos fazer ajustes agora”, disse o presidente do Fed de Chicago.

Já o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, disse estar aberto a subir a taxa de juros nos Estados Unidos quatro vezes em 2022, se a inflação no país não reduzir como esperado.

 

PIB cresce 4,6% em 2021 e supera perdas da pandemia; país sai da recessão técnica

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil avançou 0,5% no 4º trimestre de 2021 e encerrou o ano com crescimento de 4,6%, totalizando R$ 8,7 trilhões. O resultado trimestral tira o país da recessão técnica que se encontrava até então, após o PIB recuar 0,1% no 3º tri e 0,3% no 2º tri.

Já o avanço anual de 2021 representa a maior taxa desde 2010, quando houve expansão de 7,5%, e mostra recuperação frente às perdas de 2020, quando a economia brasileira encolheu 3,9% devido à pandemia, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicados na sexta-feira (4).

O resultado ficou em linha com o esperado pelo mercado.

“No ano em que a pandemia mais afetou a atividade econômica, o PIB caiu 3,9%. E, no ano passado, a economia se recuperou e superou as quedas”, afirmou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, destacando que em 2020 foi registrada a maior queda desde o início da série histórica atual do IBGE, iniciada em 1996.

O crescimento de 4,6% da economia em 2021 foi puxado pelas altas nos serviços (4,7%) e na indústria (4,5%), que juntos representam 90% do PIB do país. Por outro lado, a agropecuária teve queda de 0,2%.

O PIB per capita alcançou R$ 40.688,1 em 2021, um avanço real de 3,9% ante o ano anterior, mas ainda sem recuperar o padrão pré-pandemia.

Brasil tem superávit comercial de US$4 bi em fevereiro, melhor resultado em cinco anos

A balança comercial brasileiro registrou superávit de US$ 4,049 bilhões em fevereiro deste ano, segundo informou o Ministério da Economia na quinta-feira (3). O resultado foi o maior saldo comercial para fevereiro desde 2017, numa série histórica iniciada em 1989

O dado também veio acima da expectativa de mercado, que apontava saldo positivo de US$ 3,550 bilhões para o período, segundo pesquisa Reuters. O resultado do mês veio 108,9% acima do observado em fevereiro de 2021, quando houve superávit comercial de US$ 1,8 bilhão.

No total, as exportações somaram US$ 22,913 bilhões e as importações somaram US$ 18,863 bilhões.

Em relação ao índice médio de preços, houve alta de 13,5% no valor dos produtos vendidos pelo Brasil ao exterior, na comparação com fevereiro de 2021, ao mesmo tempo em que o valor dos importados subiu 30,9%.

Segundo a pasta da Economia, os dados de fevereiro não refletem os movimentos relacionados ao conflito entre Rússia e Ucrânia, visto que o mês passado teve apenas um dia útil após o início do confronto, no último dia 24.

O principal receio é de que as tensões na Europa e a guerra entre Rússia e Ucrânia gerem problemas para a compra de fertilizantes, ferramenta usada pelos agricultores para aumentar a produtividade do solo.

Vale lembrar que, em 2021, o Brasil teve um superávit comercial de US$ 61,2 bilhões, maior valor da série histórica iniciada em 1989. Para este ano, segundo estimativa apresentada em janeiro, o governo projeta novo recorde, de US$ 79,4 bilhões.

 

Ranking de moedas

O real voltou a se valorizar frente ao dólar nesta semana, amparado pela fraqueza da moeda americana frente a brasileira em razão do fluxo cambial. Com isso, o real fechou com alta de 1,79% no acumulado dos últimos dias, subindo da 8ª para a 3ª posição do “Ranking de Moedas”, ferramenta disponível no Profit Pro, que reúne 21 das principais moedas do mundo em comparação ao dólar.

As maiores valorizações ficaram para o dólar australiano (+2,70%) e o dólar neozelandês (+2,60%), que se mantiveram no pódio da semana passada para esta.

Já nas últimas colocações, o rublo russo segue em forte desvalorização, em razão da guerra travada entre o país e a Ucrânia. Com isso, o rublo fechou em queda 19,91%. A penúltima posição ficou para o florim húngaro (-6,73%) e a antepenúltima para a coroa checa (-4,19%). Os três piores desempenhos foram os mesmos registrados na semana passada.

 

Ferramenta Ranking de Moedas, Profit Pro.

 

O DXY (DOLINDEX no Profit Pro), que mostra a relação do dólar contra uma cesta de moedas de países desenvolvidos, registrou alta de 1,37% na semana.

O Dollar Index compara a moeda norte-americana com o euro (zona do euro), o iene (Japão), a libra esterlina (Reino Unido), o dólar canadense (Canadá), a coroa sueca (Suécia), e o franco suíço (Suíça). Confira:

Ferramenta “Gráfico”, do Profit Pro. Código: DOLINDEX.

Cotações

Ante o real, as seguintes moedas performaram assim:

  • USD/BRL encerrou a semana com baixa de 1,77%, a R$ 5,073
  • EUR/BRL fechou a semana com baixa de 3,93%, a R$ 5,547
  • MXN/BRL encerra a semana com baixa de 3,24%, a R$ 0,242
  • CNH/BRL com baixa de 1,85%, a R$ 0,801

* O Ranking de Moedas, Dolindex e as cotações foram extraídas do Profit Pro, na sexta-feira (04), às 16h30

 

fundamentalista

Insiders

A Alpargatas (ALPA4) informou que foi aprovada a operação de alienação da totalidade de sua participação na Osklen, correspondente a 60% do capital social da empresa, para a DASS Nordeste Calçados e Artigos Esportivos.

A brMalls (BRML3) anunciou a venda de 30% da sua participação no Center Shopping Uberlândia, localizado na cidade de Uberlândia, em Minas Gerais, para os sócios atuais pelo valor de R$ 307 milhões, a ser pago à vista.

A Embraer (EMBR3) suspendeu serviços de peças, manutenção e suporte técnico para clientes alvos de sanções internacionais, diante da invasão das tropas russas à Ucrânia, afirmou a companhia na quinta-feira (3).

A Oi (OIBR4) informou que a B3 autorizou a companhia a operar as suas ações em um valor inferior a R$ 1,00 até 31 de março. A partir desse dia será iniciado um novo período para eventual apuração de 30 pregões ininterruptos com a cotação das ações da companhia abaixo de R$ 1,00. Se a ação não se recuperar dentro do período, a companhia terá que submeter imediatamente a seus acionistas uma proposta de grupamento de ações.

A Vibra Energia (VBBR3) e os sócios fundadores da Vibra Comercializadora (antiga Targus) passarão a compor um bloco de acionistas da comercializadora de energia Comerc, detentores de 50% de seu capital social, conforme previsto em acordo anunciado no ano passado.

Follow On e Aquisições

Cesp – A Cesp (CESP6) informou que, durante o seu processo de reorganização societária, a VTRM obteve o registro de companhia aberta categoria “A” perante a CVM e teve deferido o pedido de listagem na B3.

Dexco – A Dexco (DXCO3) concluiu a aquisição de 100% do capital social da Castellato, que atua no segmento premium de pisos e revestimentos de concreto arquitetônico.

Equatorial Energia – A Equatorial Energia (EQTL3) concluiu a aquisição de 100% das ações da Echoenergia, através de sua subsidiária integral Equatorial Transmissão, por R$ 7,03 bilhões.

Iguatemi – A Iguatemi (IGTI3) comunicou a aquisição de 23,08% da Etiqueta Única, e-commerce que intermedia a venda de artigos second-hand de luxo, por por R$ 27 milhões.

Mater Dei – A rede de hospitais Mater Dei (MATD3) informou que seu Conselho de Administração aprovou a compra de 75% a 80% do Hospital e Maternidade Santa Clara (HSC), de Uberlândia (MG), com a permanência da grande maioria dos médicos sócios, segundo a companhia.

 Maiores altas e baixas da semana

 

Conclusão

Este foi o Replay de Mercado, com as principais notícias do mercado que foram destaques nesta semana. Para mais notícias, nos acompanhe no Blog da Nelogica. Você também pode se informar pelo Market Report, publicado três vezes por dia no Profit Pro, com as notícias mais relevantes do momento.