Replay de Mercado: Brasília declara guerra contra alta dos combustíveis

Resumo com as principais notícias do cenário nacional e internacional que foram destaques nesta semana

Última atualização:

Veja no Replay de Mercado: a alta dos combustíveis no Brasil tem provocado um alvoroço em Brasília, que busca conter os preços em disparada durante o ano eleitoral. Diante disso, a semana contou com a renúncia do presidente da Petrobras e piora na relação entre a estatal e o Planalto.

Além disso, a semana também foi marcada pela divulgação da ata do Copom e a nova prévia da inflação no Brasil.

Lá fora, o destaque ficou para o testemunho do presidente do Fed, Jerome Powell, ao Congresso dos EUA e também a divulgação dos dados no Reino Unido e Japão.

Veja tudo sobre esses e outros assuntos nesta edição do Replay de Mercado!

Notícias nacionais

Alta dos combustíveis ditam agenda do Planalto e Congresso nesta semana

Banco Central indica postura mais agressiva e projeta inflação fora da meta em 2023, mostra ata do Copom

Prévia da inflação acelera em junho e acumula 3% no trimestre

Notícias internacionais

Powell, do Fed, diz que há risco de recessão nos Estados Unidos com juros em nível contracionista

Inflação no Reino Unido é a maior em 40 anos e no Japão fura meta pelo 2º mês seguido

Moedas pelo mundo

Ranking de Moedas

Mercado Fundamentalista

Insiders

Follow On e Aquisições

IPOs

Maiores altas e baixas da semana

Alta dos combustíveis ditam agenda do Planalto e Congresso nesta semana

A semana no país foi mais uma marcada pela ofensiva do Planalto e Congresso contra a alta dos combustíveis, que contou com a renúncia do presidente da Petrobras, impasses sobre novo nome que vai assumir o comando da estatal, sanção presidencial para lei que fixa um teto para o ICMS dos combustíveis e mais desdobramentos. Desde o último sábado (18) começou a valer o novo reajuste da Petrobras.

O preço do litro da gasolina nos postos do país chegou a R$ 8,990 na semana passada, e para o diesel o maior valor encontrado foi de R$ 8,630, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgados nesta terça-feira (21). A pesquisa ainda não reflete o último reajuste.

Após a nova correção dos preços feita pela Petrobras, aumentou ainda mais a pressão de Brasília contra o comando da estatal. Bolsonaro considerou o reajuste como uma “motivação política” e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) pediu a renúncia do presidente da Petrobras, José Mauro Coelho.

Na segunda-feira (20), Coelho acatou o pedido e renunciou ao cargo. Além disso, a Petrobras divulgou renúncia de Coelho do Conselho de Administração da companhia.

A saída de Coelho abriu espaço para novo presidente indicado pelo governo, Caio Paes de Andrade, que ocupa o cargo de secretário de desburocratização do Ministério da Economia. No entanto, a troca tem sido marcada por certa resistência do conselho de administração da empresa. 

Alguns membros alegam que Andrade não cumpre todos os requisitos, pois “não tem notório conhecimento na área, é formado em comunicação social e sem experiência no setor de petróleo e energia”, conforme disse Rosângela Buzanelli, membro do conselho. 

O Comitê de Elegibilidade se reúne nesta sexta-feira (24) para definir o comando. A decisão final se Andrade assume ou não o cargo, no entanto, será anunciada na segunda-feira (27), após reunião extraordinária.

Bolsonaro espera que o novo presidente da Petrobras troque a diretoria da estatal e garanta um intervalo entre os reajustes dos combustíveis, evitando novas altas até o primeiro turno da eleição. 

O chefe do Executivo também projeta que o conselho formado a partir da nova indicação mude a política do Preço de Paridade de Importação (PPI), que atrela o custo dos combustíveis no Brasil ao valor do barril do petróleo e ao dólar. 

Para isso, segundo o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), o Planalto está preparando uma medida provisória (MP) para modificar a Lei das Estatais. A intenção do governo é editar uma MP modificando trechos da lei que impedem interferência política interna para passar a ter mais controle sobre as decisões tomadas no âmbito da maior empresa brasileira, informaram os portais de notícia nesta semana.

Mesmo assim, o ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, reforçou nesta semana que é contrário ao congelamento de preços dos combustíveis e disse que não existe possibilidade de haver intervenção federal na política da empresa.

A semana contou com outros destaques envolvendo a alta dos combustíveis. 

Na quinta-feira (23), o presidente Jair Bolsonaro sancionou o projeto de lei que estabelece um teto para o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis, com uma série de vetos ao modelo de compensação financeira aos estados devido à limitação da alíquota do imposto.

O projeto aprovado pelo Congresso previa que a União compensaria os demais entes da Federação para que esses mínimos constitucionais tivessem os mesmos recursos de antes. Por isso, há chances que o tema seja judicializado, afirmam especialistas.

Entre as vitórias de Bolsonaro nesta semana foi a decisão da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), que representa os caminhoneiros, de não realizar uma greve nacional em razão da alta do diesel.

Banco Central indica postura mais agressiva e projeta inflação fora da meta em 2023, mostra ata do Copom

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central indicou que terá uma postura mais agressiva contra a alta dos preços do Brasil, o que pode ser interpretado com mais elevações da taxa Selic fora do cronograma. De acordo com a ata do Copom, divulgada na quarta-feira (22), ainda haverá ao menos um “novo ajuste, de igual ou menor magnitude” na próxima reunião, em agosto. Em julho, a Selic teve alta de 0,50 ponto percentual, para 13,25% ao ano.

Mesmo que tenha confirmado apenas uma nova alta, o Copom afirmou que sua atuação demanda “cautela adicional” diante da “crescente incerteza” da atual conjuntura e do estágio avançado do ciclo de ajuste, que ainda tem impactos a serem observados. A interpretação do mercado foi de um BC mais ‘hawkish’ (postura mais dura contra a inflação).

Além disso, o cenário externo seguiu se deteriorando, marcado por revisões negativas para o crescimento global, de acordo com a ata, o que contribuiu para a previsão do Copom de que a inflação de 2023 não irá convergir para o centro da meta, que é de 3,25%, com uma margem de 1,5 ponto percentual.

O Comitê avalia, com base nas projeções utilizadas e seu balanço de riscos, que a estratégia requerida para trazer a inflação projetada em 4,0% para o redor da meta no horizonte relevante conjuga, de um lado, taxa de juros terminal acima da utilizada no cenário de referência e, de outro, manutenção da taxa de juros em território significativamente contracionista por um período mais prolongado que o utilizado no cenário de referência”, diz a ata.

O Copom, inclusive, deixou de usar a expressão “centro da meta”, como já havia feito no comunicado divulgado após elevar a Selic para 13,25% ao ano.

Após a divulgação da ata, na quinta-feira (23), o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, deu mais detalhes da meta perseguida pelo BC: 

Temos comunicado que estamos perseguindo um número ao redor. E temos dito que não é 4%. É menos de 4% [em 2023]. Obviamente, todas relações de trocas entre alta de juros e suavização do ciclo – entendendo onde a taxa de juros tem de chegar e entendendo também as relações de troca entre o ritmo de subida e a taxa terminal, e quanto a taxa tem de ficar no nível terminal – tudo é levado em consideração”

O diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, acrescentou que a expressão “ao redor” foi utilizada porque há incertezas em relação ao comportamento da inflação até o próximo ano.

Prévia da inflação acelera em junho e acumula 3% no trimestre

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de junho acelerou para 0,69%, ante 0,59% em maio, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta sexta-feira (24).

O IPCA-E, que é o IPCA-15 acumulado trimestralmente, foi 3,04%, acima da taxa de 1,88% para igual período de 2021. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 5,65% e, em 12 meses, de 12,04%, abaixo dos 12,20% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.

Todos os grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta em junho, de acordo com o IBGE.  O maior impacto (0,19 p.p.) veio dos Transportes (0,84%), que desaceleraram em relação a maio (1,80%). A maior variação veio de Vestuário (1,77% e 0,08 p.p.), seguido por Saúde e cuidados pessoais (1,27%), que contribuiu com 0,16 p.p. no índice do mês.

O grupo Habitação, que havia registrado queda no mês anterior (-3,85%), subiu 0,66% em junho. Os demais grupos ficaram entre o 0,07% de Educação e o 0,94% de Artigos de residência. 

*Matéria do IPCA-15 foi produzida pela redação da BM&C News

internacionais

Powell, do Fed, diz que há risco de recessão nos Estados Unidos com juros em direção contracionista

O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, deu seu testemunho sobre a condução da política monetária dos Estados Unidos ao Congresso americano entre quarta (22) e quinta-feira (23). As falas de Powell contribuíram para uma alta na sensação de risco do mercado, que já precifica uma possível recessão na maior economia do mundo, com impacto em toda cadeia de produção.

Por outro lado, o chefe do banco central reiterou que a autarquia tem “agido rapidamente” para conter os preços ao consumidor, que já são os maiores em quatro décadas (taxa de 8,6% ao ano). O compromisso para combater a inflação segue como prioridade para o Fed. 

O combate, no entanto, é contra um inimigo cheio de “surpresas”.

Foi este o adjetivo que Powell usou sobre os dados mais recentes de inflação nos EUA. E reiterou que “mais surpresas” podem estar por vir no Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês).

Segundo ele, a temida recessão, que é quando os indicadores econômicos se contraem por um intervalo de tempo, pode acontecer se o cenário externo seguir incerto e exija do Fed novas altas de juros não programadas, colocando assim um freio na economia americana

Não é o nosso resultado pretendido, mas certamente é uma possibilidade e, francamente, os eventos dos últimos meses em todo o mundo tornaram mais difícil para nós alcançarmos o que queremos, que é inflação em 2% e ainda uma mão de obra forte”, disse. 

A contração dos indicadores econômicos no papel, que geraria a recessão, traz para a vida real um risco elevado para o desemprego, o que também foi abordado por Powell no Congresso.

Nós realmente precisamos restaurar a estabilidade de preços… porque sem isso não seremos capazes de ter um período sustentado de pleno emprego em que os benefícios sejam amplamente disseminados”, disse ele.

Para o segundo semestre de 2022, o chair do Fed projeta que o Produto Interno Bruto do país tenha avanço superior ao registrado no primeiro trimestre, quando a economia retraiu 1,4%. Isso porque leva tempo para alta dos juros surtir efeito real na economia. A base fraca de comparação também facilita o crescimento da economia no último trimestre do ano.

Na semana passada, o Fed elevou sua taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, maior alta desde 1994, para uma faixa de 1,50% a 1,75%, e sinalizou que os juros básicos podem subir a 3,4% até o fim deste ano.

Como o patamar neutro considerado pelo Fed é de 2,5%, os juros acima desse nível movem a economia americana para terreno contracionista, ou seja, que desestimulam a atividade econômica.

Inflação no Reino Unido é a maior em 40 anos e no Japão fura meta pelo 2º mês seguido

Dados de inflação no Reino Unido e Japão, divulgados nesta semana, mostram que a alta dos preços é um fenômeno que já está disseminado entre a maioria dos países. Enquanto o indicador de preços ao consumidor do país europeu saltou para maior patamar em 40 anos, no Japão o dado ficou novamente acima da meta do seu Banco Central, mas ainda não preocupa a autarquia.

O Reino Unido é atualmente o país do G7 com maior inflação, cuja taxa está em 9,1% ao ano. A leitura subiu de 9,0% em abril e ficou em linha com pesquisa da Reuters junto a economistas. Registros da Agência de Estatísticas Nacionais mostram que a inflação de maio foi a mais alta desde março de 1982 – e é provável que venha a piorar.

O principal fator da nova alta é a disparada nos preços com alimentação e energia. O Banco da Inglaterra disse na semana passada que a inflação provavelmente permanecerá acima de 9% nos próximos meses até atingir um pico ligeiramente acima de 11% em outubro, quando as contas de energia deverão subir novamente.

Os preços dos alimentos e bebidas não-alcoólicas aumentaram 8,7% em termos anuais em maio.

Por outro lado, o núcleo da inflação anual – que elimina os preços dos alimentos e da energia para dar uma ideia da pressão de custos gerada internamente – caiu pela primeira vez desde setembro para 5,9% de 6,2%.

No Japão, por outro lado, o núcleo do índice de preços ao consumidor ainda está relativamente baixo em comparação com o Reino Unido, por exemplo, mas mesmo assim furou a meta japonesa pelo segundo mês seguido. 

O núcleo do índice de preços ao consumidor nacional, que exclui alimentos frescos voláteis, mas inclui os custos de combustível, subiu 2,1% em maio em relação ao ano anterior, conforme mostraram os dados. O resultado é o mesmo registrado em abril. A meta do Banco do Japão é de 2% 

Os dados desafiam a visão do Banco do Japão de que o recente aumento dos preços é temporário e não justifica a retirada do estímulo monetário.

Ranking de Moedas

O dólar seguiu perdendo força em comparação a cesta das principais moedas do mundo nesta semana, mas no caso do real o fenômeno foi o inverso, com a divisa brasileira mantendo a fraqueza registrada na semana passada contra o dólar. O real fechou a semana com baixa de 2,07% e teve o pior desempenho do “Ranking de Moedas”, ferramenta disponível no Profit Pro, que reúne 22 das principais moedas do mundo em comparação ao dólar. 

Junto com o real, nas últimas posições ficaram o peso argentino, com baixa de 0,81% e a rúpia indiana, com baixa de 0,37%.

No pódio do Ranking, o rublo russo se manteve na liderança, com alta de 4,70% frente o dólar na semana, seguido pela lira turca (+3,35%) e peso mexicano (+2,17%), ambos pares emergentes do real.

Ferramenta Ranking de Moedas, Profit Pro.

O DXY (DOLINDEX no Profit Pro), que mostra a relação do dólar contra uma cesta de moedas de países desenvolvidos, registrou baixa de 0,50% na semana.

O Dollar Index compara a moeda norte-americana com o euro (zona do euro), o iene (Japão), a libra esterlina (Reino Unido), o dólar canadense (Canadá), a coroa sueca (Suécia), e o franco suíço (Suíça). Confira:​

Ferramenta “Gráfico”, do Profit Pro. Código: DOLINDEX.

Cotações

Ante o real, as seguintes moedas performaram assim:

  • USD/BRL encerrou a semana com alta de 2,05%, a R$ 5,259
  • EUR/BRL fechou a semana com alta de 2,64%, a R$ 5,548
  • MXN/BRL encerra a semana com alta de 4,26%, a R$ 0,264
  • CNH/BRL com alta de 2,41%, a R$ 0,786

* O Ranking de Moedas, Dolindex e as cotações foram extraídas do Profit Pro, na sexta-feira (24), às 16h20

fundamentalista

Insiders

A Eletrobras (ELET6) informou que recebeu correspondência de acionistas com os nomes de candidatos a serem eleitos para compor o novo conselho de administração da companhia.

No âmbito da reorganização societária e da migração acionária do Inter para a bolsa norte-americana Nasdaq, os BDRs do Inter & Co começaram a ser negociados na B3 com o ticker INBR31 na segunda-feira (20). Já as ações do banco estrearam na Nasdaq na quinta-feira (23) com o ticker INTR.

A Mitre Realty (MTRE3) informou o falecimento de Jorge Mitre, presidente do conselho de administração e integrante do grupo de controle da companhia, na última sexta-feira (17).

A Oi (OIBR4) comunicou a alteração da data da divulgação do seu balanço do primeiro trimestre, que estava prevista para terça-feira (21), para o dia 28 de junho

A Tegma (TGMA3) recebeu a renúncia de Marcos Antonio Leite de Medeiros ao cargo de diretor presidente, e membros do conselho de administração elegeram Nivaldo Tuba para substituí-lo.

Follow On e Aquisições

Cosan – O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou a compra de 51% da distribuidora de gás Gaspetro pela Compass, o que deve colaborar para o fortalecimento do grupo Cosan (CSAN3) no setor.

Engie – A Engie (EGIE3) concluiu a aquisição dos direitos de desenvolvimento do Projeto Serra do Assuruá junto à PEC Energia pela Engie Brasil Energias Complementares, uma controlada da companhia. 

GPA – O GPA (PCAR3) anunciou a conclusão do programa de recompra de ações da Éxito, sociedade de capital aberto com sede na Colômbia da qual o GPA é acionista controlador.

Natura Cosmético – A Natura Cosméticos (NTCO3), controlada da holding listada em bolsa Natura&Co, aprovou uma emissão de até R$ 1,879 bilhão em debêntures de cinco anos para alongamento de dívida.

Pague Menos – O Cade aprovou, por unanimidade, a venda com restrições da rede de farmácias Extrafarma para a Pague Menos (PGMN3).

Rede D’Or – A Rede D’Or (RDOR3) passou a deter 64.217.141 units da SulAmérica (SULA11), representadas por 64.217.141 ações ordinárias e 128.434.282 ações preferenciais de sua emissão. A participação equivale a aproximadamente 15,08% do capital social da SulAmérica.

IPOs

A fornecedora de infraestrutura marítima usada na exploração de petróleo Oceânica Engenharia pediu registro de companhia aberta, segundo informações no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

 Maiores altas e baixas da semana

 

 

Conclusão

Este foi o Replay de Mercado, com as principais notícias do mercado que foram destaques nesta semana. Para mais notícias, nos acompanhe no Blog da Nelogica. Você também pode se informar pelo Market Report, publicado três vezes por dia no Profit Pro, com as notícias mais relevantes do momento.