Replay de Mercado (21/01/22)

Resumo com as principais notícias do cenário nacional e internacional que foram destaques nesta semana, de 17 a 21 de dezembro

O Ibovespa surfou contra a maré negativa nesta semana e registrou três altas consecutivas, enquanto os principais índices de Wall Street se desvalorizaram. No Brasil, o destaque foi o recuo do presidente Jair Bolsonaro sobre o reajuste de policiais federais após pressão de demais classes de servidores, como os do Banco Central, que organizaram uma paralisação na terça-feira (18).

Lá fora, países da Europa registraram inflação recorde em dezembro com a disparada dos custos de energia. Além disso, nos EUA, a Casa Branca alertou para uma possível invasão russa à Ucrânia, o que tem acirrado uma crise diplomática entre os países, inclusive com contornos bélicos. 

Na B3, diversas movimentações importantes das empresas de capital aberto também foram registradas.

Tudo isso e mais você confere nesta edição do Replay do Mercado.

Notícias nacionais

Bolsonaro suspende reajuste salarial para polícias federais em 2022 após reclame de servidores

Prévia do PIB tem resultado positivo em novembro e quebra sequência de baixas

Brasil registra recorde diário de novos casos de Covid-19 com avanço da Ômicron

Notícias internacionais 

Inflação na Europa atinge novo recorde com custos de energia puxando alta

EUA alertam que Rússia pode atacar Ucrânia “a qualquer momento” e conflito entre países se acirra

Temporada de balanços do 4º trimestre começa com os resultados dos principais bancos nos EUA

Moedas pelo mundo

Ranking de Moedas

Mercado Fundamentalista

Insiders

Follow On e Aquisições

IPOs

Maiores altas e baixas

Bolsonaro suspende reajuste salarial para polícias federais em 2022 após reclame de servidores

Após prometer reajuste salarial para as polícias federais em 2022, o que gerou indignação de boa parte das demais classes de servidores públicos da federal, o presidente Jair Bolsonaro voltou atrás na quarta-feira (19) e suspendeu o reajuste.

“Há uma grita de maneira geral, porque a intenção geral foi essa, sim, reservar um reajuste para os policiais federais, os policiais rodoviários federais e o Depen, o Departamento Penitenciário, mas isso aí está suspenso. Estamos aguardando o desenlace das ações”, disse o presidente, acrescentando que as classes poderão ser contempladas em 2023.

No Orçamento para 2022, aprovado no final do ano passado pelo Congresso, foi incluída na versão final uma reserva de recursos na ordem de R$ 2 bilhões para aumento aos servidores. O presidente tem até a sexta-feira (21) para sancionar o Orçamento, podendo ou não vetar trechos.

O assunto já estava na pauta do mercado financeiro em razão do possível risco fiscal que um reajuste maior do que o previsto no Orçamento poderia trazer, além dos ruídos políticos que também envolvem o tema. 

Na terça-feira (18), servidores do Banco Central se reuniram na frente do prédio do BC como forma de protesto ao congelamento dos salários. No entanto, o ato reuniu menos servidores do que o previsto, mas foi o suficiente para o presidente ter que negar o reajuste aos policiais – que fazem parte de sua base eleitoral – sob risco de se queimar com as outras classes do funcionalismo público. 

“A gente pode fazer justiça com três categorias; não vai fazer justiça com as demais, sei disso. Mas fica aquela velha pergunta a todos: vamos salvar três categorias ou vai todo mundo sofrer no corrente ano?”, afirmou Bolsonaro em entrevista.

Prévia do PIB tem resultado positivo em novembro e quebra sequência de baixas

O Banco Central (BC) divulgou nesta semana seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) para o mês de novembro, considerado uma prévia do PIB do país, que subiu 0,69% na comparação com outubro, segundo dado dessazonalizado. O resultado é o primeiro positivo desde junho e o mais forte desde a alta de 1,67% vista em fevereiro de 2021.

A prévia do PIB também foi maior do que projetava a pesquisa Refinitiv, que previa alta de 0,65% na comparação mensal. O BC ainda revisou para cima o resultado de outubro para uma queda de 0,28%, de recuo de 0,4% informado anteriormente.

Em relação a novembro de 2020, a alta foi de 0,43%. Já em 12 meses, a alta acumulada é de 4,30%.

Embora positivo, o resultado ainda indica instabilidade no desempenho econômico no Brasil, com cinco meses apresentando resultado positivo e seis, com quedas mensais.

Ademais, o mercado também  aguarda dados de dezembro para ter uma ideia melhor de como foi o desempenho da economia no ano, já que a variante Ômicron trouxe maior impacto na atividade no último mês de 2021.

As projeções do mercado indicam que neste ano o crescimento econômico deve ficar no patamar dos 4%. O número será divulgado oficialmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) no dia 2 de fevereiro.

Brasil registra recorde diário de novos casos de Covid-19 com avanço da Ômicron

Nesta semana, o Brasil voltou a bater um novo recorde de casos diários de Covid-19, registrado na terça-feira (18) e renovado depois na quinta-feira (20), segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Ministério da Saúde. 

Na quinta, o país registrou 168.060 novos casos conhecidos de Covid-19 em 24 horas, chegando ao total de 23.588.921 diagnósticos confirmados desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de casos nos últimos 7 dias foi a 110.442 – a maior marca registrada até aqui. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de + 373%, indicando tendência de alta nos casos da doença.

An nova onda de contágios tem relação direta com a nova cepa Ômicro, que é muito mais infecciosa, mas menos letal. Segundo levantamento, a média móvel de casos chegou a 99.974 infectados por dia. Já a média de mortes diárias subiu para 212.

O recorde de casos também coincide com a semana em que crianças de 5 a 11 começaram ser vacinadas no Brasil, após decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciada em reunião virtual no dia 16 de dezembro.

A Agência  também decidiu na quinta-feira (20) autorizar a aplicação da vacina CoronaVac em crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos, com veto ao uso em pessoas com baixa imunidade.

 

internacionais

Inflação na Europa atinge novo recorde com custos de energia puxando alta

A Europa registrou nesta semana níveis recordes de inflação, com a zona do euro assinando a maior alta de preços mensais da sua história e o Reino Unido batendo a máxima de 30 anos no resultado de dezembro. Os fatores que levaram ao período altista de preços tem relação com um enorme aumento nos custos de energia, além de preços de alimentos e bebidas mais salgados no Velho Continente.

No Reino Unido, a inflação atingiu o nível mais alto em três décadas, pressionando o custo das famílias, subindo para 5,4% em dezembro, informou o Escritório de Estatísticas Nacionais na quarta-feira (19). É a maior registrada desde 1992

A inflação superou a expectativa de analistas, que previam alta de 5,2%, e afastou a inflação britânica da meta de 2%. Por outro lado, os salários aumentaram a uma taxa anual de 3,8% em dezembro, o que indica choque entre os preços e o poder de compra do cidadão britânico.

O resultado acontece após o Banco da Inglaterra aumentar as taxas de juros em dezembro pela primeira vez desde o início da pandemia

Na zona do euro, a alta dos preços ao consumidor saltou a uma máxima recorde em dezembro, segundo a agência de estatísticas da União Europeia, que atribuiu o resultado também ao aumento da energia e a gargalos na cadeia de oferta conforme a economia se recupera dos lockdowns da pandemia. 

A inflação nos 19 países que usam o euro subiu 0,4% em dezembro sobre o mês anterior e saltaram 5% na base anual.

Em ata da última reunião do Banco Central Europeu, realizada em 16 de dezembro, e publicada na quinta-feira (20), foi advertido que um cenário de inflação ‘mais alta por mais tempo’ não pode ser descartado”.

“Foi enfatizado que o Conselho deve destacar sua disposição de ajustar todos os seus instrumentos conforme apropriado, em qualquer direção, para estabilizar a inflação em 2% no médio prazo”, completou o BCE.

EUA alertam que Rússia pode atacar Ucrânia “a qualquer momento” e conflito entre países se acirra

Um novo conflito diplomático, com contornos bélicos, entre Estados Unidos e Rússia, voltou a ganhar destaque nesta semana, com o anúncio do governo dos EUA na terça-feira (18) de que a Rússia pode atacar a Ucrânia “a qualquer momento”.

Segundo a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, a aparente união entre os exércitos de Rússia e Belarus mostram uma “nova abordagem dos russos, se decidirem realizar ações contra a Ucrânia”.

Conforme apurou a CNN, o governo Biden está avaliando novas opções, incluindo fornecer mais armas à Ucrânia para resistir à ocupação russa, para tentar aumentar os custos para o presidente russo, Vladimir Putin, caso ele decida invadir o país. Por outro lado, Biden disse que o envio de tropas de combate dos EUA à Ucrânia para travar uma guerra com a Rússia está fora de questão. 

“Se qualquer unidade russa se deslocar através da fronteira ucraniana, isso é uma invasão”, disse Biden a jornalistas na Casa Branca. E haverá uma resposta econômica “severa e coordenada”, disse Biden.

Já o governo russo acusou o Ocidente de planejar “provocações” na Ucrânia e que as alegações de um possível ataque russo são um “pretexto para lançar provocações próprias em larga escala, incluindo de caráter militar”, disse a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do país, Maria Zakharova, na quinta-feira (20).

Segundo o Kremlin, as ameaças do presidente americano Joe Biden não ajudam “a reduzir as tensões crescentes sobre a Ucrânia, podendo até mesmo desestabilizar ainda mais a situação”.

Além dos EUA, vários países europeus vêm expressando sua preocupação com um possível conflito militar.

Mesmo assim, os países que protagonizaram a Guerra Fria parecem estar dispostos a conversar. Os chefes da diplomacia dos EUA, Antony Blinken, e da Rússia, Serguei Lavrov, planejam uma reunião em Genebra, na Suíça, nesta sexta-feira (21).

No entanto, o conflito parece longe de um desfecho e o mercado financeiro deve acompanhar de perto seus próximos capítulos.

Temporada de balanços do 4º trimestre começa com os resultados dos principais bancos nos EUA

A bateria de balanços trimestrais começou nos EUA com a divulgação de resultados das principais instituições financeiras do país, que foram majoritariamente positivos. Mesmo assim, os ganhos de lucro e receita dos bancos norte-americanos não conseguiram levantar os índices acionários de Wall Street, que operaram em queda durante toda a semana.

O Morgan Stanley registrou lucro por ação (LPA) acima das projeções do mercado no quarto trimestre, de  US$ 2,08, enquanto a previsão era de US$ 1,94. A receita do Morgan Stanley, de US$ 14,52 bi, ficou abaixo das expectativas que rondavam os US$ 14,56 bi

A instituição Wells Fargo registrou lucro líquido de US$ 5,75 bi no quarto trimestre do ano passado, 86% maior do que o ganho de US$ 3,09 bi apurado em igual período de 2020. O resultado equivale a LPA de US$ 1,38, acima da previsão de US$ 1,11. Já a receita ficou em US$ 20,86 bilhões entre outubro e dezembro, 13% maior do que no mesmo intervalo do ano anterior e também acima das previsões.

O J.P. Morgan Chase, maior banco dos EUA, registrou lucro e receita acima das expectativas do mercado no quarto trimestre, impulsionados pela elevada atividade nos mercados de capitais e pela recuperação dos empréstimos. O LPA do banco ficou em US$ 3,33, acima da projeção de US$ 3,01, com receita de US$ 30,3 bi, enquanto a previsão era de US$ 29,8 bi.

O Bank of America registrou lucro de US$ 6,77 bi, ou LPA de US$ 0,82, ante US$ 5,21 bi, ou US$ 0,59 por papel, no mesmo período do ano anterior. O lucro do banco foi impulsionado por um aumento na carteira de empréstimos e resultado da divisão de banco de investimentos.

Já o Goldman Sachs registrou resultados que decepcionaram frente às expectativas do mercado. O banco teve queda de 13% no lucro do quarto trimestre, de US$ 3,94 bi, comparado ao ganho de US$ 4,50 bi em igual período do ano anterior. O LPA ficou em US$ 10,81 no período, aquém da previsão de analistas que estimavam US$ 11,77.

 

Ranking de moedas

Em semana de desvalorização da moeda americana contra o real, a divisa brasileira anotou forte alta frente ao dólar e ficou em 1ª lugar, com valorização de 1,40%, segundo o  “Ranking de Moedas“, ferramenta disponível no Profit Pro, que reúne 21 das principais moedas do mundo em comparação ao dólar.

Em 2º lugar ficou o yen japonês, que subiu 0,55% frente ao dólar, subindo uma posição em comparação com a semana passada. A lira turca, par emergente do real, também se manteve no pódio, caindo da 1ª para a 3ª posição do ranking, com alta de 0,51%.

Nas últimas colocações, o pior desempenho foi do rublo russo, que caiu 1,54%, seguido pelo dólar neozelandês, que registrou baixa de 1,26% e a coroa norueguesa, que se desvalorizou 1,24%.

 

Ferramenta Ranking de Moedas, Profit Pro.

O DXY (DOLINDEX no Profit Pro), que mostra a relação do dólar contra uma cesta de moedas de países desenvolvidos, registrou alta de 0,41% na semana.

O Dollar Index compara a moeda norte-americana com o euro (zona do euro), o iene (Japão), a libra esterlina (Reino Unido), o dólar canadense (Canadá), a coroa sueca (Suécia), e o franco suíço (Suíça). Confira:

 

Ferramenta “Gráfico”, do Profit Pro. Código: DOLINDEX.

Cotações

Ante o real, as seguintes moedas performaram assim:

  • USD/BRL encerrou a semana com baixa de 1,42%, a R$ 5,456
  • EUR/BRL fechou a semana com baixa de 1,96%, a R$ 6,191
  • MXN/BRL encerra a semana com baixa de 2,05%, a R$ 0,266
  • CNH/BRL com alta baixa de 1,18%, a R$ 0,860

* O Ranking de Moedas, Dolindex e as cotações foram extraídas do Profit Pro, na sexta-feira (21), às 16h30

 

fundamentalista

Insiders

A Infracommerce (IFCM3) anunciou na quinta-feira (20) a sua nova marca e verticais de negócios. O ecossistema da Infracommerce será organizado em cinco verticais modulares que se complementam e se integram. São elas: infra.digital, infra.shop, infra.data, infra.pay e infra.log.

A JBS (JBSS3) anunciou que as suas subsidiárias precificaram na quarta-feira (19) as suas notas sêniores com vencimentos em 2029 e 2052 ofertadas ao mercado internacional, nos montantes de US$ 600 milhões e US$ 900 milhões, respectivamente.

A Neoenergia (NEOE3) e a WEG (WEGE3) anunciaram na terça-feira (18) uma parceria no segmento de infraestrutura para veículos elétricos.

A Petrobras (PETR3;PETR4) registrou em 2021 um novo recorde anual de produção no pré-sal, atingindo 1,95 milhão de barris de óleo equivalente por dia (boed). Este volume corresponde a 70% da produção total da companhia no ano passado.

A Raízen (RAIZ4) anunciou que irá migrar todas as suas aplicações para o ambiente de nuvem da Microsoft (MSFT34). O projeto de migração será desenvolvido ao decorrer dos próximos cinco anos e contará também com um sistema integrado de gerenciamento de dados e inteligência artificial.

Follow On e Aquisições

Braskem – A Braskem (BRKM5) informou que a Petrobras (PETR4;PETR3) e a NSP Investimentos registraram pedido de oferta pública de distribuição secundária de ações simultânea no Brasil e no exterior, que pode movimentar até R$ 8,06 bilhões.

BRF – A BRF (BRFS3) aprovou uma oferta subsequente de até 325 milhões de ações e ADRs. O preço por ação e o valor total do follow-on não foram definidos.

Direcional – A Direcional (DIRR3) assinou acordo para a aquisição de 60% de participação em quatro projetos da Cyrela (CYRE3)  na região metropolitana do Rio de Janeiro. A compra ainda está sujeita à definição das empresas e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Lojas Renner – A Lojas Renner (LREN3) aprovou seu programa de recompra de ações, no valor de até R$ 18 milhões.

Marfrig – A Marfrig (MRFG3) concluiu os processos de aquisições da Sol Cuisine e da Drink Eat Well.

Mater Dei – A rede de saúde Mater Dei (MATD3) afirmou que seu conselho de administração aprovou a compra do Instituto de Cirurgia Plástica e Oftalmologia, em Goiás, parte de uma operação de R$ 250 milhões a ser feita pela unidade RMDS.

Mills – A Mills (MILS3) anunciou a conclusão da operação de aquisição da Altoplat, empresa de locações de plataformas aéreas, por R$ 23,1 milhões referente à totalidade do negócio.

Neogrid – O conselho de administração da Neogrid (NGRD3) aprovou programa de recompra de até 8,5 milhões de ações, com vigência de 18 meses.

Ser Educacional – A Ser Educacional (SEER3) informou a conclusão da aquisição da Faculdade Educacional da Lapa (Fael), empresa que atua na modalidade digital de ensino.

Sinqia – A Sinqia (SQIA3) anunciou a compra do controle da gestora de riscos para administração de recursos Lote45. A companhia pagará R$ 79,5 milhões em dinheiro para ficar com 52% do capital da Lote45. Há opção da Sinqia adquirir os outros 48% em até cinco anos.

IPOs

Nesta semana a lista de desistências de processos de oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aumentou. As novas empresas que desistiram do IPO são: Coty, Cencosud, Cantu Store, Minas Gerais Participações e Fulwood.

Maiores altas e baixas da semana

 

Conclusão

Este foi o Replay de Mercado, com as principais notícias do mercado que foram destaques nesta semana. Para mais notícias, nos acompanhe no Blog da Nelogica. Você também pode se informar pelo Market Report, publicado três vezes por dia no Profit Pro, com as notícias mais relevantes do momento.