TP ou AT
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Tape Reading ou Análise Gráfica: qual a melhor?

Uma dúvida que frequentemente atinge os traders é sobre qual metodologia usar. Tape Reading e Análise Gráfica são dois métodos muito usados para o trading de curto prazo. Como saber qual a melhor técnica? Leia esse artigo para saber o que são e o que você deve considerar ao usar a leitura de fluxo ou a leitura gráfica!

Conceituando as duas técnicas

O tape reading, também conhecido como análise de fluxo de ordens, como diz o próprio nome pretende identificar o fluxo do mercado. Qual fluxo? De compra e venda, verificando qual a pressão momentânea do mercado. A partir dessa “pressão”, é possível ir a favor do fluxo, realizando compras e vendas.

Para a leitura de fluxo, o que importa é verificar o que os grandes players do mercado estão fazendo. Se os maiores players estão comprando, por exemplo, o que eu faço? Compro também! O raciocínio por trás da leitura de fluxo com certeza não é uma dor de cabeça.

Já a análise gráfica tem outro tipo de fundamento. Com essa técnica, a leitura do mercado ocorre por meio dos gráficos. Você certamente já viu o famoso gráfico de candles (candlestick). É uma conhecida representação do mercado financeiro.

A análise gráfica é um mundo de informações. Indicadores técnicos e padrões gráficos são algumas derivações desses estudos.

Com a análise gráfica,  o trader busca identificar eventos que ocorreram no passado que podem se replicar no presente. Assim, é possível analisar se o mercado está em tendência de alta, baixa ou consolidado.

Quais são as características do Tape Reading?

O tape reading permite a análise do comportamento dos participantes do mercado e a tomada de decisão a partir disso. Não há um setup pré-programado, porém, há estratégias para cada mercado.

Um leitor de fluxo se preocupa em saber duas questões. A primeira, é onde os players estão apregoando suas ordens no book de ofertas. A partir de então, se sabe as intenções dos players. Também, onde (em quais preços), o quanto e por quanto tempo as ofertas estão no book.

O segundo ponto é a agressão. A agressão é a iniciativa de compra ou venda de algum player. De igual modo, a análise é em quais preços, qual o tamanho e por quanto tempo se prosseguem as agressões.  Há algumas peculiaridades nessa técnica.

Book de Ofertas e Times and Trades

Para realizar a leitura de fluxo, é necessário ter um Book de Ofertas e um Times and Trades. Sem essas ferramentas, não tem como entender as posições dos participantes do ativo. Por mais que as ferramentas atuais possibilitem colocar recursos semelhantes no gráfico, só com o gráfico é muito difícil ler o fluxo.

Necessidade de experiência

Essa leitura, como depende da análise dos players, requer alta concentração e experiência. Não tem como aprender a ler fluxo com setups escritos em um livro, por exemplo. A experiência é parte do processo de aprendizado.

Microestrutura: fundamental para o fluxo

As técnicas modernas de tape reading compreender que existe diferença do tamanho e influência dos participantes. Pegando alguns conceitos de microestrutura de mercado, alguns participantes são considerados informados e outros não-informados. Os players informados são aqueles que movimentam os ativos. É nesse aí que você tem que ficar junto!

Nem sempre o que parece, é

Existe uma subjetividade mais evidente no tape reading. Dois trades podem olhar o mesmo momento de mercado e chegar a conclusões diferentes. A experiência, novamente, conta muito. A decisão pessoal conta muito.

A importância do momentum

A leitura de fluxo, de modo geral, tenta identificar o que se chama de momentum. O momentum são rápidas situações de mercado que se traduzem em oportunidades. Normalmente são segundos ou minutos. Então você já deve imaginar que um leitor de fluxo, normalmente, gosta de operação rápidas e curtas.

E a Análise Gráfica, como se caracteriza?

A Análise Gráfica é a técnica historicamente mais utilizada pelos traders. É comum ver gráficos que representam o mercado. No entanto, saiba que existem diferenças: Price Action e análise técnica.

O Price Action é a análise do preço. Fala-se muito também em “preço pelo preço”. Por meio de padrões gráficos passados já conhecidos, o trader utiliza essa metodologia para identificar se no momento algum ativo está em um padrão de compra e venda.

Uma informação clássica para operador são os chamados suportes e resistências. Suportes nada mais são que regiões que respeita e que o preço não cai mais. Já as resistências são regiões em que o mercado não consegue seguir subindo, ou seja, o preço não sobe mais. Há diversos outros padrões utilizados, como canais, ombro-cabeça-ombro, topo duplo, enfim, uma série de outras informações possíveis.

A análise técnica é o outro lado da análise gráfica. Com ela, o operador utiliza setups que representam a força do mercado, volatilidade e sinais de compra e venda. Esses setups são fórmulas matemáticas respeitadas que foram desenvolvidas por traders experientes.

Algum trader, buscando algum padrão, desenvolveu um indicador que poderia replicar alguma situação futura no mercado. Pronto! Basicamente, aí surgiu os indicadores técnicos. Alguns dos mais conhecidos são médias móveis, bandas de Bollinger, IFR e MACD. Alguns detalhes são importantes.

Início da Análise Gráfica

O pai da análise gráfica é Charles Dow, criador da teoria de Dow que é base para a AT moderna. Entre os princípios utilizados, Dow falava que todas as informações do mercado estão precificadas no gráfico. Inclusive as notícias. Há operadores gráficos que utilizam esse princípio à risca, então não acompanham as notícias de mercado, mas não é uma regra entre todos operadores.

Aprendendo a técnica

A análise gráfica tem um aspecto de aprendizado diferente do tape reading. É possível aprender padrões gráficos e estudos sem estar em contato com uma plataforma, por exemplo. Obviamente, que o trader fica experiente com o tempo, mas esse estudo é possível. Há uma literatura da análise gráfica que é muito grande, o que não ocorre na análise de fluxo.

Setups claros

O aspecto de decisão da análise gráfica é claro. Cruzou duas médias, bateu no suporte, deu entrada em certo indicador. Trabalhando com probabilidades e risco-retorno, a análise gráfica é uma excelente ferramenta de trading.

O passado é usado no presente

A análise gráfica busca informações no passado para replicar no presente. Os eventos passados possuem alta probabilidade de ocorrer no futuro, essa é a lógica.

Quais são as diferenças entre as duas técnicas?

As diferenças começam pelos princípios das duas metodologias. O trader que usa a análise gráfica olha o gráfico e tenta retirar suas informações para trading. Para o leitor de fluxo, saber o que os players estão fazendo no book e no histórico de negócios.

Tanto o leitor de fluxo quanto o operador gráfico pode fazer operações curtas. O leitor de fluxo pode identificar “dentro do candle” o que está acontecendo no mercado. Os micromovimentos do mercado, com uma agressão ou uma oferta apregoada pode fazer toda diferença.

Por outro lado, o excesso de informações pode confundir o leitor de fluxo. Algo que não ocorre com o trader que opera pelo gráfico, que busca identificar padrões em seus estudos para visualizar as melhores oportunidades, utilizando as melhores ferramentas em mãos.

Para um trader que está começando, por exemplo, o fluxo pode não fazer sentido. Por outro lado, mesmo estudando tape reading, um trader pode pensar: “Prefiro o gráfico, esse amontoado de números não é pra mim”.

Há uma outra diferença do tape reading para a análise gráfica que é a causalidade. Certamente, o que causa a elevação do preço são players comprando a preços cada vez maiores. Por outro lado, essa identificação pode ocorrer também pelo gráfico.

Mas então, qual a melhor?

Essa resposta é simples: depende. Depende de como você vai usar, se você vai se adaptar e se vai fazer sentido para você. Algumas dicas são interessantes:

Dinheiro fácil? Nem pensar!

Um fato, primeiramente: as duas técnicas não vão te dar dinheiro fácil. Tanto para o gráfico, como para o fluxo, o fundamental é você ter uma gestão de risco apurada e saber trabalhar com probabilidades. Nem uma ou outra pode prever o mercado. É impossível prever o mercado.

O tempo disponível influencia

Para o tape reading é fundamental estar olhando os fluxo todo tempo, se não você perde o histórico. Basicamente, se piscou, perdeu. No gráfico você tem o histórico, então pode tomar decisões baseadas nisso com maiores facilidade. O tempo diário que você tem disponível para se dedicar é fundamental.

O importante é ganhar

Não adianta forçar uma técnica ou outra, você deve ver o que se adapta para você. Se você está ganhando dinheiro com alguma técnica, porque mudar para outra? O importante é o dinheiro no bolso!

Teste as duas metodologias

Porque não usar as duas metodologias? Hoje, muitos traders usando padrões gráficos, trabalhando com risco-retorno adequado, usando o fluxo para confirmar entradas e saídas de posição ou vice-versa. Quem cria o operacional é você.

Estude bastante as duas técnicas. Veja o que faz sentido para o seu operacional, dinheiro, tempo disponível para operar, estilo, perfil de risco… tudo isso faz sentido para escolher uma metodologia ou outra. Por isso que não há uma resposta pronta para a dúvida de qual é melhor!

Gostou desse artigo? Então leia mais sobre como decidir a melhor ferramenta operacional para o seu perfil.