Será que a privatização da Eletrobras sai em 2022?

Resumo com as principais notícias do cenário nacional e internacional que foram destaques nesta semana

Última atualização:

Para frustação do Planalto, o julgamento para privatização da Eletrobras foi novamente adiado em meio à resistência de alguns ministros do Tribunal de Contas da União. Assim, a desestatização que era esperada para abril deve acontecer apenas no segundo semestre. Mas isso também não é totalmente certo, já que o período também marca a largada para a corrida eleitoral e o cenário econômico pode não ser o melhor para os ativos da empresa de energia.

Lá fora, o Fed segue dando indícios de que os juros americanos vão aumentar 0,50 ponto percentual em maio para conter a inflação!

Tudo isso e mais você confere nesta edição do Replay do Mercado

Notícias nacionais

Privatização da Eletrobras é novamente adiada e deve ocorrer apenas no 2º semestre 

Guedes critica guerra na Ucrânia e retaliações econômicas contra Rússia em evento nos EUA

FMI e FGV elevam projeção de crescimento do PIB brasileiro, mas resultado não anima

Notícias internacionais

Fed deve elevar juros nos EUA em 0,50 ponto na próxima reunião, indicam integrantes

Inflação anual na zona do euro tem nova máxima recorde, mas fica abaixo das projeções

Estados Unidos anunciam novas sanções contra Rússia e país contra-ataca

Moedas pelo mundo

Ranking de Moedas

Mercado Fundamentalista

Insiders

Follow On e Aquisições

Maiores altas e baixas da semana

 

Privatização da Eletrobras é novamente adiada e deve ocorrer apenas no 2º semestre 

O julgamento que definirá sobre a privatização da Eletrobras no Tribunal de Contas da União (TCU) foi novamente adiado, agora em 20 dias, o que vai demandar um novo cronograma do governo para conclusão da operação. Com isso, a diluição do controle acionário da empresa passou de 13 de maio para, provavelmente, na segunda quinzena de julho.

As ações da companhia na Bolsa de Valores encerraram em alta na quarta-feira (20), quando houve a prorrogação do julgamento. 

Embora o governo aguardasse o aval definitivo ainda em abril, o adiamento de mais 20 dias ainda permite que a privatização aconteça ainda neste ano, mas ela pode ser prejudicada pelo período eleitoral. Além disso, as condições do mercado em 2022 também são um risco para o processo.

A desestatização da Eletrobras é uma das principais propostas econômicas do governo Bolsonaro nesta reta final de 1º mandato.

Diante disso, o novo adiamento representa uma derrota para o governo. Mas podia ser pior

Isso porque o ministro do TCU, Vital do Rêgo, vinha defendendo ao longo desta semana um pedido de vistas de 60 dias, o que empurraria a privatização para o próximo ano. Vital do Rêgo é um dos ministros que já se posicionaram frontalmente contrário à privatização nos moldes atuais.

Os demais ministros, contudo, decidiram reduzir o tempo de vista defendido por Rêgo.

Como cabe ao colegiado a decisão quando não há consenso, a presidente do tribunal, Ana Arraes, concedeu vista coletiva da corte por 20 dias e suspendeu o julgamento.

Guedes critica guerra na Ucrânia e retaliações econômicas contra Rússia em evento nos EUA

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse em evento nos Estados Unidos que o Brasil é contra a guerra no leste europeu e contra as sanções econômicas em retaliação à Rússia. Guedes também se opôs à expulsão dos russos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.

Para amenizar a posição pró-Rússia, o ministro justificou que a Constituição brasileira não permite que o país apoie sanções que não tenham sido decididas pela Organização das Nações Unidas (ONU). A defesa ao país vem após Guedes receber do ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, um pedido de apoio do governo brasileiro.

Outra justificativa foi que o Brasil pertence ao BRICS, grupo econômico de países emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), e não da OCDE, grupo formado por 38 países, incluindo EUA e Europa.

Nós não pertencemos ao globo, à OCDE. E pertencemos aos BRICS, somos os únicos nos BRICS a ter condenado a invasão. Índia e China, metade da população mundial, disseram ‘nós não nos importamos’. Então estamos em uma situação complexa. Minha posição seria: cessar-fogo agora e suspensão imediata de sanções”.

O ministro salientou que chegou o momento de o Brasil ser aceito como membro da OCDE.

Além da pauta “guerra na Ucrânia”, o ministro da Economia também falou sobre o ciclo de aperto dos juros no Brasil e de países desenvolvidos. Segundo ele, o Brasil deve controlar a inflação primeiro que os países ricos, na medida que já possui juros mais altos e iniciou o ciclo de elevações mais cedo. Já Estados Unidos e Europa encontram-se “atrás da curva”.

Guedes lembrou que a maioria dos países desenvolvidos, em linha com avaliação do FMI, considerava que as pressões inflacionárias eram temporárias e agora estão correndo atrás.

Embora a política monetária deva ser dependente de dados e atenta ao equilíbrio dos riscos, inclusive à estabilidade financeira, ela deve mostrar determinação no combate ao aumento da inflação e não permitir que as expectativas de inflação subam”, defendeu o ministro, enfatizando o compromisso do Banco Central no controle dos preços.

Mesmo assim, admitiu que “o aperto da política monetária, assim como o crescimento global mais lento, desacelerou o ritmo de transição de nossa recuperação cíclica para o crescimento sustentável”.

FMI e FGV elevam projeção de crescimento do PIB brasileiro, mas resultado não anima

O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Monitor do PIB da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ibre) projetaram nesta semana um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Porém, considerando que o resultado se dá em cima de uma base comparação fraca, a projeção para a economia não é animadora

Nos cálculos da FGV, divulgados na quarta-feira (20), o PIB subiu 0,6% em fevereiro deste ano na comparação com o mês anterior, quando houve recuo de 1%, segundo dados da instituição.

Na comparação interanual a economia cresceu 1,2% em fevereiro e 1,7% no trimestre móvel findo em fevereiro.

Para a coordenadora da pesquisa, Juliana Trece, o alta segue sendo influenciada pelo setor de serviços.

O crescimento da economia brasileira em fevereiro continua sendo explicado, principalmente, pelo desempenho do setor de serviços. Mesmo considerando a variação em fevereiro, frente a janeiro, o desempenho do setor também foi de crescimento. Por ter sido o mais impactado pela pandemia, a fraca base de comparação apresentada no setor de serviços favorece o seu bom desempenho atual”, avaliou em nota.

No entanto, o setor deve ser cada vez mais pressionada pelas condições da economia brasileira:

O combo inflação, juros e desemprego elevados podem prejudicar a sustentação do crescimento da atividade de serviços no decorrer do ano e, consequentemente, do próprio PIB”, enfatizou Trece.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) também elevou a projeção do PIB brasileiro para 2022 – uma das poucas nações que teve alta do indicador por parte do Fundo

O FMI elevou a projeção de crescimento do Brasil relativa a 2022, de 0,3% em janeiro para 0,8%

Apesar da alta na projeção, o economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, disse que o Brasil teve uma das mais baixas projeções de crescimento econômico da América Latina. Segundo ele, o cenário reflete principalmente o agressivo aperto monetário do Banco Central. Atualmente a Selic está em 11,75% ao ano.

Para 2023, o Fundo diminuiu a estimativa de aumento do PIB brasileiro de 1,6% para 1,4%.

 

internacionais

Fed deve elevar juros nos EUA em 0,50 ponto na próxima reunião, indicam integrantes

Os integrantes do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) estão cada vez mais certos – para não dizer totalmente – que os juros nos EUA subirão em 0,50 ponto percentual na próxima reunião de formulação da política monetária americana, marcada para os dias 3 e 4 de maio.  A decisão ocorrerá em meio a níveis recordes de inflação nos EUA, bem distante da meta de 2%, ampliados pela guerra entre Rússia e Ucrânia.

Na última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), que ocorreu em março, os juros foram elevados em 0,25 p.p.

“É apropriado avançar um pouco mais rapidamente”, disse o presidente do Fed, Jerome Powell nesta semana. 

Tínhamos uma expectativa de que a inflação atingiria o pico por volta dessa época e cairia ao longo do resto do ano e depois mais…Essas expectativas foram decepcionadas no passado. Queremos ver o progresso real… Não vamos contar com a ajuda da cura do lado da oferta. Vamos aumentar as taxas e chegar rapidamente a níveis mais neutros, e depois mais altos, se necessário”, acrescentou Powell.

A taxa de juros considerada “neutra” pelo Fed é de 2,25% a 2,50% ao ano.  

Charles Evans, presidente do Fed Chicago, disse que se a inflação continuar alta, deverá ter que aumentar ainda mais os custos dos empréstimos. Com isso, seria necessário novos aumentos de 0,50 p.p.

Porém, “se a inflação por algum motivo começar a acelerar novamente, isso seria motivo de grande preocupação”, disse ele.

A presidente do Fed de San Francisco, Mary Daly, também concorda em elevar a magnitude de aumento dos juros na próxima reunião e disse que o argumento para alta de 0,50 p.p. está “completo” e “sólido, com a trajetória de alta dos juros pelo banco central dos Estados Unidos neste ano sendo amplamente vista como apropriada em face da elevada inflação.

Para a próxima reunião do FOMC, o Fed também deve dar mais informações sobre a redução do balanço de compra de ativos do banco central.

Inflação anual na zona do euro tem nova máxima recorde, mas fica abaixo das projeções

A taxa anual de inflação na zona do euro voltou a superar as máximas históricas, para 7,4% em março, superando o recorde anterior de 5,9% registrado em fevereiro, segundo dados finais divulgados na quinta-feira (21). No entanto, as expectativas do mercado eram de uma inflação maior, de 7,5%.

O CPI  (sigla em inglês para o indicador) recorde pressiona ainda mais o Banco Central Europeu (BCE) para que aperte sua política monetária. A meta de inflação do BCE é de 2% ao ano.

Os custos elevados com energia segue motivando a alta do índice. No entanto, as projeções do mercado ficaram acima dos resultados oficiais.

A inflação da zona do euro avançou 2,4% de fevereiro para março, enquanto o consenso era de 2,5%. E o núcleo da inflação, que desconsidera ítens mais voláteis, teve ganho anual de 2,9%, enquanto a projeção era de alta de 3%

Paralelamente à alta inflação, o Índice de Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês) da Alemanha, maior economia da Europa, recuou para o menor nível em 3 meses. 

O PMI alemão composto, que engloba os setores industrial e de serviços, caiu de 55,1 em março para 54,5 em abril, segundo dados preliminares da S&P Global. Leituras acima dos 50 pontos indicam expansão da atividade econômica, no entanto, o recuo demonstra que o ritmo dessa expansão desacelerou.

Na sexta-feira (22), o Bundesbank, banco central alemão, informou que a economia da Alemanha vai contrair quase 2% neste ano, caso a guerra na Ucrânia piore e resulte em um boicote da energia russa. De acordo com a autoridade monetária, as consequências do conflito no leste europeu já estão enfraquecendo a recuperação econômica da zona do euro após os impactos da pandemia.

Estados Unidos anunciam novas sanções contra Rússia e país contra-ataca

Os Estados Unidos anunciaram nesta semana novas sanções contra a Rússia, dando prosseguimento à “guerra econômica” entre o ocidente e o país do presidente Vladimir Putin. Entre o novo pacote de medidas, o Departamento do Tesouro dos EUA sancionou o Transcapitalbank, um importante banco comercial russo que oferece serviços a bancos globalmente para evitar sanções internacionais”, disse a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki.

A Casa Branca vem tentando impedir que a Rússia drible as sanções comerciais. Diante disso, mais de 40 indivíduos e entidades que segundo o governo Biden fazem parte de uma rede russa de evasão de sanções liderada pelo oligarca russo Konstantin Malofeyev também foram sancionados.

Além disso, o Tesouro dos EUA também sancionou empresas do setor de mineração de moeda virtual da Rússia e bloqueou o visto de novos agentes do governo.

O Kremlin contra-atacou e proibiu a entrada em seu território de 29 personalidades americanas, incluindo a vice-presidente Kamala Harris e o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg.

A Rússia já havia anunciado sanções contra centenas de funcionários americanos e canadenses, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau, em resposta às medidas punitivas de seus países contra Moscou.

A União Europeia também planeja lançar um novo pacote de sanções contra a Rússia, mas ainda falta o consenso entre os países membros.

 

Ranking de moedas

A forte valorização do dólar nesta sexta-feira (22) recuperou parte das perdas da moeda nesta semana em comparação ao real. Por consequência, o dólar derrubou a divisa brasileira em 1,96%, levando real a cair da 5ª para antepenúltima posição do “Ranking de Moedas”, ferramenta disponível no Profit Pro, que reúne 21 das principais moedas do mundo em comparação ao dólar.

Acompanhando o real, entre os piores desempenhos estão o dólar australiano (-1,98%) e o yuan chinês (-2,25%). 

Já no pódio do Ranking, o rublo russo segue mantendo a liderança, desta vez com alta de 4,60% frente ao dólar. O 2º lugar ficou para o florim húngaro, com alta de 0,93%, seguido da coroa checa, com alta de 0,22%.

 

Ferramenta Ranking de Moedas, Profit Pro.

O DXY (DOLINDEX no Profit Pro), que mostra a relação do dólar contra uma cesta de moedas de países desenvolvidos, registrou forte alta de 0,62% na semana.

O Dollar Index compara a moeda norte-americana com o euro (zona do euro), o iene (Japão), a libra esterlina (Reino Unido), o dólar canadense (Canadá), a coroa sueca (Suécia), e o franco suíço (Suíça). Confira:

Ferramenta “Gráfico”, do Profit Pro. Código: DOLINDEX.

Cotações

Ante o real, as seguintes moedas performaram assim:

  • USD/BRL encerrou a semana com alta de 1,99%, a R$ 4,795
  • EUR/BRL fechou a semana com alta de 1,81%, a R$ 5,176
  • MXN/BRL encerra a semana com alta de 0,57%, a R$ 0,236
  • CNH/BRL com baixa de 0,31%, a R$ 0,734

* O Ranking de Moedas, Dolindex e as cotações foram extraídas do Profit Pro, na sexta-feira (22), às 16h30

 

fundamentalista

Insiders

A Aliansce Sonae (ALSO3) apresentou ao Conselho de Administração da brMalls (BRML3) nova proposta de combinação de negócios. Desta vez, a Aliansce Sonae ofereceu pagamento em dinheiro de R$ 1,25 bilhão pela brMalls e relação de substituição de 1 ação de emissão da brMalls para 0,3940 ação de emissão da companhia.

O Banco Inter (BIDI11) informou que retomou os planos para a reorganização societária que resultará na migração de sua base acionária para a Inter & Co, com a listagem de suas ações na Nasdaq, em Nova York, e negociação de BDRs.

A Eztec (EZTC3) informou que o Cade aprovou a parceria da empresa com a Cal (Construtora Adolpho Lindenberg), criando uma sociedade denominada EZCAL Participações, com o objetivo de desenvolver empreendimentos imobiliários.

 

Follow On e Aquisições

Alpargatas – A Alpargatas (ALPA4) concluiu o fechamento da operação de alienação da totalidade de sua participação na Terras de Aventura Indústria de Artigos Esportivos (Osklen), para a Dass Nordeste Calçados e Artigos Esportivos, correspondente a 60% do capital social da Osklen.

Aura Minerals – A Aura Minerals (AURA33) anunciou a aquisição de 100% da Big River Gold, em um acordo avaliado em 91,7 milhões de dólares australianos.

Banco Modal – O Banco Modal (MODL11) informou que concluiu a aquisição de participação equivalente a 11,25% do capital social da KeyCash, sem mencionar os valores da operação.

Itaú Unibanco – O Itaú Unibanco (ITUB4) informou que acertou a compra de 12,82% da plataforma para compra e venda de produtos do agronegócio Orbia, sem revelar o valor do negócio.

Tupy – A Tupy (TUPY3) celebrou, na segunda-feira (18), com a Navistar International Corporation, subsidiária da Traton, contrato para aquisição de 100% dos ativos e negócios da International Indústria Automotiva da América do Sul (MWM do Brasil). O preço de aquisição é de R$ 865 milhões. 

 Maiores altas e baixas da semana

 

Conclusão

Este foi o Replay de Mercado, com as principais notícias do mercado que foram destaques nesta semana. Para mais notícias, nos acompanhe no Blog da Nelogica. Você também pode se informar pelo Market Report, publicado três vezes por dia no Profit Pro, com as notícias mais relevantes do momento.