Replay de Mercado: Risco fiscal volta a assombrar o Ibovespa

Resumo com as principais notícias do cenário nacional e internacional que foram destaques nesta semana

Veja no Replay de Mercado: risco fiscal gerado pelo avanço da lei que fixa um teto de 17% do ICMS se infiltrou no Ibovespa, mergulhando o índice em uma semana inteira no vermelho. O projeto voltou a ganhar destaque e deve ir à votação do Senado na próxima semana. Se aprovado, o mercado teme que mesmo que o preço da gasolina arrefeça, o rombo nos cofres públicos pese mais sobre a economia.

Fora isso, a semana foi recheada de fatos importantes para a Bolsa, com a privatização da Eletrobras, a divulgação da inflação no Brasil, Estados Unidos e China e além da nova lista de indicados para o comando da Petrobras – este movimento você confere na seção Mercado Fundamentalista.

Tudo isso e muito mais você confere nesta edição do Replay de Mercado

Notícias nacionais

Risco fiscal contamina Ibovespa com avanço das discussões sobre teto do ICMS sobre combustíveis

Privatização da Eletrobras avança com precificação dos papéis e alta procura de investidores

Inflação desacelera para 0,47% em maio e reduz ritmo de alta no acumulado do ano

Notícias internacionais

Inflação nos Estados Unidos sobe acima das expectativas e derruba bolsas de Wall Street

Preços ao consumidor e produtor desacelera em maio na China

BCE anuncia que alta nos juros e redução do balanço patrimonial começam em julho

Moedas pelo mundo

Ranking de Moedas

Mercado Fundamentalista

Insiders

Follow On e Aquisições

Maiores altas e baixas da semana

Risco fiscal contamina Ibovespa com avanço das discussões sobre teto do ICMS sobre combustíveis

O risco fiscal voltou a infiltrar a Bolsa de Valores do Brasil, com o Ibovespa emendando sucessivas quedas ao longo desta semana. O motivo desta vez está sendo o projeto de lei que fixa um teto de 17% para o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis e energia elétrica.

Isso porque se de um lado a medida pode reduzir o preço para o consumidor final, a preocupação sobre o impacto que ela vai fazer nas contas públicas pesou mais para os investidores. Segundo o parecer final da lei, o projeto vai custar R$ 32,5 bilhões aos cofres da União em 2022 e R$ 53,5 bilhões por ano ao caixa dos estados e municípios. O ICMS é um imposto arrecadado pelos estados.

A PLP18/22, que cria o teto de 17% sobre ICMS dos combustíveis, deve ser votada pelo Senado na segunda-feira (13), segundo anunciou o relator do texto, senador Fernando Bezerra (MDB-PE). O texto já foi aprovado na Câmara dos Deputados.

Embora o projeto já estivesse no radar do mercado desde sua aprovação na Câmara e não avançasse na agenda do Senado, esta semana contou com um fato novo que acelerou o processo.

Na segunda-feira (6), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o governo federal aceitará ressarcir os estados pelas perdas de arrecadação. Como contrapartida, no entanto, o governo exigirá que os estados e o Distrito Federal derrubem a zero a alíquota do ICMS sobre o diesel e o gás de cozinha.

Para o presidente da Câmara, Arthur Lira, a conclusão deste eventual acordo entre estados e União só será possível com a aprovação do teto do ICMS no Senado, além da criação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), autorizando a União a ressarcir os entes federativos pelas perdas tributárias.

O mercado vem interpretando de maneira negativa a medida, que mesmo amenizando os custos com combustíveis, aumenta a incerteza fiscal e não resolve de fato o problema, visto que o cálculo dos preços segue baseado na cotação internacional do petróleo

Privatização da Eletrobras avança com precificação dos papéis e alta procura de investidores

O processo de privatização da Eletrobras está chegando em sua reta final. Na quinta-feira (9) houve a precificação dos papéis da empresa, que foi definido em entre R$ 42 e R$ 42,50.  A demanda pelos papéis bateu R$ 68 bilhões e deve garantir pelo menos R$ 30 bilhões junto ao mercado.

No cronograma da companhia, o início das negociações das ações na B3 está previsto para a próxima segunda-feira (13). O governo federal espera que o processo de privatização da estatal seja concluído até terça-feira (14).

A privatização da companhia será realizada através de uma capitalização, que resultará na perda do controle majoritário da União, até então na casa dos 70%. 

Finalizado o processo, a União passará a deter cerca de 45% de participação. Assim, a empresa deixará de ser gerida como uma estatal.

Os investidores puderam realizar até quarta-feira (8) seus pedidos de reservas de ações, nas corretoras, bancos ou plataformas de investimentos, para participar. Este foi o mesmo prazo para os brasileiros que utilizaram recursos do FGTS para aportar na companhia.

No entanto, a demanda de investidores via FGTS superou o teto de R$ 6 bilhões estabelecido pela Eletrobras, o que resultará em um rateio entre os reservistas.  A oferta da Eletrobras conseguiu atender cerca de dois terços (66,79%) dos pedidos que utilizaram parte do FGTS para acessar os papéis da empresa. Mais de 350 mil trabalhadores participaram do processo. 

A precificação das ações da Eletrobras só foi possível com o aval dos debenturistas de Furnas, que aconteceu nesta semana.  

Na segunda-feira (6), a maioria dos credores debenturistas deram permissão para Furnas aportar um total de R$ 1,58 bilhão na Madeira Energia (Mesa), evitando a suspensão do processo de capitalização. Essa etapa foi fundamental para aumentar a participação de Furnas na Mesa, que passou a deter 72,4% de participação na companhia, dos até então 43,06%.

A estrutura societária pré-reorganização, das ações ordinárias, de controle da companhia, é a seguinte: União (51,8%), BNDESPar (11%), BNDES (5,8%), fundos do governo (3,5%).

Com a oferta de ações ordinárias e lote suplementar, a participação do governo pode cair para 42,6%.

 

 

Inflação desacelera para 0,47% em maio e reduz ritmo de alta no acumulado do ano

A inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), desacelerou para 0,47% em maio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano, o IPCA acumula alta de 4,78% e, nos últimos 12 meses, de 11,73%, abaixo dos 12,13% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em maio de 2021, a variação havia sido de 0,83%.

A desaceleração foi maior do que projetava o mercado, que previa inflação de 0,6% no mês, conforme a mediana das expectativas de analistas, e 11,84% na comparação com maio do ano passado. O IPCA teve a menor variação mensal desde abril de 2021, quando ficou em 0,31%.

 

 

O resultado foi influenciado principalmente pela queda no custo da energia elétrica e pela desaceleração nos preços dos alimentos. Do lado oposto, houve acréscimo nos custos com vestuário e transportes, este último puxado pelas passagens aéreas. 

No grupo dos Transportes, que desacelerou em relação ao mês anterior (1,91%), as passagens aéreas tiveram acréscimo de 18,33%, sendo que elas que já haviam subido 9,48% em abril, configurando o maior impacto individual positivo no IPCA.

Já o segmento de Alimentos e bebidas subiu apenas 0,48% frente à alta de 2,06% em abril. O gerente do IPCA, Pedro Kislanov, explica que produtos que vinham subindo bastante tiveram quedas expressivas em maio, a exemplo do tomate (-23,72%), da cenoura (-24,07%) e da batata-inglesa (-3,94%). Ele observa que existe um componente sazonal porque, normalmente, o início do ano é marcado por preços mais altos dos alimentos devido a questões climáticas.

Os combustíveis também tiveram desaceleração, após altas expressivas nos preços das refinarias em março, que foram repassadas para o consumidor final em março e em abril. A desaceleração nos preços dos combustíveis (1,00%) em relação ao mês anterior (3,20%), ocorreu devido especialmente à gasolina, que passou de 2,48% em abril para 0,92% em maio.

A baixa no preço de alguns ítens que vinham em franca alta, no entanto, vem acompanhado de uma alta generalizada em 8 dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, o que pode indicar uma inflação mais enraizada. 

Por outro lado, embora ainda se mantenha no patamar de dois dígitos no comparativo anual, a desaceleração da inflação pelo segundo mês também pode ser um sinal de que as sucessivas altas de juros realizadas pelo Banco Central começam a surtir efeito sobre os preços nacionais. 

internacionais

Inflação nos Estados Unidos sobe acima das expectativas e derruba bolsas de Wall Street

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) dos EUA subiu 1,0% em maio na comparação com abril, conforme mostram dados do Departamento do Trabalho divulgados na sexta-feira (10).

Nos últimos 12 meses, a inflação no país chegou a 8,6%, na maior variação desde dezembro de 1981. Já o núcleo de inflação, que exclui alimentos e energia (cujos preços são mais voláteis), subiu 0,6% na comparação mensal e 6,0% na anual.

O resultado veio acima das expectativas do mercado, que apontavam para 0,7%. Com isso, os mercados de Wall Street abriram em queda, enquanto o Ibovespa afundou e o dólar saltou após a publicação. 

O Departamento de Comércio dos EUA diz que o aumento de preços em maio foi generalizado, com os índices de moradia, gasolina e alimentação sendo os que mais contribuíram para a inflação. Os preços de energia subiram 3,9% no mês, após terem caído em abril, e a gasolina ficou 4,1% mais cara. Comida subiu 1,2% e alimentação em casa, 1,4%.

O aumento de preços nos EUA é o ponto principal de atenção dos mercados porque incide diretamente sobre as decisões do Federal Reserve (Fed), que está elevando as taxas de juros e cortando seu balanço patrimonial para tentar conter a escalada dos preços.

Preços ao consumidor e produtor desacelera em maio na China

A inflação na China desacelerou em maio e ficou em linha com as projeções do mercado, indicando rápida recuperação do gigante asiático no controle de preços. O índice que mede o impacto no bolso do consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 2,1% na comparação anual de maio, repetindo o aumento de 2,1% apurado em abril, informou o Escritório Nacional de Estatísticas.

O resultado foi 0,1 ponto porcentual abaixo do projetado por economistas consultados pelo The Wall Street Journal.

Na comparação mensal, por sua vez, o CPI caiu 0,2% em maio.

Já o índice de preços ao produtor (PPI) da China, conhecido como inflação na porta da fábrica, subiu 6,4% na comparação anual de maio, abaixo do aumento de 8,0% visto em abril. O resultado, porém, superou as expectativas dos analistas, que previam alta de 6,3%. No critério mensal, o PPI caiu 0,2% em maio.

BCE anuncia que alta nos juros e redução do balanço patrimonial começam em julho

O Banco Central Europeu encerrou nesta semana um esquema de estímulo de longa duração e sinalizou que vai promover sua primeira alta de juros em julho, de 0,25 ponto percentual, o que marca a primeira mudança na taxa desde 2011. A alta de juros deve ter um ajuste maior em setembro, de 0,50 p.p., caso a inflação não desacelere.

Com o salto dos preços acelerando no mês passado para um recorde de 8,1% e ainda em trajetória de alta, o BCE agora teme que a inflação se dissemine e possa se tornar uma espiral de preços e salários difícil de quebrar, estabelecendo uma nova era de custos teimosamente mais elevado.

O banco central dos 19 países que compartilham o euro disse que encerrará seu Programa de Compra de Ativos, principal ferramenta de estímulo desde a crise da dívida da zona do euro, em 1° de julho, e que aumentará os juros em 0,25 ponto percentual também no mês que vem. Em setembro fará novo movimento, possivelmente por uma margem maior — alta de 0,50 ponto percentual que seria a maior dose de aperto desde junho de 2000.

Também há expectativa de aumento acumulado de 2,30 pontos percentuais na taxa de depósito do BCE até o final de 2023, o que deixaria o pico da taxa de juros neste ciclo de aperto perto de 2%.

A ação do BCE vem em um momento em que os BCs das principais economias do mundo também executam o movimento de elevação na taxa de juros, a exemplo do Federal Reserve nos Estados Unidos e do Bank of England no Reino Unido.

Ranking de moedas

O dólar se fortaleceu frente a praticamente todas as principais moedas globais nesta semana, mas o real que registrou a maior desvalorização contra a divisa americana. A moeda brasileira registrou baixa de 4,06% no acumulado dos últimos dias e foi para a última posição do “Ranking de Moedas”, ferramenta disponível no Profit Pro, que reúne 22 das principais moedas do mundo em comparação ao dólar. 

Acompanhando o real, entre os piores desempenho estiveram a lira turca, que recuou 3,62% e o florim húngaro, com baixa de 2,98%.

Já o pódio do Ranking, apenas o rublo russo fechou valorizado contra o dólar na semana. A forte alta de 9,30% deixou a moeda da Rússia na 1ª posição. Já o 2º e 3º lugar foram os que menos se desvalorizaram. São eles o rial saudita (-0,02%) e o dólar de Hong Kong (-0,05%).​​​

Ferramenta Ranking de Moedas, Profit Pro.

O DXY (DOLINDEX no Profit Pro), que mostra a relação do dólar contra uma cesta de moedas de países desenvolvidos, registrou forte alta de 2% na semana.

O Dollar Index compara a moeda norte-americana com o euro (zona do euro), o iene (Japão), a libra esterlina (Reino Unido), o dólar canadense (Canadá), a coroa sueca (Suécia), e o franco suíço (Suíça). Confira:

Ferramenta “Gráfico”, do Profit Pro. Código: DOLINDEX.

Cotações

Ante o real, as seguintes moedas performaram assim:

USD/BRL encerrou a semana com alta de 4,27%, a R$ 4,980
EUR/BRL fechou a semana com alta de 2,29%, a R$ 5,240
MXN/BRL encerra a semana com alta de 2,11%, a R$ 0,249
CNH/BRL com alta de 3,01%, a R$ 0,740

* O Ranking de Moedas, Dolindex e as cotações foram extraídas do Profit Pro, na sexta-feira (10), às 16h20

fundamentalista

Insiders

A Aliansce Sonae (ALSO3) e a brMalls (BRML3) informaram que os seus acionistas, em suas respectivas assembleias gerais extraordinárias, aprovaram a combinação de negócios entre as empresas.

O IRB Brasil (IRBR3) informou que Willy Otto Jordan Neto reassumiu as funções do cargo de diretor vice-presidente financeiro e de relações com investidores da companhia.

A Petrobras (PETR4) confirmou que o Conselho do PPI opinou favoravelmente à inclusão da companhia no PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), com o objetivo de coordenar estudos e ações necessários para a avaliação da desestatização da empresa, e submeteu o tema à deliberação ao presidente da República.

O Ministério de Minas e Energia apresentou a indicação de executivos para compor o conselho de administração da Petrobras (PETR4), tendo Gileno Gurjão Barreto como presidente do colegiado, e confirmou o nome de Caio Mario Paes de Andrade como indicado ao cargo de CEO da empresa.

Follow On e Aquisições

Carrefour Brasil – O Carrefour Brasil (CRFB3) confirmou a conclusão da compra do Grupo Big e informou mudanças na estrutura de governança e composição do conselho de administração, a ser aprovada em assembleia geral extraordinária. Dentre os nomes, foi confirmada a indicação do empresário Abílio Diniz como vice-presidente do conselho e Alexandre Bompard como presidente.

Dexco – A Dexco (DXCO3) informou que o seu conselho de administração aprovou a segunda emissão de notas comerciais escriturais, sob colocação privada. A oferta será composta por 600 mil notas, que totalizará um montante de R$ 600 milhões.

Equatorial – A Equatorial Energia (EQTL3) comunicou o encerramento do programa de recompra de ações aprovado em 4 de dezembro de 2020. Desde a criação do programa, foram adquiridas 28.870.100 ações ordinárias de emissão da companhia, equivalentes a 2,56% do seu capital social.

JBS – A JBS (JBSS3) informou que as suas subsidiárias JBS USA Lux S.A, JBS USA Finance, e JBS USA Food Company precificaram as suas notas sêniores a serem ofertadas ao mercado internacional. A oferta das notas de cada série está programada para ser concluída em 21 de junho. 

Lavvi – A Lavvi (LAVV3) anunciou o encerramento do programa de recompra de ações aprovado em 6 de outubro de 2021. A empresa também anunciou a abertura de um novo programa de recompra de ações, visando a aquisição de até 7.804.512 ações ordinárias, que representam 10% das ações em circulação no mercado.

Dias Branco – A companhia M. Dias Branco (MDIA3) anunciou que assinou contrato para adquirir 100% das quotas representativas do capital social da Nutrition, titular da marca Jasmine.

PetroReconcavo – A PetroReconcavo (RECV3) informou que seu conselho de administração aprovou uma oferta restrita primária e secundária de ações, numa operação que pode movimentar até R$ 2,2 bilhões. 

PetroRio – A PetroRio (PRIO3) formalizou a aquisição da sonda semissubmersível West Capricorn com o pagamento de US$ 4 milhões à Aquadrill.

Raia Drogasil – A Raia Drogasil (RADL3) informou que o JPMorgan Chase & Co aumentou sua participação acionária na companhia para 84.537.049 ações, equivalentes a, aproximadamente, 5,11% do total de ações. 

 Maiores altas e baixas da semana

 

 

Conclusão

Este foi o Replay de Mercado, com as principais notícias do mercado que foram destaques nesta semana. Para mais notícias, nos acompanhe no Blog da Nelogica. Você também pode se informar pelo Market Report, publicado três vezes por dia no Profit Pro, com as notícias mais relevantes do momento.