Replay de Mercado: BCs elevam juros no Brasil e nos EUA

Resumo com as principais notícias do cenário nacional e internacional que foram destaques nesta semana

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Veja no Replay de Mercado: a taxa de juros no Brasil e nos EUA subiram nesta semana, de acordo com o que o mercado projetava. Sob o comando de Roberto Campos Neto, o Banco Central trouxe a Selic para o patamar de 13,25% ao ano e projetou um novo aumento para a taxa básica de juros, este menor ou igual a 0,50 ponto.

Já nos Estados Unidos, o Federal Reserve, cujo chair é Jerome Powell, acrescentou mais 0,75 ponto aos juros do país, que agora estão entre 1,5% e 1,75%. Um novo aumento na mesma magnitude é o que espera o mercado.

Veja tudo sobre esses e outros assuntos nesta edição do Replay de Mercado!

Notícias nacionais

Selic fica em 13,25% ao ano, maior taxa desde 2016, e provoca liquidação no Ibovespa

Lei que fixa teto para ICMS sobre combustíveis e energia elétrica é aprovado pelo Congresso

Notícias internacionais

Fed eleva juros em 0,75 p.p. nos Estados Unidos; maior aumento em 28 anos

BCE faz reunião de emergência para conter disparada no mercado de títulos na zona do euro

Moedas pelo mundo

Ranking de Moedas

Mercado Fundamentalista

Insiders

Follow On e Aquisições

Maiores altas e baixas da semana

Selic fica em 13,25% ao ano, maior taxa desde 2016, e provoca liquidação no Ibovespa

O Banco Central continua apertando os cintos na política monetária nacional como forma de conter a inflação de dois dígitos no país. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic, juros básicos da economia, em 0,50 ponto, de 12,75% para 13,25% ao ano. Com o décimo primeiro aumento seguido na taxa básica de juros da economia, a Selic chega ao maior patamar desde dezembro de 2016.

A decisão veio em linha com o que projetava o mercado, e reduziu a magnitude do aumento em comparação ao último mês, quando a taxa teve acréscimo de 1 ponto, mas pegou todos de surpresa em relação à continuidade do ciclo de alta.

De acordo com o BC, além deste novo aumento de 0,5 ponto, o Comitê antevê um novo ajuste, de igual ou menor magnitude

O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas, e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária”.

A nova taxa Selic foi divulgada com o pregão fechado. Na abertura seguinte à divulgação, na sexta-feira (17), o Ibovespa abriu em franca queda de quase 4%.

Para as autoridades do BC, a alta é justificada por motivos locais e externos. No Brasil, a inflação – mesmo que tenha recuado, “seguiu surpreendendo negativamente”, tanto em aspectos mais passageiros quanto em tendências mais permanentes. Além disso, o cenário fiscal também pesou:

Avaliou-se que as medidas tributárias em tramitação reduzem sensivelmente a inflação no ano corrente, embora elevem, em menor magnitude, a inflação no horizonte relevante de política monetária. O Comitê avalia que a conjuntura particularmente incerta e volátil requer serenidade na avaliação dos riscos”.

Já no que tange o cenário internacional, o Copom avalia que as revisões negativas para o crescimento global prospectivo em um ambiente de fortes e persistentes pressões inflacionárias segue deteriorando o ambiente.

O aperto das condições financeiras motivado pela reprecificação da política monetária nos países avançados, assim como pelo aumento da aversão a risco, eleva a incerteza e gera volatilidade adicional, particularmente nos países emergentes”, disse em nota. 

O BC não citou a guerra na Ucrânia em documento. 

Lei que fixa teto para ICMS sobre combustíveis e energia elétrica é aprovado pelo Congresso

O projeto que limita o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis, gás natural, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo foi aprovado nesta semana. O texto foi à votação do Senado na segunda-feira (13), que o aprovou com modificações, sendo necessário então voltar com o projeto à Câmara, onde recebeu o aval dos deputados na quarta-feira (15). 

Com a aprovação do Congresso, combustíveis, gás natural, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo passam a ser classificados como essenciais e indispensáveis, o que proíbe estados (que são responsáveis pela arrecadação do ICMS) cobrarem taxa superior à alíquota geral, que varia de 17% a 18%, dependendo da localidade.

Atualmente, esses bens e serviços são classificados como supérfluos, e o ICMS incidente em alguns estados supera 30%.

A medida, que vale apenas para 2022, foi criada como forma do governo frear a alta no preço dos combustíveis e da energia elétrica. Por outro lado, reduz consideravelmente a arrecadação dos estados. Governadores afirmam que o prejuízo será de cerca de R$ 100 bilhões.

No entanto, a proposta prevê uma trava para eventuais perdas de estados e municípios com a limitação do ICMS. Se um estado perder mais de 5% de arrecadação, a União bancará a perda excedente.

O projeto tem sido a menina dos olhos para o presidente Jair Bolsonaro nesta reta final do seu primeiro mandato e, por isso, tem demandado negociações com governadores e empresários ao longo das últimas duas semanas. 

Um dia após a última votação na Câmara, Bolsonaro se reuniu com o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL) e com empresários do setor para discutir sobre os impactos do texto. Já na semana passada, Bolsonaro afirmou que o governo federal aceitará ressarcir os estados que zerarem o ICMS sobre os combustíveis.

Embora a aprovação do teto do ICMS seja tido como uma vitória para Jair Bolsonaro, especialistas de fora do governo vêm alertando que a limitação pode não impedir a escalada de preços. Isso porque, na outra ponta, os aumentos do custo do petróleo no mercado internacional e do dólar ante o real podem manter os combustíveis em alta.

O mercado vinha reagindo mal às negociações e avanços do teto do ICMS, mas após a aprovação da Câmara na quarta-feira (15) parece ter deixado de precificar o projeto e o índice Ibovespa voltou a subir após 8 quedas seguidas no dia.

internacionais

Fed eleva juros em 0,75 p.p. nos Estados Unidos; maior aumento em 28 anos

Com a inflação de maio dos Estados Unidos saltando para 8,6% ao ano, acima das expectativas e sendo a maior variação desde dezembro de 1981, o Federal Reserve (Fed) precisou recalcular sua política monetária e decidiu na quarta-feira (15) elevar os juros do país em 0,75 ponto, para ficar entre 1,50% e 1,75% ao ano

O resultado veio em linha com o que previa o mercado, que desde a divulgação dos dados de inflação na semana passada tem elevado sua projeção para os juros nos EUA. Este foi o primeiro aumento dessa magnitude e também o maior desde 1994

Os integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) não chegaram a um consenso sobre a magnitude do aumento, sendo 10 votos a favor da alta de 0,75 p.p. e um contrário. A expectativa do mercado é que na próxima reunião, em julho, a taxa suba 0,75 p.p. novamente.

Os motivos elencados pelo FOMC, além da inflação consistente no país, foram a guerra na Ucrânia e os sucessivos lockdowns na China. Powell disse ainda que flutuações nos preços de commodities poderiam impedir o pouso suave na economia dos EUA.

Ao avaliar a postura adequada da política monetária, o comitê continuará monitorando as implicações das informações recebidas para as perspectivas econômicas. O comitê está preparado para ajustar a orientação da política monetária conforme apropriado caso surjam riscos que possam impedir o atingimento dos objetivos”, apontou o Comitê em nota, reforçando que está fortemente comprometido em devolver a inflação ao seu objetivo de 2%.

De acordo com o presidente do Fed, Jerome Powell, as condições econômicas atuais forçam a política monetária dos EUA a ficar restritiva em meio ao cenário de elevada inflação. No entanto, o comitê salienta que não está tentando provocar uma recessão na maior economia do mundo.

Não estamos tentando induzir uma recessão. Agora, estamos tentando alcançar uma inflação de 2%, compatível com um mercado de trabalho forte. É isso que estamos tentando fazer”, respondeu Powell.

Sobre a redução no balanço patrimonial do Fed, o Comitê reiterou que vai continuar reduzindo suas participações em títulos do Tesouro e dívida de agências e títulos lastreados em hipotecas. “Conduzir operações de acordo de recompra reversa a uma taxa de oferta de 1,55% e com um limite por contraparte de US$ 160 bilhões por dia; o limite por contraparte pode ser aumentado temporariamente a critério do presidente (Powell)”.

Os integrantes da autoridade monetária agora preveem, na mediana, a taxa de juros encerrando 2022 a 3,4%, versus uma projeção de 1,9% em março. As projeções para a atividade econômica foram revistas para baixo: a mediana para crescimento do PIB em 2022 passou de 2,8% em março para 1,7% agora em junho.

BCE faz reunião de emergência para conter disparada no mercado de títulos na zona do euro

A Super Quarta, dia em que os juros do Brasil e Estados Unidos são atualizados, contou também com uma reunião de emergência do Banco Central Europeu (BCE), que discutiu a turbulência no mercado de títulos e as taxas de juros nos 19 países da zona do euro. O evento pegou o mercado de surpresa, mesmo assim os índices europeus quebraram uma sequência de 6 quedas e voltaram a se valorizar, pelo menos na quarta-feira (15).

Em síntese, o objetivo da reunião era convencer os mercados de que o seu programa de aumento das taxas de juros é compatível com a luta contra uma diferença excessiva nos custos de endividamento entre os países do norte e do sul da zona do euro.   

O BCE quer conter a disparada dos rendimentos de títulos na periferia da zona do euro, movimento que ocorre desde que o BCE anunciou, na última quinta-feira (9), planos de aumentar os juros em julho e setembro

Com o anúncio do ciclo de alta dos juros, houve um crescimento abrupto nos custos de empréstimos na Europa e o BCE agora tem que frear esse aumento sob o risco de uma repetição da crise da dívida que quase derrubou o euro na década passada. 

Além disso, a Europa vive uma alta de preços generalizada que leva o Velho Continente ao maior nível de inflação em mais de 20 anos – taxa de 8,1% ao ano.

A reunião de emergência encerrou com algumas definições: 

  • O BCE disse que será flexível ao reinvestir o dinheiro a vencer de seu recém-encerrado esquema de suporte da pandemia de 1,7 trilhão de euros, e que avaliará um novo instrumento a ser elaborado pela sua equipe.
  • O conselho de governo se comprometeu a adotar duas medidas: “aplicar uma certa flexibilidade no reinvestimento” dos títulos do seu programa de emergência lançado durante a pandemia (chamado PEPP) e desenhar um novo instrumento “antifragmentação” para combater a divergência das taxas de juro na zona do euro. O BCE não deu detalhes sobre o futuro instrumento contra a fragmentação, nem sobre seu calendário.

Na última quinta-feira (16), a presidente do BCE, Christine Lagarde, disse que o banco central não pode ceder ao domínio fiscal. “Nem podemos nos render ao domínio financeiro. Temos que cumprir nosso mandato, que é, como muitos de vocês sabem, estabilidade de preços”, concluiu a presidente. 

Ranking de moedas

​​O dólar perdeu parte da força registrada na semana anterior frente a cesta das principais moedas do mundo, mas a dinâmica não foi essa quando a moeda dos EUA é comparada diretamente contra o real. 

Neste caso, a brasileira seguiu tendo o pior desempenho e, nesta semana em que o dólar voltou a operar na casa dos R$ 5,00, o real cedeu 3,01% contra o dólar, ocupando a última colocação do “Ranking de Moedas”, ferramenta disponível no Profit Pro, que reúne 22 das principais moedas do mundo em comparação ao dólar. 

Além do real, a coroa norueguesa (-2,12%) e o dólar canadense (-1,74%) ficaram entre os piores desempenhos. 

Na parte de cima da tabela, o rublo russo se manteve mais uma semana como a moeda que mais se valorizou frente ao dólar (+2,67%), seguido pelo franco suíço (+1,96%) e o yuan chinês (+0,66%).

Ferramenta Ranking de Moedas, Profit Pro.

O DXY (DOLINDEX no Profit Pro), que mostra a relação do dólar contra uma cesta de moedas de países desenvolvidos, registrou alta de 0,18% na semana.

O Dollar Index compara a moeda norte-americana com o euro (zona do euro), o iene (Japão), a libra esterlina (Reino Unido), o dólar canadense (Canadá), a coroa sueca (Suécia), e o franco suíço (Suíça). Confira:

Ferramenta “Gráfico”, do Profit Pro. Código: DOLINDEX.

Cotações

Ante o real, as seguintes moedas performaram assim:

  • USD/BRL encerrou a semana com alta de 3,11%, a R$ 5,140
  • EUR/BRL fechou a semana com alta de 3,18%, a R$ 5,395
  • MXN/BRL encerra a semana com alta de 1,45%, a R$ 0,252
  • CNH/BRL com alta de 3,80%, a R$ 0,766

* O Ranking de Moedas, Dolindex e as cotações foram extraídas do Profit Pro, na sexta-feira (17), às 16h20

fundamentalista

Insiders

A Caixa Seguridade (CXSE3) informou que Camila de Freitas Aichinger deixou o cargo de diretora-presidente da companhia para assumir o cargo de vice-presidente da rede de varejo da Caixa Econômica Federal. Assim, André Nunes passará a ocupar o cargo de diretor-presidente da Caixa Seguridade.

O Carrefour Brasil (CRFB3) irá investir R$ 2,1 bilhões na conversão de 124 lojas do Grupo Big como parte da integração entre as duas empresas.

A Petrobras (PETR4) anunciou um reajuste nos preços do diesel e da gasolina. O valor da gasolina passará de R$ 3,86 para R$ 4,06 por litro. Já o do diesel passará de R$ 4,91 para R$ 5,61 por litro.

Follow On e Aquisições

Blau Farmacêutica – A Blau Farmacêutica (BLAU3) informou que o conselho de administração aprovou um novo programa de recompra de ações. De acordo com o fato relevante, poderão ser adquiridas o limite de 4.484.848 ações, que representam 2,5% do total de papéis em circulação.

CVC – A CVC (CVCB3) informou ao mercado nesta terça-feira (14) que fará uma oferta pública de distribuição primária de 46,5 milhões de ações inicialmente, com possibilidade de adicionar mais 11,625 mi de papéis até a data de conclusão de bookbuilding, totalizando cerca de 58,1 milhões de ações. 

Energisa – A Energisa (ENGI11) informou que as condições para a consumação da operação de aquisição de ações representativas de 100% do capital social da Gemini Energy foram cumpridas. 

PetroRecôncavo – A PetroRecôncavo (RECV3) anunciou que levantou R$ 1,034 bilhão em uma oferta subsequente de ações precificada na terça-feira (14).

 Maiores altas e baixas da semana

 

 

Conclusão

Este foi o Replay de Mercado, com as principais notícias do mercado que foram destaques nesta semana. Para mais notícias, nos acompanhe no Blog da Nelogica. Você também pode se informar pelo Market Report, publicado três vezes por dia no Profit Pro, com as notícias mais relevantes do momento.